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Cidadania e Justiça

Programa reúne ribeirinhas em agência-barco no Marajó

Direitos Humanos

SPM dialoga com ribeirinhas e visita serviços públicos para fazer diagnóstico sobre as demandas das mulheres no acesso a direitos
por Portal Brasil publicado: 22/01/2014 18h45 última modificação: 30/07/2014 01h20

Trinta mulheres moradoras das imediações de Ponte de Pedras, no Pará, participaram de roda de conversa com a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), promovida pelo programa ‘Mulher, Viver sem Violência’.  O grupo esteve mobilizado, na segunda-feira (20), quando a agência-barco Caixa Ilha de Marajó ficou atracada no município marajoara.

Pela primeira vez, serviços do governo federal sobre enfrentamento à violência contra as mulheres chegam às ribeirinhas. Fazem parte da estratégia de interiorização da Lei Maria da Penha e do acesso de mulheres rurais, do campo, da floresta e das águas a direitos, por meio do ‘Mulher, Viver sem Violência’.

“Eu acho que a vinda do barco é importante, primeiro porque isso aqui vai começar a despertar nas mulheres a importância de elas se libertarem dessa questão da violência e também para elas procurarem criar a sua própria independência financeira, pois é mais isso que atrapalha a mulher, porque ela fica dependendo do marido e também tem os filhos”, disse Arlete da Conceição, presidenta do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Ponta de Pedras.

Ela vive na comunidade de Santana do Araripe, num assentamento na Ilha Santana. E chama a atenção para a dificuldade de as ribeirinhas fazerem uso da Lei Maria da Penha. “Aqui, em Ponta de Pedras, existem casos de agressão contra mulher que, na verdade, não são resolvidos. A mulher vai lá, denuncia, mas não tem um seguimento, acaba naquilo lá”, alerta.

Roda de conversa

Liderada por Amelinha Teles, advogada e formadora de Promotoras Legais Populares, e Luana Grillo, coordenadora-geral da Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da SPM, a roda de conversa foi espaço para trocas de experiências de vida, relatos sobre violência e avaliação dos serviços públicos. “Aqui na cidade, nós não temos delegacia da mulher. Este é um serviço muito importante se a gente conseguisse, porque sonhar não é pecado, né? Quem sabe um dia a gente não vai conseguir, porque eu posso até não precisar agora, mas já precisei e posso precisar mais tarde e muitas outras mulheres também. Eu já fui vítima de agressão, já fui para o conselho, delegacia, fórum, já andei muito por aí. E foi difícil”, revelou a trabalhadora rural Terezinha de Souza.

Para a secretária do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Ponte de Pedras, Socorro Silva, “o barco irá ajudar de muitas maneiras, principalmente para quem mora na área ribeirinha, porque o acesso é mais difícil lá. Tendo o barco, fica mais fácil visitar, ver o que está acontecendo, para poder trazer pra cá pra cidade, para dar andamento no processo”.

Assistente social com 16 anos de atuação em Ponte de Pedras, Dulce Ribeiro demonstrou a sua expectativa sobre o reforço do ‘Mulher, Viver sem Violência’ na agência-barco Ilha de Marajó. “Essa articulação com o governo federal, a vinda dessa equipe que veio trazer essas informações para a gente fomentar uma política para a mulher mais efetiva e eficaz, deixa a gente muito esperançoso. Depois da roda de conversa que foi feita, a gente espera realmente ter discutido e ter proposto formas, alternativas, e construir realmente um trabalho que venha coibir e reduzir a violência contra a mulher, que ainda é muito grande”, considerou.

Primeira viagem

A SPM segue no barco no período de 20 de janeiro a 6 de fevereiro, oferecendo às ribeirinhas atendimento com equipe técnica, encarregada de fazer diagnóstico sobre a realidade e as demandas de serviços especializados das mulheres das águas do Marajó. Acompanha o grupo da SPM, a advogada e formadora de Promotoras Legais Populares Amelinha Teles.

O levantamento subsidiará o atendimento a ser realizado nos barcos, por meio do ‘Mulher, Viver sem Violência’, e as negociações com o Fórum Estadual de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres no Campo e na Floresta e o Grupo Executivo Estadual do programa no estado – ambos a serem constituídos quando da adesão do Pará à iniciativa do governo federal. A perspectiva é que governo estadual, prefeitura de Belém e de municípios-polos, Tribunal de Justiça, Ministério Público e Defensoria Pública Estadual formalizem, em 6 de fevereiro,  a cooperação com a SPM.

 Fonte:

Secretaria de Políticas para Mulheres

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