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Cidadania e Justiça

Desenvolvimento vai além da melhoria de renda da população

Inclusão Social

Para especialistas que participam de seminário, objetivo é garantir que pessoas tenham vida saudável e inclusiva
por Portal Brasil publicado: 20/11/2014 10h27 última modificação: 20/11/2014 10h27

O crescimento das economias não resolverá o problema da pobreza no mundo e a agenda de desenvolvimento não pode se resumir à melhoria de renda da população.

Esses foram pontos pacíficos no debate na quarta-feira (19), no I Seminário Internacional WWP – Um Mundo sem Pobreza, em Brasília.

Kaushik Basu, vice-presidente sênior e economista-chefe do Banco Mundial, observou que não se discute zerar a miséria no mundo.

A meta do Banco Mundial para 2030 é reduzir a extrema pobreza a 3% da população. São consideradas extremamente pobres pessoas com renda de US$ 1,25 por dia, pela paridade do poder de compra, o mesmo valor que orientou a fixação da linha da extrema pobreza no Brasil, atualmente em R$ 77 mensais. 

Basu concordou que o valor é pequeno, mas destacou que, anda assim, mais de 1 bilhão de pessoas no mundo ainda vivem abaixo dessa linha. A maior parte delas, em regiões da África e da Ásia. 

Outra meta do Banco Mundial é melhorar a renda da parcela dos 40% mais pobre da população, o que iria impor um desafio mesmo aos países que não têm grandes contingentes de miseráveis.

Ao falar sobre soluções possíveis para a pobreza no mundo, Basu insistiu em que o crescimento econômico, por si só, não resolverá o problema.

O economista defendeu a transferência de renda aos mais pobres por meio da política fiscal, que cobrasse mais impostos dos mais ricos. 

O diretor do Departamento de Políticas de Desenvolvimento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Magdy Martines-Solimán, defendeu que a agenda de desenvolvimento para depois de 2015 não pode se resumir ao problema da renda nem tirar as pessoas da extrema pobreza.

Ele participa do debate mundial sobre a definição dos Novos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que irão substituir os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio. 

“Precisamos sair da pobreza ligada à renda. Muitas coisas faltam além da renda. Precisamos assegurar os desejos das pessoas, dar acesso à informação, ao conhecimento, à saúde, à segurança, à cultura e à liberdade.

O objetivo do desenvolvimento é garantir que as pessoas tenham uma vida saudável e inclusiva”, disse Magdy, que acredita que o mundo alcançará o fim da pobreza em 2030 e sugere que os países se inspirem no Bolsa Família para esta luta.

Envolvido com as ações das Nações Unidas em relação ao ebola e preocupado com os efeitos do aquecimento global e da degradação ambiental do planeta, Magdy apresentou um cenário de recrudescimento da extrema pobreza no mundo.

“É um pesadelo”, disse ele, ao destacar que espera que a atual geração consiga por fim a isso. 

Sergei Soares, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), propôs que uma das saídas para a extrema pobreza no mundo poderia ser o lançamento de um programa Bolsa Família global, com financiamento dos países mais desenvolvido.

A administração do programa, admitiu ele, não seria "trivial". 

No Brasil, Soares disse que, superada a extrema pobreza – o que deverá ser verificado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2014, a ser divulgada em setembro de 2015 – o País poderia pensar em aumentar a linha da extrema pobreza para US$ 2 diários.

Ele lembrou a dificuldade enfrentada pelo governo em 2011 para definir uma linha e disse que seria muito difícil estabelecer metas que levassem em conta simultaneamente várias dimensões da pobreza.

“A abordagem que tivemos no Bolsa Família é correta. Deixamos claro que, quando definimos um pobre, o definimos por renda. Depois promovemos uma séria de ações complementares para atingir essa população”, ressaltou.

O presidente do Ipea ainda apontou o baixo custo da ação – 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB).  

O I Seminário Internacional WWP – Um Mundo sem Pobreza é promovido pela Iniciativa Brasileira de Aprendizagem por um Mundo sem Pobreza (www.wwp.org.br).

O Banco Mundial, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE/PR) e o Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) são parceiros nesta ação.

O seminário conta também com o apoio do Centro RIO+.

Fonte:

Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome

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