Cidadania e Justiça

Dia Mundial do Braile

Braile aumenta inclusão de cegos na sociedade

Sistema de leitura especial permite acesso a informação. Último censo aponta que Brasil tem 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual
publicado: 05/01/2015 08h30, última modificação: 22/12/2017 10h37

Foi comemorado no último domingo (4) o Dia Mundial do Braile, sistema que permite que pessoas com cegueira total ou parcial possa ler por meio do tato.

A Fundação Dorina Nowill, localizada em São Paulo, é uma das entidades que difundem a leitura do braille no País.

Ela produz e distribui livros em braille e livros em áudio para bibliotecas e organizações do Brasil.

No Brasil, existem mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, sendo 582 mil cegas e seis milhões com baixa visão, segundo dados da fundação com base no Censo 2010, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Há 188 anos, o jovem francês Louis Braille, que perdeu sua visão aos três anos de idade, inventou um sistema de leitura especial e contribuiu para a formação e inclusão de milhões de pessoas pelo mundo.

Além disso, prepara deficientes visuais para serem independentes e terem condições de conquistar espaço no mercado de trabalho.

Na opinião de Regina Oliveira, coordenadora na fundação, o braile tem um papel muito importante na inclusão de cegos na sociedade.

De acordo com ela, as pessoas até o século 19 não tinham acesso à leitura e ficavam confinadas em sua própria casa ou internadas em asilos para pessoas com problemas mentais.

“Com o braile as pessoas cegas passaram a ter acesso ao conhecimento, à cultura, ao lazer, à informação e, a partir desse conhecimento, elas puderam desenvolver a própria consciência, a pensar por si mesmas”, completou ela.

A própria Regina é fruto do trabalho da fundação. Cega desde os sete anos de idade, foi lá que aprendeu a ler e escrever, o que permitiu que ela frequentasse uma escola convencional e aprendesse um ofício.

Como resultado, começou a trabalhar na fundação como telefonista e hoje é coordenadora de revisão dos livros em braile.

“Uma vez preparadas, as pessoas podem obter acesso a um número muito grande de profissões. Mas é necessário que, além do trabalho todo que a fundação faz, as escolas também estejam preparadas para receber essas pessoas para dar condições de aprendizagem como os outros alunos têm”, analisou Regina.

Outras estratégias

Com o passar do tempo, novas formas de acesso à informação são elaboradas para auxiliar pessoas cegas. Além do braile, existe o áudio livro e formatos digitais, que mostram as letras ampliadas (para quem tem visão subnormal) com auxílio de áudio.

Na opinião de Regina, o braile não perde importância com a criação de novos formatos. Para ela, todos os formatos que auxiliam pessoas cegas se complementam.

“O braile é imprescindível para alfabetização das crianças, para que elas tenham contato com a ortografia, tanto da língua portuguesa quanto de línguas estrangeiras. Para livros científicos, não existe um substituto pro braille ainda. Os formatos tanto digital quanto falado não se excluem, se complementam”.

Fonte:
Agência Brasil
Portal Brasil

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