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Cidadania e Justiça

Incra elabora relatórios antropológicos de mais seis territórios quilombolas na Paraíba

por Portal Brasil publicado: 12/01/2012 17h34 última modificação: 28/07/2014 16h27

A Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na Paraíba começará, no mês de janeiro, o trabalho de elaboração de relatórios antropológicos de mais seis territórios quilombolas no estado, nas comunidades Ipiranga, no município de Conde (Litoral Sul); Fonseca, em Manaíra (Serra do Teixeira); Vaca Morta e Barra de Oitis, em Diamante (Sertão); Pitombeiras, em Várzea (Seridó Ocidental) e Contendas, em São Bento (Sertão).

O trabalho será realizado pelas empresas Demacamp e S.A Consultora em Gestão de Processos de Qualidade LTDA, que venceram licitação - na modalidade pregão eletrônico, do tipo menor preço global - publicado no Diário Oficial da União no dia 30 de novembro de 2011, Seção 3, página 157. O trabalho das empresas está previsto para ser concluído ainda no primeiro semestre deste ano.

Segundo o superintendente regional do Incra/PB, Lenildo Morais, o objetivo é agilizar o processo de regularização daquelas áreas, que culminará com a concessão do título de propriedade da terra às comunidades, que reúnem aproximadamente 390 famílias.

De acordo com a antropóloga Maria Ester Fortes, do Serviço de Regularização de Territórios Quilombolas do Incra/PB, o relatório antropológico é a peça inicial do processo administrativo de regularização dos territórios quilombolas e compõe o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID), que também inclui o Laudo Agronômico e o Memorial Descritivo da área.

Processo de regularização

A missão de regularizar os territórios quilombolas foi atribuída ao Incra em 2003, com a promulgação do Decreto nº 4.887, que regulamentou o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas pelos remanescentes das comunidades dos quilombos de que trata a Constituição Federal em seu Artigo 68.

De acordo com a antropóloga, o processo de regularização fundiária de comunidades quilombolas é demorado, mas indispensável ao futuro dessas comunidades, que têm visto suas áreas cada vez mais invadidas pela especulação imobiliária.

Para terem seus territórios regularizados, as comunidades quilombolas devem encaminhar uma declaração na qual se identificam como comunidade remanescente de quilombo à Fundação Cultural Palmares, que expedirá uma certidão de autoreconhecimento. Devem ainda encaminhar à Superintendência Regional do Incra uma solicitação formal de abertura dos procedimentos administrativos visando à regularização.

Regularização do território

A regularização do território tem início com um estudo da área, a elaboração de um relatório técnico que identifica e delimita o território da comunidade. Uma vez aprovado este relatório, o Incra publica uma portaria de reconhecimento que declara os limites do território quilombola. A fase final do procedimento corresponde à regularização fundiária, com a retirada de ocupantes não quilombolas através de desapropriação e/ou pagamento das benfeitorias e a demarcação do território.

Na Paraíba, dos 27 processos abertos no Incra/PB para a regularização de territórios quilombolas, nove Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTIDs) foram iniciados e destes, cinco foram publicados nos Diários Oficiais do Estado e da União: Engenho do Bonfim; Matão, em Gurinhém; Comunidade Urbana do Talhado, em Santa Luzia; e Pedra D'Água, em Ingá e Grilo, em Riachão do Bacarmate. Espera-se que estas três últimas comunidades também tenham suas áreas regularizadas nos próximos meses.

Para as 22 famílias que vivem na comunidade Engenho do Bonfim - algumas há mais de 90 anos -, no município de Areia, o Incra se imitiu na posse da área de  aproximadamente 122 hectares de terras de onde as famílias tiram sua subsistência. A regularização da área ocupada pela comunidade foi feita através de decreto assinado pelo presidente Lula no dia 20 de novembro de 2009.

 

Fonte:
Incra

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