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Cidadania e Justiça

"Foco de criminalidade migrou para estados emergentes", afirma sociólogo

Entrevista

Crescimento econômico em cidades emergentes não foi acompanhado por investimentos em segurança pública, segundo diagnóstico de Julio Jacobo Waiselfisz, autor do Mapa da Violência
por Portal Brasil publicado: 22/04/2014 16h58 última modificação: 30/07/2014 01h27

Desde a virada do século, o foco de violência no Brasil migrou das grandes metrópoles para cidades de médio porte de estados como Alagoas, Espírito Santos e Paraíba. É essa a conclusão do último Mapa da Violência, série de estudos publicada desde 1998 e feita sob a coordenação de Julio Jacobo Waiselfisz, sociólogo argentino radicado no Brasil.

O trabalho verifica a incidência da vitimização negra nas unidades da federação, nas capitais e nos municípios brasileiros. Com base em dados do Ministério da Saúde,  mostra ainda o impacto da criminalidade na expectativa de vida da juventude, faixa da população vítima de mais da metade dos homicídios no Brasil. O estudo registra ainda que os índices de vitimização da juventude negra superam com larga margem os da população branca.

Confira a seguir entrevista do Portal Brasil com o sociólogo responsável pelo estudo.

Portal Brasil - O Mapa da Violência é publicado desde 1998. O que mudou nestes 16 anos?

Julio Jacobo Waiselfisz - Houve um processo de ruptura na dinâmica da violência. Podemos localizar esse movimento na virada do século. Em meados da década de 90, o foco da violência estava localizado em grandes metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro. Vários fenômenos aconteceram para influenciar a reestruturação do mapa da violência. Primeiro houve uma mudança nos padrões de desenvolvimento econômico, de maneira que o crescimento de cidades tradicionais estagnou enquanto houve emergência de novas metrópoles.

Surgem polos que até então apresentavam taxas modestas de desenvolvimento como Camaçari e Suape e atraem um fluxo de migração para localidades onde o esquema de segurança é arcaico, pouco preparado e com poucos recursos humanos. Essa reestruturação dá origem a uma reorganização da violência nacional.

Como se deu a evolução dos índices de homicídios na história recente do País? Estamos diante de um quadro favorável?

Temos registros fidedignos de taxas de homicídios a partir da década de 80. Eles mostram que os homicídios cresceram de 1980 até mais ou menos 2003, quando a taxa fica estagnada - um movimento que coincide com a implementação da Campanha de Desarmamento.
As taxas de homicídio começam a cair pela primeira vez na história brasileiras e assim permanecem durante dois anos. A partir de então, os índices voltaram a subir em um ritmo cadenciado.

É possível projetar o quadro da violência para os próximos anos?

A tendência é aumentar e digo o motivo: há alguns estados, como São Paulo, cujos programas de juventude e políticas públicas, contiveram o crescimento da criminalidade. Entretanto, estados emergentes respondem por aumentos expressivos e carregam a taxa para cima.

É difícil crer que São Paulo e Rio de Janeiro não estão entre as cidades mais inseguras do País. Por qual motivo, em uma primeira leitura, esta informação surpreende?

Quando publicamos a primeira edição do estudo, na qual o Espírito Santo foi identificado como o estado mais violento, notamos que São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília têm destaque nacional. Já Pernambuco, por exemplo, tem projeção regional – ou seja, pouco do que ocorre no estado é noticiado.

Perfil

Julio Jacobo Waiselfisz é formado em Sociologia pela Universidade de Buenos Aires e é mestre em Planejamento Educacional pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Coordenador da Área de Estudos sobre Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), já foi Diretor de Pesquisa do Instituto Sangari, exerceu funções de Coordenador Regional da Unesco em Pernambuco, Coordenador de Pesquisa e Avaliação e do setor de Desenvolvimento Social da UNESCO/ Brasil

Anteriormente, exerceu as funções de consultor e/ ou especialista em diversos Organismos Internacionais do Sistema das Nações Unidas, como o Pnud, e OEA, o IICA e a Unesco. Autor do Mapa da Violência e outros estudos de referência na área de combate à violência.

Confira aqui o Mapa da Violência de 2013.

Fonte:
Portal Brasil

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