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Cidadania e Justiça

Cidadãos se desligam voluntariamente do Bolsa Família após melhorarem de vida

Assistência

Famílias declaram que saíram da linha da miséria e pediram desligamento do Programa. Acompanhe a história destes brasileiros
por Portal Brasil publicado: 06/11/2014 14h51 última modificação: 12/11/2014 18h40
Divulgação/MDS Com apoio do governo, gaúcha Delci Lutz qualificou-se, formalizando própria empresa assim que a renda melhorou

Com apoio do governo, gaúcha Delci Lutz qualificou-se, formalizando própria empresa assim que a renda melhorou

Dona Fafá, como é carinhosamente chamada a cearense Maria de Fátima dos Santos (51), é ex-beneficiária do Bolsa Família. Assim como milhares de famílias, ela devolveu o cartão do programa. 

Conforme dados do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, em todo o País, 2,8 milhões de famílias já deixaram o Bolsa Família por meio do desligamento voluntário ou por optarem por não se recadastrar, desde a criação do programa, em 2003. Aqueles que se desligaram espontaneamente passaram a ganhar mais do que os R$ 140 mensais, por pessoa, estipulados.

Caso de dona Fafá, que percebeu que conseguiria sustentar os oito filhos com produção de verduras, hortaliças e frutas nas proximidades da sua casa, na comunidade Jenipapo, em Itapipoca (CE), a 130 km de Fortaleza. 

“Fiz questão de pedir que passassem o benefício para uma pessoa mais carente da comunidade”, conta. 

A situação melhorou ainda mais depois de ter recebido cisternas, que lhe permitiram acesso à água. Tem duas: uma para o consumo da família e outra para produção. 

Hoje, ela produz sem agrotóxicos. Colocou em prática as técnicas de agroecologia que aprendeu em um curso oferecido pelo governo federal e já chegou a ensinar vizinhos a plantar.

“Ensino o pessoal daqui e de fora também. Fiz até palestra no Recife”, conta. Na feira agroecológica da cidade, chega a faturar R$ 500 por mês, o que completa a pensão que recebe.

Capacitação e empreendedorismo

Quantidade expressiva de beneficiados tem investido na qualificação profissional. Por meio do programa de capacitação técnica, já foram registradas mais de 1,43 milhão de matrículas em 3,5 mil cidades.

São oferecidos mais de 600 cursos de qualificação profissional destinados também aos integrantes do cadastro único para programas sociais do governo federal que estão inseridos no plano de erradicação da miséria.

Até abril de 2014, foram registradas 3,2 milhões de operações voltadas ao fortalecimento de pequenos negócios e empreendimentos.

Além disso, os beneficiários também buscaram a formalização como Microempreendedor Individual. Nessa modalidade, segundo o MDS, foram 406 mil inscrições.

Na área rural, 66,6 mil beneficiários do programa de apoio ao cidadão de baixa renda, entre extrativistas, assentados e ribeirinhos, participam do programa Bolsa Verde, em que recebem recursos e participam de cursos de capacitação para continuar produzindo, ao mesmo tempo em que garantem a conservação do meio ambiente por meio do manejo sustentável.

Iniciativa gaúcha

Delci Lutz, 49 anos, divorciada, mãe de dois filhos, moradora de Novo Hamburgo (RS), também é ex-beneficiária do Bolsa Família.

Com perseverança, a costureira e figurinista se qualificou, também num curso oferecido pelo governo, formalizando a própria empresa – a Delci Figurinos, abrindo mão do Bolsa Família assim que a renda familiar melhorou.

Hoje, fatura quase R$ 2 mil por mês. “É com muito orgulho que entrego o meu cartão. Com esse dinheiro foi possível pagar as contas e dar segurança para os meus filhos”, diz. 

O Bolsa Família também ajudou Delci a voltar para sala de aula – ela tinha parado os estudos na antiga quarta série do ensino fundamental. Para vencer a barreira da pobreza extrema, a figurinista sabia que precisava também de qualificação profissional.

Em 2012, fez dois cursos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), na modalidade Brasil Sem Miséria: o de desenho de moda pelo Senac e o de desenhista de calçados pelo Senai. 

Os filhos Graziele (18) e Daniel (17) seguiram o mesmo caminho e fizeram o curso de auxiliar administrativo do programa. Hoje eles ajudam na administração da Delci Figurinos.

"Não preciso mais"

A digitadora Ana Paula Bezerra, 26 anos, devolveu o seu cartão do programa de apoio ao cidadão de baixa renda no dia 22 de julho de 2014. “Quero que outra família seja atendida no meu lugar”, comemora.

Ana Paula representa uma das milhares de famílias que deixaram voluntariamente de receber o benefício, desde 2003, segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)O abandono se deu, principalmente, pela melhoria de renda dos beneficiários. 

Ana Paula vive em Guamaré (RN) com seu marido, Josenílson, e dois filhos. Estavam desempregados quando se inscreveram no programa, há cinco anos.

No início, receberam R$ 90,00. Quando o filho mais velho, Samuel, foi para a escolinha, o benefício aumentou para R$ 112,00. A última parcela recebida foi de R$ 147,00. Hoje, a família não recebe nada, e está feliz com o fato.

Ana Paula tem um emprego na unidade de saúde da prefeitura, onde ganha R$ 780,00. O marido, técnico em eletricidade, também está empregado e recebe R$ 2.500,00.

A família mora em uma casa de dois quartos, sala, cozinha e banheiro. O próximo passo do casal é comprar um carro.

Nova profissão

Cabelereira, depiladora e manicure que acumula dois empregos, dona de casa, esposa e mãe de Érica (13), Luciana Alcântara Rodrigues (32) faz parte do Bolsa Família desde 2006 e encara com bom humor os comentários de que beneficiários do programa sejam acomodados.

“Quem acredita que as pessoas que recebem o Bolsa Família não precisam trabalhar, não conhece a realidade no Brasil. O benefício é uma ajuda, mas ele não supre tudo. Quem recebe precisa trabalhar para conseguir se manter."

Ela continua: "Eu, por exemplo, fui correr atrás, fiz os cursos que eu pude e agora posso trabalhar para mim”, comemora. “Não parei só com o dinheiro do Bolsa Família. Não fiquei esperando o governo me dar o dinheiro. Fui batalhar”, enfatiza.

Luciana lembra que começou a receber o benefício quando a filha ainda era pequena. Ela havia se separado do pai da criança e cuidava da filha sozinha: “Eu fazia faxina para fora e cuidava da Érica. Fazer o cartão do Bolsa Família me ajudou nas contas da casa. Com o que eu ganhava, eu comprava comida, pagava água, luz… eu ainda tinha que bancar o aluguel, alguém para ficar com a menina. Foi uma época muito difícil”, lembra.

Luciana recebe hoje R$ 112 por mês, o que a ajuda a manter a filha na escola. A menina sonha em ser veterinária.

Capacitação

Com o tempo, Luciana aprendeu a fazer o trabalho de manicure sozinha. Foi quando conseguiu emprego em um salão de beleza em Luziânia (GO), entorno de Brasília.

Ela buscou qualificação para o ofício nos cursos do Pronatec/Brasil sem Miséria, iniciativa criada em 2011 pelo governo federal para promover a capacitação técnica da população mais pobre, principalmente daquela que recebe o benefício mensal do Bolsa Família. Desde então, a medida beneficiou mais 1,5 milhão de pessoas.

Foi pelo Pronatec que Luciana fez cursos de depilação e maquiagem, no centro comunitário do Jardim Ingá, em Luziânia. Na mesma época, ela se matriculou no curso oferecido pelo Senac

Com o dinheiro do Bolsa Família e do seu trabalho, ela comprou geladeira, fogão e micro-ondas para casa, além dos equipamentos necessários para montar o seu próprio salão, nos fundos de casa, como cadeira de lavagem e secadores.

Melhoria na renda

No Brasil, 75% dos beneficiários do programa de apoio ao cidadão de baixa renda, com mais de 18 anos, trabalham ou estão procurando trabalho.

Atualmente, o programa atende a quase 50 milhões de pessoas, o que corresponde a mais de 13,9 milhões de famílias. Do total de beneficiários, 42% possuem menos de 18 anos.

Desde 2011, o programa reforçou sua focalização nas pessoas extremamente pobres.

Por conta disso, 22 milhões de pessoas saíram da situação de miséria sob a ótica da renda, superando o patamar de R$ 77 per capita por mês.

Fonte:

Portal Brasil, Ministério do Desenvolvimento Agrário  e Blog do Planalto

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