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Cidadania e Justiça

Estado brasileiro “é responsável” pela manutenção ilegal de pessoas presas, diz Cesar Peluso

por Portal Brasil publicado: 25/11/2011 16h18 última modificação: 28/07/2014 15h06

Para o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Cezar Peluso, “a ilegalidade das prisões é responsabilidade do Estado”. O ministro divulgou nesta sexta-feira (25), em Brasília, o relatório do programa Mutirão Carcerário que, entre janeiro de 2010 e novembro de 2011 (até o dia 21), libertou 21 mil pessoas presas ilegalmente em 24 estados e no Distrito Federal.

Em sua “prestação de contas à sociedade brasileira”, Peluso disse que o mutirão perdeu caráter excepcional e tornou-se sistemático, mais do que um instrumento de políticas públicas, mas um “programa de direitos humanos”.

No balanço, o ministro relatou casos como o de um homem no município de Pitões (PB) que ficou preso indevidamente por mais de sete anos após cumprir pena de três anos e dez meses. Segundo Cezar Peluso, o CNJ constatou entre janeiro e fevereiro deste ano que quem efetivamente verificava o cumprimento de penas nas varas de execução penal na Paraíba eram os familiares. “Isso não tem nome. É um despropósito”, qualificou.

A permanência de presos ilegalmente em delegacias, cadeias públicas e presídios, cumprindo detenção provisória ou já condenados, é generalizada em todo o País. O relatório do CNJ destaca, no entanto, a situação do Ceará onde houve a maior proporção de pessoas libertadas, 1.287 no total - cerca de 20% dos processos analisados em mutirão feito entre fevereiro e março deste ano. O conselho também aponta “situações igualmente críticas” no Paraná, em Santa Catarina e Goiás onde não funcionam defensorias públicas.

Além de manter pessoas indevidamente presas, o relatório do CNJ aponta casos de tortura e falta de atendimento médico na Bahia, onde o mutirão está em curso. No presídio Lemos de Brito (Salvador), o CNJ encontrou um preso com a perna gangrenada por causa de uma ferida aberta e não tratada. Em Mato Grosso, o relatório aponta que no final do ano passado alguns presídios tinham três presos por vaga e que na capital do estado (Cuiabá), na Penitenciária Central e no Centro de Ressocialização, ainda são usados contêineres de aço para acomodar presos. “Durante o verão o calor é insuportável, no inverno [o frio] é intolerável”, descreveu Cezar Peluso.

Em Recife (PE), no Presídio Aníbal Bruno, o presidente do CNJ aponta que “há uma república carcerária”, onde os detentos portam as chaves das celas, controlam a circulação interna de pessoas, inclusive das autoridades. Segundo Cezar Peluso, as instalações do presídio equivalem a “masmorras medievais”. Quadro não muito diferente do verificado em Pinheiro (MA) onde houve uma grave rebelião de detentos em fevereiro deste ano. O ministro exibiu as fotos de pessoas decapitadas durante o conflito.

O relatório registra a melhoria da situação prisional no Espírito Santo após o estado ter assinado termo de cooperação com o CNJ em 2009. Para Peluso, a desativação de celas de contêineres de aço, a criação de mais vagas em novos presídios e a contratação de agentes carcerários concursados são “fatos a louvar”.

Cezar Peluso também elogiou a disposição do governo de investir R$ 1,1 bilhão para zerar o deficit de vagas para mulheres presas e para reduzir pela metade a falta de vagas em prisões provisórias, mas ponderou que os repasses do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) – que custeará ampliações e construção de novas cadeias públicas e presídios – “sofrem com dificuldades burocráticas” e deveriam ser transferidas diretamente (fundo a fundo), não exigindo a elaboração de convênios entre a União e os estados.

No começo do próximo ano, o CNJ deve lançar um “livro negro da situação dos cárceres no Brasil”, prevê Peluso.

Em janeiro estará disponível na internet o Banco Nacional de Mandados de Prisão, que vai uniformizar as informações sobre as pessoas presas e os mandados expedidos. O sistema viabilizará melhor acompanhamento de vencimentos de prazo de condenações e prisões provisórias.


Fonte:
Agência Brasil

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