Cidadania e Justiça
Ligue 180 se consolida como mecanismo de denúncia da violência de gênero
Disque-denúncia
Duzentos e cinquenta profissionais capacitados para ouvir. Na verdade, duzentas e cinquenta. Todas são mulheres. Elas se revezam, 24 horas por dia, sete dias por semana, numa missão tão importante quanto nobre: dar apoio às vítimas de um mal que persiste em afligir a sociedade brasileira, a violência contra a mulher.
Em 10 anos de existência, o Ligue 180 - Central de Atendimento à Mulher, se tornou um dos principais instrumentos de enfrentamento à violência de gênero no Brasil. Entre 2006 e 2015, foram mais de 4,7 milhões de atendimentos realizados. Só no primeiro semestre de 2015, foram 179 relatos por dia de agressões dos mais variados tipos –mais da metade foram casos de violência física.
Nesta segunda-feira, o governo federal lança uma campanha para fortalecer a mensagem de enfrentamento à violência contra a mulher. Os vídeos e peças reforçam o papel do Ligue 180 como canal eficaz para as notificações.
Criado em 2006, pela Secretaria de Política para Mulheres, que hoje integra o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, o Ligue 180 tornou-se em março deste ano um efetivo disque-denúncia, com autoridade para registrar queixas e direcioná-las aos órgãos competentes para investigação, como as polícias e o Ministério Público.
Além de registrar as denúncias de agressões, as atendentes também dão orientações e esclarecem dúvidas, tudo de forma sigilosa e segura.
Aumento no número de relatos
Neste ano em que assumiu novas funções, o serviço também experimentou um aumento no número de atendimentos. Só entre janeiro e outubro, o Ligue 180 realizou mais de 630 mil atendimentos, um aumento de 56% em relação ao ano passado. Foram em média 63,4 mil ligações por mensais; 2.1mil por dia.
A transformação do serviço em disque-denúncia, com encaminhamento dos registros e sigilo resguardado, também levou a um crescimento dos relatos de crimes graves contra a mulher, como tráfico de pessoas, cárcere privado e estupro.
O maior aumento ocorreu nos casos de cárcere privado, com uma elevação de 300% em relação a 2014 –média de 10 registros por dia. As denúncias de estupro subiram 165% no mesmo período –equivalem a uma a cada três horas--, e as de tráfico de mulheres tiveram aumento de 161%, com registro médio de um caso por dia.
Mas se houve aumento dos relatos no computo geral, também cresceu o número de terceiros que ligam no 180 para denunciar crimes de gênero, o que demonstra um aumento da conscientização da população sobre o tema. Nos dez primeiros meses deste ano, 23.652 pessoas ligadas a mulheres em situação de violência, sejam parentes, amigos ou conhecidos, denunciaram algum tipo de violência doméstica. No mesmo período do ano passado, foram 15.479 da mesma categoria.
Para Ane Cruz, coordenadora-geral do Ligue 180, esse dado demonstra um avanço cultural. “Ouvimos historicamente que em briga de marido e mulher não se mete a colher’. Mas se mete, sim. A família sofre junto com a mulher agredida”, disse ao Portal Brasil, quando o serviço completou 10 anos.
Fonte: Portal Brasil, com informações da Secretaria de Política para Mulheres

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons
CC BY ND 3.0 Brasil
















