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Cidadania e Justiça

Pacto de silêncio oculta enfrentamento à violência no Pará

Combate

Diagnóstico foi feito por comissão da Secretaria de Políticas para as Mulheres que está na Ilha do Marajó conversando com moradoras sobre seus direitos
por Portal Brasil publicado: 27/01/2014 12h57 última modificação: 30/07/2014 01h20
Raquel Lasalvia/SPM Advogada Amelinha Teles: "Há necessidade de se falar sobre o problema da violência doméstica"

Advogada Amelinha Teles: "Há necessidade de se falar sobre o problema da violência doméstica"

Pescadoras, extrativistas, quilombolas, rezadeiras, parteiras e trabalhadoras rurais em geral. Este é o conjunto de mulheres com as quais a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR) está dialogando, desde a segunda-feira passada (20/01) até 6 de fevereiro, nas imediações da Ilha de Marajó, no Pará. Na incursão da agência-barco Caixa por nove municípios marajoaras – Bagre, Curralinho, Melgaço, Muaná, Ponta de Pedras, Portel, Salvaterra, São Sebastião da Boa Vista e Soure – o programa ‘Mulher, Viver sem Violência’, da SPM, faz diagnóstico sobre a realidade das ribeirinhas e praieiras no acesso à justiça. 

“Há um pacto de silêncio entre a população, as autoridades e os homens e as mulheres. A gente tem explicado sobre a necessidade de se falar sobre o problema da violência doméstica e familiar”, afirma Amelinha Teles, advogada, feminista e formadora de Promotoras Legais Populares (PLPs). No balanço da primeira semana de conversa com população e autoridades locais, ela considera que “o barco pode ser um estímulo para serviços que se conectem e não funcionem de forma estanque”. Faz parte do grupo da SPM, formado por Luana Grillo, coordenadora-geral da Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, e Raquel Lasalvia, assessora de imprensa da SPM. 

Para Amelinha, o pacto de silêncio e a dificuldade de as mulheres reconhecerem a violência de gênero podem ser explicados pelo “isolamento e a distância dos lugares onde vivem. Estamos falando de municípios ladeados por rios e mares, em que o custo para pegar um barco não é barato para a realidade delas”, detalha. Ela chama a atenção para a inexistência de serviços especializados, pois “há somente uma vara e uma delegacia que atendem todas as demandas”, o que gera mais obstáculos para o atendimento diferenciado que a violência sexista impõe. 

Aplicação da Lei Maria da Penha 

Após visitar os municípios de Ponta de Pedras, Salvaterra e Soure, Amelinha constatou a prevalência de um discurso que “culpabiliza as mulheres pela ocultação e pela falta de denúncia da violência sofrida ou da denúncia seguida da retirada da queixa”. Ela insiste que este procedimento está totalmente equivocado e tem constantemente trabalhado nas rodas de conversas “o artigo 16 da Lei Maria da Penha que determina que independe da manifestação da vítima a continuidade do inquérito”, o que acarreta responsabilização das autoridades do poder público. 

Enfrentando intempéries de navegação, como ondas fortes resultantes do entrecruzamento entre mar e rio, nas proximidades do Atlântico aberto, Amelinha é contundente: “O barco pode articular novas possibilidades de se encarar direitos e acesso à Lei Maria da Penha”. Na sexta-feira (24/01), quando concedeu entrevista ao portal da SPM, Teles voltava animada de mais um encontro com cerca de 50 pescadoras do Caju-una, em Soure. 

Justiça às mulheres

A tolerância zero à violência de gênero e à impunidade dos agressores é um dos objetivos principais da presidenta da República, Dilma Rousseff, que determinou a criação do programa ‘Mulher, Viver sem Violência’, para intensificar os esforços do governo federal e parceria no enfrentamento à violência sexista. Soma-se ao Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, ambos sob a coordenação da SPM. 

O programa articula ações para facilitar o acesso das mulheres em situação de violência a direitos e serviços públicos de segurança pública, justiça, saúde e atendimento psicossocial às mulheres em situação de violência, a serem concentrados na Casa da Mulher Brasileira – 26 capitais do país terão uma cada. 

Um dos diferenciais do ‘Mulher, Viver sem Violência’ é o investimento na mobilidade dos serviços especializados por meio de unidades móveis rodoviárias – 54 ônibus, sendo dois por unidade federativa para atender mulheres do campo e da floresta – e agora fluvial. São cinco embarcações com a prestação de serviço do programa a estarem em funcionamento até o final do ano: três agências-barco da Caixa e dois barcos da SPM.

Fonte:
Secretaria de Políticas para Mulheres

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