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Ministra repreende ataques a assistente de arbitragem Fernanda Uliana

Sociedade

"Os comentários dirigidos à bandeirinha vieram impregnados de machismo e preconceitos contra as mulheres", afirma nota de Eleonora Menicucci
por Portal Brasil publicado: 15/05/2014 13h44 última modificação: 30/07/2014 01h28

A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, manifestou repúdio aos ataques dirigidos a assistente de arbitragem de 23 anos Fernanda Uliana no último fim de semana.  A profissional, que foi um dos personagens do clássico entre Atlético-MG e Cruzeiro no último fim de semana, foi alvo de críticas do diretor de futebol cruzeirense, Alexandre Mattos.

Na nota, Eleonora declara que os comentários do diretor do Cruzeiro  "vieram impregnados de machismo e preconceitos contra as mulheres" e reafirma o compromisso assumido pela pasta de tolerância zero "contra qualquer violência a mulher".

Fernanda Uliana foi bandeirinha na vitória por 2 a 1 do Atlético-MG sobre Cruzeiro, em partida válida pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro. Em um lance aos 41 minutos do segundo tempo ela assinalou impedimento inexistente do ataque cruzeirense que poderia resultar no empate.

O erro, confirmado pelo árbitro Héber Roberto Lopes, motivou a reclamação e os comentários de Alexandre Mattos: "se é bonitinha que vá posar para (a revista de nu voltada ao público masculino) Playboy". Dois dias depois o dirigente do Cruzeiro pediu desculpas pelas declarações. Fernanda Uliana foi afastada pela Comissão de Arbitragem da CBF para passar por treinamentos.

Leia o texto na íntegra:

"A prática tem demonstrado que, em todos os campos, as mulheres precisam provar que são melhores que os homens para conquistar seu espaço. No futebol, não é diferente. A bandeirinha Fernanda Colombo Uliana pode ter errado, assim como, a princípio, também errou o árbitro principal, na arbitragem do jogo desse fim de semana em que o Cruzeiro foi derrotado por 2 a 1 pelo Atlético-MG. Ambos foram criticados pelo diretor de futebol do Cruzeiro, Alexandre Mattos. Entretanto, os comentários dirigidos à bandeirinha vieram impregnados de machismo e preconceitos contra as mulheres.

Conforme o Atlas do Esporte, 400 mil mulheres praticam o futebol regularmente no Brasil. Nos últimos anos, houve uma evolução importante das mulheres nessa modalidade, com apoio do Governo Federal. Mas as atletas e outras profissionais enfrentam preconceitos contra uma atuação mais decisiva delas em funções mais importantes, ou seja, como técnicas, gestoras e árbitras. E, com certeza, são principalmente essas as razões do tom e do conteúdo da censura recebida pela bandeirinha.

Errar é comum na arbitragem, o que influencia o resultado de jogos e competições. Mas não podemos admitir que as críticas dirigidas à assistente de arbitragem Fernanda não estejam baseadas exclusivamente em sua atuação profissional mas, sim, marcadas pelo preconceito e discriminação.

A SPM/PR reafirma seu compromisso com a tolerância zero contra qualquer violência a mulher e repudia a atitude do diretor de futebol do Cruzeiro.

Eleonora Menicucci

Ministra de Estado chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres

Presidência da República"

Fonte:
Secretaria de Políticas para as Mulheres

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