Cidadania e Justiça
Polícia prende mais um suspeito de participar de linchamento de dona de casa
Crime
A Polícia Civil prendeu na madrugada desta quinta-feira (8), em Guarujá (SP), na Baixada Santista, mais um homem suspeito de participar do linchamento da dona de casa Fabiane Maria de Jesus. O crime ocorreu no último sábado (3). O rapaz de 19 anos é um dos cinco suspeitos identificados pela polícia, com auxílio das imagens gravadas pelos moradores do Bairro Morrinhos, onde o crime ocorreu. Na última terça-feira (6), os policiais do 1º Distrito Policial do Guarujá haviam capturado outro homem, que também foi identificado a partir de imagens feitas durante o ataque.
Fabiane foi confundida com uma mulher que teria sequestrado crianças para praticar rituais de magia. O boato surgiu de uma publicação na página Guarujá Alerta, no Facebook, que publicou o retrato falado da suposta sequestradora.
O responsável pela página que divulgou a notícia se apresentou na terça-feira e, segundo o delegado Luís Ricardo Lara, pediu sigilo sobre sua identidade e o conteúdo do depoimento, porque estava recebendo ameaças. O delegado informou que o homem mostrou disposição em ajudar e permitiu que a polícia tenha acesso a todo o conteúdo publicado na página.
O linchamento aconteceu no início da noite de sábado, na comunidade de Morrinhos, em Guarujá (SP). Fabiane foi amarrada e espancada até a chegada da Polícia Militar, que teve de fazer um cordão de isolamento para evitar que a população continuasse a agredir a dona de casa. Ela foi hospitalizada e morreu na manhã de segunda-feira (5).
Audiência pública
A Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados condenou na última terça-feira (6) os casos de linchamentos ocorridos recentemente no País. Em nota, a comissão informou que, desde fevereiro, 20 pessoas já foram vítimas de linchamentos públicos. A CDHM conclamou a população a evitar o sentimento de vingança que, conforme a comissão, é um dos motivadores de tais práticas.
Durante a audiência pública na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados, o ouvidor Nacional de Direitos Humanos, Bruno Renato Nascimento, chamou atenção para o fato de a sociedade não poder construir um entendimento favorável a este tipo de prática. “Não é a possibilidade de ausência de uma política pública, no caso a de segurança, que vai fazer com que a gente aceite a possibilidade da barbárie”, pontuou.
Nascimento criticou também as pessoas que defendem a violência a partir do argumento de que “bandido bom é bandido morto”. “Com isto, banaliza-se a vida, e a prática da violência serve de justificativa para a própria violência”, disparou. “[Nestes casos] não se trata de uma questão de segurança pública, mas também uma questão de se educar as pessoas; de segurança pública aliada com cidadania”, defendeu.
Fonte:
Agência Brasil
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