Geral
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Dividida em dois segmentos de quatro quilômetros de comprimento, a linha principal tem presa a ela 200 secundárias com anzóis circulares, que se prendem no maxilar do tubarão. Essa novidade introduzida em 2006 aumentou a chance de o peixe sobreviver, pois os anzóis tradicionais, em forma de “J”, são mais invasivos ao se prender no esôfago e estômago. Sistemas de outro tipo, como as redes da África do Sul, apresentam taxas elevadas de mortalidade de tubarões e outras espécies, como raias e tartarugas. Isso não ocorre no Recife. “Significa que o animal, após capturado, continua vivo e em bom estado”, diz Hazin. Essa metodologia sistemática e minuciosa do Sinuelo, que aumentou em quase 170% a taxa de sobrevivência dos tubarões, já foi exportada para o México.
Todas as manhãs, por volta das 6h, a tripulação recolhe o espinhel, verifica se algum tubarão foi capturado, coloca novas iscas – normalmente, de peixes-prego e moréias. À tarde, o lança novamente ao mar. Os tubarões que passam por ali têm pela frente uma segunda armadilha: 23 linhas secundárias espalhadas a uma distância de um quilômetro e meio da praia; cada uma delas, presa a uma bóia e com dois anzóis, cujas iscas também são trocadas diariamente. “Nós somos, assim, uma espécie de amigo do povo e amigo do tubarão”, afirma Paulo Emídio de Souza, comandante do Sinuelo.
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