Cidadania e Justiça
Evento de energia renovável reforça equidade de gênero
Comunidade e sociedade
De que forma as energias renováveis e a mobilidade elétrica podem contribuir para a equidade de gênero e o empoderamento da mulher na América Latina? No Oeste do Paraná, alguns exemplos vêm da utilização do biogás, que agregou valor e trouxe inúmeros benefícios na vida de famílias inteiras a partir do papel decisivo de agricultoras e pequenas produtoras que optaram pelo uso dessa alternativa energética.
O tema está sendo discutido em Foz do Iguaçu, no Paraná, por cerca de 50 pessoas nesta semana. Participam das discussões integrantes de comitês de gênero de empresas do setor de energia elétrica do Brasil, Paraguai, Argentina, Chile, México, Colômbia, Uruguai e Cuba e representantes da ONU Mulher e do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (Pnud) e da Itaipu Binacional, anfitriã do encontro. O evento é inédito na América Latina.
Os participantes vieram debater, trocar ideias e conhecer algumas das experiências desenvolvidas pela Itaipu Binacional e parceiros na área da mobilidade elétrica e energias renováveis. Alguns desses projetos já estão sendo replicados em outros países, como é o caso do biogás, que chegou ao Uruguai.
Nos países em desenvolvimento, as mulheres são importantes usuárias e gestoras de energia nos trabalhos domésticos e produtivos. E são afetadas, no cotidiano, pela ausência de fontes e tecnologias de energias limpas e acessíveis, especialmente nas áreas rurais.
De acordo com um documento preparado pela ONU e pelo Pnud para servir de guia aos participantes do encontro, a inclusão elétrica reforça o processo de empoderamento econômico de homens e mulheres, tornando suas tarefas produtivas mais eficientes, possibilita maior acesso aos mercados, por meio de apoio às telecomunicações e à informática; e gera novas opções de trabalho no setor energético e em suas instituições.
Para a anfitriã e uma das idealizadoras do encontro, a diretora financeira executiva de Itaipu, Margaret Groff, uma das melhores formas de empoderamento da mulher é inseri-la no mercado de trabalho, de forma direta ou indireta. “Itaipu mantém vários programas de empoderamento da mulher na área do reservatório”, afirma. Entre eles, ela cita o biogás, que influi diretamente na qualidade de vida das famílias de produtores, ampliando a participação da mulher nas decisões.
Na prática
Entre construir a sonhada casa própria e instalar o biodigestor para ter mais segurança em relação à criação das aves, a pequena produtora Claudete Hasper Volkweis, de Toledo, no Oeste do Paraná, não teve dúvidas: ficou com a segunda opção. Ela trocou o gás convencional e a lenha de madeira, utilizada no aquecimento do aviário, por um sistema de biogás, com aproveitamento dos dejetos das aves. Com isso, toda a família ganhou em comodidade e qualidade de vida.
Antes da mudança, ela e o marido tinham que se revezar dia e noite para garantir o aquecimento do aviário, com uma caldeira à lenha. Em palavras simples, ela diz que, numa granja, a equidade de gênero é fundamental. “A granja só vai pra frente quando há divisão justa de tarefas entre marido e mulher; os dois se ajudando. Por isso, hoje, posso afirmar que o biogás para mim vale ouro, vale tranquilidade.”
Elizabet Vargas, que cria gado leiteiro, sabe bem como deve ser a divisão de tarefas de cada familiar. Ela e a nora fazem a ordenha das vacas, enquanto o marido e o genro tratam dos animais. Outras funções também são distribuídas entre os familiares. Por isso, ela também sabe a importância de facilitar o trabalho, o que foi possibilitado pela implantação de infraestrutura na ordenha e no sistema de biodigestor, tudo financiando no nome dela.
“Onde precisava de quatro pessoas, agora uma faz sozinha”, diz a produtora. O biogás também permite que os dejetos do gado leiteiro, que antes eram carreados para o rio, sejam totalmente aproveitados como adubo na lavoura. Além disso, a família não gasta mais com energia elétrica para aquecer a água utilizada na lavagem da sala de ordenha e nem com o gás de cozinha.
De acordo com o assessor de Energias Renováveis de Itaipu, Cícero Bley, o uso de energias renováveis é uma questão a ser considerada pela humanidade. “São questões que nunca serão resolvidas se considerarmos somente os aspectos da engenharia das energias, mas com conceitos que levam à tomada de atitude individual e coletiva para reverter a permanente crise mundial de energia”, explica.
Cícero complementa: “A mulher tem papel fundamental na formulação desses conceitos, trazendo à discussão a sensibilidade necessária para definir prioridades do setor, sendo protagonista das soluções e participando das escolhas, dentro de suas casas e até nas mesas de decisão.”
Fórum Mundial
A proposta para a realização do encontro em Foz do Iguaçu sobre mobilidade elétrica, energias renováveis e equidade de gênero começou a ser construída durante o Fórum Mundial de Desenvolvimento Global, em reunião de diretores e lideranças da Itaipu com a diretora do Pnud, Rebecca Grispann.
A proposta foi construída com lideranças em equidade de gênero do Pnud, ONU Mulher, a Secretaria de Política para as Mulheres e Itaipu Binacional, que estavam presentes no fórum. A expectativa é que, nesse encontro, sejam definidas diretrizes e ações para o empoderamento das mulheres com foco nas energias renováveis e mobilidade elétrica, que possam ser adotadas pelas empresas.
As propostas também serão apresentadas no próximo Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local, que será realizado em Turim, na Itália, em outubro de 2015.
Fonte:
Itaipu Binacional
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