Cidadania e Justiça
Juventude Rural homenageia desaparecidos políticos do campo
Ditadura
A ditadura militar no Brasil fez diversas vítimas. A história de muitas delas até hoje está ofuscada no passado. São inúmeros os casos de violência contra os direitos humanos durante os anos de chumbo. No intuito de rememorar os casos e se mobilizar para tomar providências acerca dos assassinatos ocorridos na zona rural brasileira, a juventude do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) realiza desde a última sexta-feira (28) um evento em alusão aos 50 anos do Golpe Militar de 1964.
Cerca de 100 jovens representando 14 estados do País estão reunidos no Albergue da Juventude, em Brasília. Os jovens afirmam que 1.196 cidadãos e cidadãs do campo, que militavam contra a opressão, estão desaparecidos até hoje. No primeiro dia do evento, os jovens se reuniram em frente ao Congresso Nacional e fincaram cruzes em alusão aos desaparecidos políticos da zona rural.
Genques Borcarte, 26, membro do coletivo nacional do MPA, acredita que essa pauta ainda precisa de mais destaque na sociedade. Para ele, o tema da ditadura militar é pouco estudado nas escolas e, quando há a especificidade das vítimas camponesas, o assunto é menos conhecido. “É um desafio fazer esse resgate da memória e um desafio maior fazer com que os torturadores paguem por isso. Precisamos estudar esse assunto porque isso aponta muita coisa que acontece no presente. Os camponeses sempre foram reprimidos pela burguesia e muita gente não sabe exatamente o que aconteceu. Nosso desafio é contar a verdade”, afirmou.
Euzamara Carvalho, assessora de juventude rural da coordenação de políticas transversais da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) esteve presente no evento. Para ela, essa discussão representa um avanço rumo à efetividade da democracia no País. “A Juventude do MPA conseguiu criar um espaço de diálogo sobre a repressão. Eles estão mostrando a luta dos camponeses e querem saber a verdade dos fatos ocorridos na ditadura. Assim, vão poder criar novas práticas democráticas e se fortalecerem”, disse.
Políticas públicas para a Juventude Rural
Genques Borcarte aproveitou para destacar as principais pautas da juventude rural. Dentre elas, a necessidade do desenvolvimento de políticas públicas efetivas no campo. O objetivo é reduzir os índices de êxodo rural causado pela falta de oportunidades. “Pra produzir alimentos saudáveis, precisamos da juventude presente na roça. Para termos a juventude na roça, precisamos de terra, moradia, água e uma série oportunidades que só vão surgir se houver investimento público”, frisa.
No intuito de atenuar o déficit de políticas para esse segmento da população, em 2013, a SNJ estabeleceu parceria com a Universidade de Brasília - Campus Planaltina (UNB) e com a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). Essa é uma primeira resposta às demandas da juventude organizada expressas na 2ª Conferência Nacional de Juventude e no Seminário Juventude e Políticas Públicas. O Curso também está inserido no Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo) como uma ação da SNJ para a juventude rural e no desenho do programa de Fortalecimento da Autonomia Econômica e Social da Juventude Rural.
Em novembro, a Reunião Especializada sobre a Agricultura Familiar (Reaf), vai realizar o 4º Curso Regional de Formação de Jovens Rurais. A formação tem como o objetivo de fortalecer o papel dos jovens líderes de organizações da agricultura familiar da Região do Mercosul e orientar e construir um modelo de desenvolvimento rural sustentável. A edição deste ano contará pela primeira vez com a participação efetiva de mais três países integrantes do Mercosul: Venezuela, Bolívia e Equador. O curso é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) com colaboração da SNJ.
Outras informações sobre o curso você encontra na comunidade Juventude Rural e Políticas Públicas.
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