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Cidadania e Justiça

Racismo no futebol está virando uma praga, afirma Dilma

Copa do Brasil

Ministra da Igualdade Racial afirma que Brasil não pode tolerar o racismo e pede solidariedade dos jogadores às vítimas de discriminação
por Portal Brasil publicado: 30/08/2014 12h18 última modificação: 30/08/2014 17h37

A presidenta Dilma Rousseff lamentou o racismo sofrido pelo goleiro Aranha durante a partida entre Santos e Grêmio, realizada na última quinta-feira (28) em Porto Alegre pela Copa do Brasil. 

O jogador foi chamado de macaco, entre outros insultos racistas, por parte da torcida do Grêmio. Uma torcedora chegou a ser filmada durante o incidente.

“O futebol é o esporte em que nossos atletas negros se afirmaram e deram orgulho a todo o Brasil. O racismo no futebol está virando uma praga. É necessário afirmar o esporte como valor que distingue os negros do nosso País como grandes atletas", disse Dilma, na sexta-feira (29)

A presidenta lembrou também a proposta do governo brasileiro de uma Copa pela Paz e Contra o Racismo para a Copa 2014, que virou lema do Mundial e foi endossado pela Fifa e pela ONU.

Seppir
A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) entrou em contato, nesta sexta-feira, com dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Santos para dialogar sobre medidas permanentes de prevenção ao racismo. Na ocasião, a ministra Luiza Bairros afirmou que o Brasil não pode tolerar o racismo.

“Diante do racismo, o jogo não pode continuar, assim como o Brasil não pode continuar a tolerar o racismo”, disse a ministra ao saber da agressão racista sofrida pelo goleiro Santos. 

“Existe uma grande tolerância para práticas de racismo como essa que, aliás, já são esperadas, como revelou Aranha depois do jogo”, afirma a chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República - SEPPIR. Segundo ela, tanto os árbitros, quanto os jogadores, a própria torcida e as instituições ligadas ao futebol, devem acionar mecanismos de reação dentro do campo, no momento em que ocorre o ato de violência racial, que reprimam e punam esse tipo de atitude.

A ministra ressalva que, no caso do jogo de quinta-feira, o juiz não registrou a ocorrência na súmula, incluindo o episódio somente depois, como adendo. “Há medidas recomendadas pela Fifa que ele poderia adotar imediatamente”, afirmou.

“A sociedade precisa ser mais assertiva nessas situações. Assim como os jogadores foram solidários recentemente, com os colegas de Cuiabá que manifestaram insatisfações com a falta de pagamento pelo time, podem também ser solidários com os parceiros atingidos pelo racismo”, completou.

Inquérito Policial

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul trabalha na identificação dos torcedores acusados de agredir verbalmente o goleiro Aranha.

Até agora, dois torcedores e sócios do Grêmio foram identificados. Segundo o comissário Sousa, da 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, que coordena as investigações, os torcedores podem ser intimados a depor na próxima semana.

Mais três pessoas foram identificadas pelo Grêmio, que já excluiu os dois sócios de seus quadros. Para ter mais efetividade na investigação, a polícia solicitou as imagens do circuito interno do estádio ao clube, no dia seguinte ao do jogo (28). De acordo com Santos, até agora, os vídeos não foram entregues aos investigadores. A expectativa é que o inquérito seja concluído em 30 dias.

O comissário destacou que os torcedores identificados são, até agora, suspeitos de crime de injúria. “Ela não é foragida”, destacou Santos, referindo-se à torcedora que aparece nas imagens veiculadas por uma emissora de televisão. Santos preferiu não antecipar possíveis penalidades. De acordo com a lei que tipifica o racismo como crime, pessoas condenadas podem, inclusive, ser presas.

Na sexta-feira, a Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) informou que o Grêmio vai ser denunciado por injúria racial contra o goleiro, devido à atitude de parte de seus torcedores.  O clube pode ser multado em até R$ 100 mil. 

Fontes:
Blog do Planalto

Agência Brasil

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