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Cidadania e Justiça

Guia ajudará empresas no enfrentamento ao racismo e a desigualdade de gênero

por Portal Brasil publicado: 09/05/2013 17h30 última modificação: 30/07/2014 00h51
EBC Ministra Luiza Bairros, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir)

Ministra Luiza Bairros, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir)

Documento foi elaborado por um grupo de trabalho formado por especialistas de organizações feministas e do movimento negro, do governo federal e da Organização das Nações Unidas (ONU)

 

O combate ao racismo institucional é meta do governo brasileiro. A questão agora poderá ser combatida com a ajuda do Guia de Enfrentamento ao Racismo Institucional e Desigualdade de Gênero, lançado nessa quinta-feira (9) pelas secretarias de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e de Políticas para as Mulheres (SPM).

Segundo especialistas de organizações feministas – responsáveis pela elaboração do material – na prática, além de informações sobre o racismo institucional, o documento traz uma série de perguntas e instruções para que as intuições públicas sejam capazes de identificar problemas relacionados a esse comportamento.

Segundo a ministra da SPM, Eleonora Menicucci, um dos exemplos mais claros de racismo institucional está na saúde das mulheres. “Se você tem duas mulheres em processo de parto, é costumeiro que a mulher branca seja atendida primeiro que a negra. Isso é uma forma de racismo institucional”, explicou.

Menicucci se comprometeu a trabalhar para que a adoção do manual seja uma realidade nas repartições. “Daremos a esse guia a importância que ele merece para o enfrentamento ao racismo”, garantiu.

A ministra Luiza Bairros, da Seppir, destacou que o principal desafio do Brasil é incluir nas políticas universais uma perspectiva que leve em conta as diferenças entre as pessoas, entre negros e brancos, entre mulheres e homens. Segundo ela, nesse sentido, informações que nem sempre são consideradas nos atendimentos públicos, como as de cor e sexo, são fundamentais para a medição de um impacto desvantajoso daquela política sobre determinados grupos.

Para Jurema Wernek, médica e coordenadora da organização não governamental Criola, a ideia do guia é facilitar o trabalho nas organizações. “Muitas instituições já poderiam fazer esse trabalho se tivessem um material como esse em mãos. O que essa iniciativa produz é uma ferramenta que está sendo demandada, nem todo mundo quer que o Brasil continue sendo racista”, disse.

 

Acesse o guia na íntegra

 

Racismo institucional

O racismo se reafirma no dia-a-dia pela linguagem comum, se mantém e se alimenta pela tradição e pela cultura, influencia a vida, o funcionamento das instituições, das organizações e também as relações entre as pessoas. Constitui-se na produção sistemática da segregação étnico-racial e nos processos institucionais. Manifesta-se por meio de normas, práticas e comportamentos discriminatórios adotados no cotidiano de trabalho, resultantes da ignorância, falta de atenção, preconceitos ou estereótipos racistas.

 

Núcleo de Estudos Afrobrasileiros

O Núcleo de Estudos Afrobrasileiros (Neab), da Universidade de Brasília (UnB), surgiu em 1986 junto à criação do Centro de Estudos Avançados Multidiciplinares (Ceam). Instituído conjuntamente com outros núcleos temáticos, a intenção era e continua sendo trabalhar com conteúdos ausentes ou pouco constantes nos currículos acadêmicos. O Neab se destina aos interessados em fazer estudos, desenvolver pesquisas e apoiar trabalhos que abordem e lidem com as relações raciais. De forma, interdisciplinar, o núcleo tem assumido a árdua tarefa de estimular o debate acadêmico sobre as relações raciais, com base em teses e dissertações.

No final do ano passado, o professor e coordenador do Neab, Nelson Inocêncio, foi convidado pelo Senado Federal para dar um curso junto à outra pesquisadora a respeito do racismo institucional e da desigualdade de gênero. A proposta do Senado surgiu após um estudo realizado pelo órgão constatar que havia, dentro de sua estrutura trabalhista, diversos problemas relacionados ao tema. 

“Demos um curso, na verdade, um começo de uma conversa, procurando orientar gestores e pessoas em cargos de chefia para ficar atentos à situação e aprender a lidar com o racismo institucional”, lembra Nelson. O coordenador também já desenvolveu em outros ambientes profissionais cursos com a mesma proposta. “Temos desenvolvido esse trabalho de levar o debate das relações raciais aonde for possível e estimular o discussão”, ressalta.

 

Desigualdade de gênero

No Brasil, as mulheres são mais da metade da população e já estudam mais que os homens, mas ainda têm menos chances de emprego, ganham menos do que o universo masculino trabalhando nas mesmas funções e ocupam os piores postos. Nos últimos anos, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a distribuição de renda melhorou, mas a desigualdade entre homens e mulheres, ainda é muito significativa.

Embora ao longo das últimas décadas a participação das mulheres no mercado de trabalho tenha deixado, aos poucos, de ser percebida como secundária ou intermitente, esta inserção é ainda marcada por diferenças de gênero e raça, conclui o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) na última edição do estudo “Retratos das Desigualdades de Gênero e Raça”, produzido anualmente desde 2004. Isto é, quando se combinam desigualdades, as diferenças ficam ainda mais acentuadas.

Dados sobre a distribuição por setor de atividade apontam uma clara segmentação ocupacional, tanto relacionada ao gênero, quanto à raça. As mulheres – especialmente as negras – estão mais concentradas no setor de serviços sociais (aproximadamente 34% da mão de obra feminina), grupo que abarca serviços de cuidado em sentido amplo (educação, saúde, serviços sociais e domésticos). Já os homens, sobretudo os negros, estão sobrerrepresentados na construção civil. Em 2009, esse setor empregava quase 13% dos homens e menos de 1% das mulheres, indica o estudo do Ipea.

 

Conheça estudo sobre Racismo Institucional

 

Fontes:

Seppir
Com informações da Agência Brasil

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