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Povo Xokleng inicia mapeamento de seu território

Indígenas

Mapeamento histórico-cultural será feito em etapas, primeiro com foco no resgate das informações sobre modo de vida tradicional
por Portal Brasil publicado: 28/03/2014 13h18 última modificação: 30/07/2014 01h23

A comunidade Xokleng, da terra indígena Ibirama, localizada em Santa Catarina, estão iniciando um processo de mapeamento histórico-cultural do seu território tradicional. Eles contam com orientação do Projeto Cartografia Social e com apoio do Projeto de Gestão Ambiental e Territorial Indígena (GATI), da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Para iniciar os trabalhos de campo e definir marco conceitual da proposta, eles participaram de um encontro preparatório na Escola La Klãnõ (aldeia Figueira) há duas semanas.  

O Projeto GATI estava representado pela consultora regional Rosa Villanueva e pelo coordenador de Planos de Gestão Ambiental e Territorial (PGTAs), Ney Maciel. A iniciativa está sendo orientada por professores do grupo de pesquisa "Identidades Coletivas e Conflitos Territoriais do Sul do Brasil", da Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC), e coordenada por alunos Xokleng do curso de Licenciatura Intercultural Indígena da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O mapeamento tem como referencia o projeto "Novas Cartografias Sociais", que articula, em todo o país, processos de pesquisa e mapeamentos protagonizados por populações tradicionais.

Como será o mapeamento?

Em reunião anterior, os indígenas e apoiadores do projeto acordaram que o mapeamento será feito em etapas, sendo a primeira com foco no resgate das informações sobre o modo de vida tradicional Xokleng e no levantamento histórico dos aldeamentos e uso da terra.

A referência temporal utilizada é a implantação, há mais de 30 anos, da barragem no rio Itajaí do Norte (ou Hercílio) que corta a terra indígena no sentido noroeste-sudeste e que interferiu drasticamente na ocupação territorial e na tradicionalidade Xokleng.

O encontro realizado na aldeia Figueira se configurou numa confraternização tradicional oferecida aos anciões da terra indígena, pois estes serão os principais atores do mapeamento, por deterem as informações históricas do seu povo. Os pesquisadores Xokleng e apoiadores também interagiram com os anciões, para coletar os primeiros relatos históricos e prepará-los para as próximas etapas.

O resultado deste mapeamento preliminar será apresentado em forma de boletim, no dia 22 de setembro, durante o evento que vai lembrar o centenário da "pacificação" dos Xokleng.

Interface com Projeto GATI

Na sua interface com a estratégia do Projeto GATI de apoiar a elaboração e implementação de PGTAs , a iniciativa pode configurar numa primeira etapa do processo, visto que irá responder questões como: "Como era nossa terra indígena?" e "Qual sua atual situação?".

O PGTA, por sua vez, deve aprofundar a pergunta: "Qual o futuro que queremos e como alcançá-lo?". Os PGTAs e a Cartografia Social, mesmo priorizando determinados temas, podem se apresentar como complementares.

Ambos têm como princípio o protagonismo indígena e visam o fortalecimento das organizações locais e processos educacionais, como também a ampliação do diálogo com instituições governamentais e não governamentais.

Visita aos Microprojetos de Ibirama

A equipe do Projeto GATI também visitou três microprojetos indígenas em andamento na TI Ibirama. Estes são focados na instalação de sistemas agroflorestais, em diferentes fases, cuja finalidade é demonstrar e divulgar um modelo que priorize atividades de reflorestamento e de troca de saberes. Os projetos são:

  1. "Implantação e manutenção de agrofloresta demonstrativa na Aldeia Sede", que também conta com o apoio do Projeto Compostagem do curso de Agronomia da Universidade Federal de Santa Catarina, numa parceria para a utilização de adubação verde e outras técnicas orgânicas.
  2. "Agente comunitário para cuidado de SAF (Sistema Agroflorestal) na aldeia Bugio". Os objetivos do projeto são de apoiar a atividades de um agente comunitário que dá suporte às famílias na implementação de quintais agroflorestais. E ainda replantar mudas de espécies nativas em área desmatada e recuperação do solo. Este trabalho conta com parceria do Instituto Federal Catarinense (IFC) e COMIN (Conselho de Missão entre Indígenas).
  3. "Viveirismo para produção de mudas nativas" na aldeia Toldo, que tem visa apoiar a produção de mudas nativas através da aquisição de insumos e apoiar o 'viveirista' da comunidade. O microprojeto já produziu mais de 1500 mudas da palmeira juçara, espécie chave na Mata Atlântica e praticamente extinta da TI Ibirama.

Fonte:

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