Cidadania e Justiça
Congresso da Juventude Camponesa debate acesso à terra
Debates
Mesas temáticas marcaram a programação do terceiro dia do III Congresso Nacional de Juventude Camponesa, que ocorreram simultaneamente na manhã desta quinta-feira (16). Boa parte dos jovens optou em participar do debate sobre acesso à terra, com o intuito de conhecer os instrumentos e políticas que o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) disponibiliza para reforma agrária, em especial o Crédito Fundiário.
O secretário de Reordenamento Agrário do MDA, Adhemar Almeida, apresentou aos jovens os instrumentos existentes para acesso à terra - e que se integram para atender os diferentes públicos da agricultura familiar -, destacando o Nossa Primeira Terra (NPT), uma linha do Programa Nacional de Crédito Fundiário específica para a juventude rural.
"A partir das demandas dos movimentos sociais e junto com eles, foram feitas mudanças significativas no Crédito Fundiário, com redução de juros, ampliação de prazo e Ater, entre elas a linha NPT, que permite aos jovens, com idade entre 18 e 29 anos, adquirir seu imóvel rural, com juros de 1% ao ano. Somado a isso, temos no MDA uma série de políticas voltadas para os jovens como Pronacampo, Pronaf Jovem, assistência técnica entre outros”, atentou Almeida ao afirmar que ao promover o protagonismo da juventude camponesa favorece a sucessão, o desenvolvimento e a consolidação da agricultura familiar.
Rodrigo De Bona, de Saldanha Marinho (RS), beneficiário do PNCF há cinco anos, entende que a discussão é importante, para que os jovens de outras regiões possam conhecer o programa e ter a mesma oportunidade que ele. "Acho a ideia do secretário, de que sejam feitos intercâmbios entre os jovens de diferentes regiões, muito boa. Só dessa forma podemos conhecer outras realidades e trocarmos experiências", comentou Bona.
Quando conheceu o PNCF, Bona decidiu permanecer no campo, adquirindo nove hectares próximos à terra dos pais. Ele e a família plantam milho, feijão, soja e tomate e criam gado leiteiro. "Se não fosse a possibilidade de comprar minha própria terra eu, como alguns de meus amigos, teria ido pra cidade atrás de emprego. Hoje trabalhamos juntos, e estamos crescendo a cada dia", disse o jovem.
Agroecologia
Uma das mesas temáticas trouxe para o debate o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, do Governo Federal, coordenado pelo MDA. As linhas gerais do Plano Brasil Agroecológico, bem como ações específicas para a juventude foram apresentadas aos jovens pelo coordenador de Formação da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF/MDA), Cassio Trovatto. Segundo o coordenador, foi gratificante perceber o conhecimento que os jovens da Pastoral da Juventude Rural (PJR) têm sobre as políticas públicas disponíveis e como acessá-las.
Durante a palestra, Trovatto ressaltou que o Plano Brasil Agroecológico ainda é muito recente. "Estamos em processo de articulação das políticas de desenvolvimento sustentável e contamos com a importante participação da juventude na execução, qualificação e acompanhamento do Plano", completou o coordenador.
Para o jovem capixaba de Vila Valério (ES), Elder Quiuqui - cuja produção passa pelo processo de transição para o modelo agroecológico -, o Plano Nacional é muito bom e, sem dúvida, foi uma conquista muito importante para a agricultura familiar e para os brasileiros.
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