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Cidadania e Justiça

Agricultores mostram experiências do modelo de inclusão produtiva

Agricultura familiar

Representantes de 18 países visitaram assentamento na zona rural de Planaltina (DF) para conhecer o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA)
por Portal Brasil publicado: 02/04/2014 12h36 última modificação: 30/07/2014 01h26

“Este é o reconhecimento de que estamos trabalhando bem. Queremos fazer cada vez mais”, disse o agricultor familiar Gaspar Araújo, ao receber representantes de 18 países nesta terça-feira (1º), no assentamento Pequeno William, localizado na zona rural de Planaltina, em Brasília (DF). Ele é o presidente da Associação dos Produtores Rurais Esperança e mostrou, com outras 21 famílias, como funciona o modelo brasileiro de inclusão produtiva rural. 

A visita fez parte da programação da nona edição do seminário internacional Políticas para o Desenvolvimento, iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). 

Localizado a 38 quilômetros de Brasília, o assentamento é um caso de sucesso pelo que tem produzido nos últimos três anos. Com o apoio técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF) e da Fundação Banco do Brasil, foi implantado no local um Sistema de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais), tecnologia social de apoio à agricultura familiar para a produção de alimentos sem agrotóxicos. 

“Temos a felicidade de entregar um produto de qualidade para as pessoas, sem agrotóxicos”, explicou Araújo. Os produtos são repassados para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), coordenado pelo MDS. Em 2013, 15 famílias cultivaram hortaliças em cinco áreas coletivas e venderam tudo para o PAA, o que rendeu R$ 67,5 mil para o assentamento. 

As famílias também fazem parte do Programa Bolsa Família e do Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais, do Plano Brasil Sem Miséria, voltado para agricultores em situação de extrema pobreza. Além da assistência técnica, os beneficiários também recebem R$ 2,4 mil, a fundo perdido, pagos em parcelas semestrais durante dois anos, para adquirir insumos e equipamentos. 

Os alimentos produzidos no assentamento Pequeno William e na região são entregues na Unidade de Recebimento e Distribuição de Alimentos, em Planaltina. É lá que o agricultor familiar Cleiber Neves, de 28 anos, entrega as hortaliças que produz. Ele transporta a pequena produção em uma bicicleta. “O dinheiro que ganhamos aqui é garantido e tem um preço bom.” O agricultou contou ainda que agora tem tempo livre para estudar e está fazendo um curso de inglês. A mensalidade de R$ 162 é paga graças à renda que recebe do PAA. 

Segundo o subsecretário de Coordenação Executiva da Presidência da República da Guatemala, Jorge Mário Hurtarte, a experiência brasileira vai contribuir na construção da política pública guatemalteca. A Guatemala está preparando um plano de desenvolvimento rural. “O Brasil tem um conceito de comercialização que não temos. Teremos que pensar todo o processo, inclusive com leis, para que os agricultores possam também vender e não somente produzir para a sua própria subsistência”, disse. 

No Brasil, durante 10 anos, o PAA fortaleceu a agricultura familiar e garantiu renda aos produtores, comprando os alimentos a preço de mercado. Foram R$ 5,3 bilhões de investimento federal para a compra de produtos de 388 mil agricultores familiares. Ao todo, o governo adquiriu mais de 4 milhões de toneladas de alimento fresco e saudável, o que beneficiou mais de 23 mil entidades socioassistenciais. 

Estratégias 

Nesta quarta-feira (2), na sede da Fiocruz, em Brasília, serão apresentadas, durante o seminário internacional, as estratégias de combate à pobreza e à extrema pobreza do governo federal. A programação terá ainda mais uma visita de campo, quando os participantes conhecerão um Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e um Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). Participam do encontro delegações de Angola, Argélia, Argentina, China, Costa do Marfim, El Salvador, Gâmbia, Gana, Guatemala, Guiana, Kuwait, Mauritânia, México, Paquistão, Suíça, Suriname, Tunísia e Zâmbia. O encontro segue até sexta-feira (4).

Fonte:
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome 

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