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Cidadania e Justiça

Encontro reúne reassentados no Rio Grande do Sul

Extensão rural

Intuito é integrar as comunidades e resgatar a história das famílias
por Portal Brasil publicado: 20/02/2015 18h08 última modificação: 20/02/2015 18h08

Cerca de 200 pessoas participaram do 1º Encontro de Reassentamentos de Área Indígena da Região Noroeste do Rio Grande do Sul, no assentamento estadual Novo Horizonte, no município de Chiapeta, que aconteceu no sábado (14). O intuito foi o de integrar as comunidades e resgatar a história das famílias.

A iniciativa partiu da comunidade e da Emater, contratada pela Superintendência Regional do Incra/RS para prestar assistência técnica aos assentamentos da região.  

Compareceram moradores dos assentamentos Nossa Senhora Aparecida III (município de Braga), São Sebastião (Coronel Bicaco), Redenção (Redentora), 19 de Abril (Santo Augusto), Cristo Rei e Novo Horizonte (Chiapeta) -  todos são projetos estaduais que receberam famílias oriundas da terra indígena Serrinha.

Esses assentamentos foram reconhecidos pelo Incra, sendo incorporados ao Programa Nacional de Reforma Agrária. Com isto, as famílias tiveram acesso a políticas públicas como crédito instalação e assistência técnica.

O evento de confraternização contou com benção, apresentação de um resgate histórico elaborado pela comunidade do Novo Horizonte, de um vídeo realizado pela Emater, almoço e festejos.

Para o engenheiro agrônomo da Emater Dhonathã Rigo, esse tipo de confraternização é importante para manter unida a comunidade. “O evento também proporcionou aos reassentados um momento de reflexão, do quanto a terra é importante para as famílias, lembrando toda a transição sofrida, que teve sucesso graças à união e organização dos agricultores” afirma Rigo.

Memória

A Reserva Indígena de Serrinha compreende uma área de 11,7 mil hectares entre os municípios de Ronda Alta, Constantina, Engenho Velho e Três Palmeiras. Terra indígena declarada pela Funai, teve iniciada a desocupação de colonos no fim da década de 1990.

A agricultora Marlene de Brito, 56 anos, lembra das dificuldades na época, quando os colonos tiveram que se organizar e as indenizações demoravam muito para sair. Quando o Estado apresentou a área do Novo Horizonte, a princípio as famílias não gostaram do local. “Não tinha nada. O pessoal se apavorou. Mas viemos juntos e nos organizamos”, lembra.

O assentamento foi reconhecido pelo Incra em 2000. “Tinha muita reunião. A gente precisava de água, de luz, de estrada”, relata Marlene. Passados 15 anos, o sentimento é de vitória. “Foi bom, graças a Deus. Viemos para terra boa. Lutamos um tanto, começamos do nada, foi uma trabalheira. Vencemos”.

Hoje, o forte na região é a produção de leite, mas a terra dá de tudo um pouco. Marlene e o esposo criaram no Novo Horizonte os dois filhos - a filha já tem sua família e o filho se formou veterinário.

Na época da desocupação, as famílias tiveram o apoio do padre João Ferrari Manfio, que ajudou a esclarecer que aquelas terras pertenciam a uma área indígena. “Ele falava a verdade. A gente entendia que a Constituição é definitiva”, lembra Marlene. Junto com o pároco de Chiapeta, o padre Manfio realizou a benção às famílias no encontro do sábado último.

Integrando a organização do evento, Marlene de Brito reuniu fotos das famílias para expôr na ocasião. Elas mostram a chegada na nova área, a primeira missa, o primeiro batizado, entre outros acontecimentos que marcam a história da comunidade.

 

Fonte:

Incra

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