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#MeuAmigoSecreto: mulheres falam sobre importância de expor machismo e violência

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Campanhas nas redes sociais com relatos de abusos têm colocado pauta feminista em evidência nos últimos meses
por Portal Brasil publicado: 07/12/2015 02h48 última modificação: 07/12/2015 16h15

Ana ficou com um rapaz que tinha namorada e nunca contou isso a ela. Mariana levou um fora do namorado por ter ficado com depressão. Priscila teve labirintite depois do assédio moral e sexual sofrido no trabalho. Mariana teve que dizer não várias vezes porque um paquera queria transar mesmo com ela dormindo. Nádia toca numa banda, mas quem ouve elogios são apenas os homens. Carla tem um parceiro que não divide as tarefas de casa. Leonor tem amigos que se dizem modernos, mas patrulham o que a namorada veste para sair de casa. Taisa foi estuprada numa festa por um amigo de anos.

Mulheres de diferentes idades e diferentes contextos. Todas passaram – e passam – por diversos tipos de abuso no dia a dia, apenas por ter nascido mulher. E todas resolveram expor seus relatos nas redes sociais por meio da campanha #meuamigosecreto.

Depois da campanha do #meuprimeiroassedio, que tinha como intenção expor casos de abuso sexual na infância e adolescência, foi a vez da campanha #meuamigosecreto. Criada espontaneamente no Twitter, fazendo um paralelo com a brincadeira do amigo oculto de final de ano, os relatos marcaram o Dia Internacional da Não Violência contra as Mulheres, no dia 25 de novembro.

Foram as mulheres, novamente, tomando a frente para expor pequenas ou grandes violências que podem passar desapercebidas por alguns, mas não para todas. A cientista política Mariana Abreu acha que muitos dos abusos passam desapercebidos porque a sociedade os vê como naturais. “Fui percebendo que o comportamento do meu amigo secreto estava enraizado no machismo e que é uma construção histórica de papeis de gênero. Como namorada, eu deveria estar em perfeitas condições de saúde para ele. E não estive [ela teve um quadro de depressão]. Demorou um tempo para me tocar disso e foi lendo os relatos de outras meninas”, diz.

A jornalista Ana Pompeu complementa: “Tem um pessoal que critica essa militância online, mas acho que vale muito a pena. É criar uma rede de apoio. Você vê que várias meninas passam por coisas parecidas e percebe que o machismo não é pontual”, comenta.

É consenso entre todas que a campanha deu visibilidade ao tema, chamando a atenção de todos sobre o que é violência e como ela atinge as pessoas em diferentes níveis. “Minhas amigas achavam que feminismo é coisa de mulher feia e mal comida. Hoje, elas estão revendo essa posição, estão reconceituando o que é o feminismo”, explica a advogada Carla Guareschi.

Para a estudante Mariana Mello, a campanha não só une as mulheres, que se veem nos relatos, mas, de alguma forma, uniu os homens. “Os rapazes se enxergam nesses relatos. A carapuça serviu para muita gente. E eles ficam 'nossa, mas isso que eu fiz te magoou?'. Sim, e magoou ela, e a outra. Porque os relatos são pessoais, mas são situações do dia a dia”, observa.

Diferentemente da campanha do #MeuPrimeiroAssédio, que focava na experiência da mulher com o abuso, muitas vezes ainda quando criança, o #MeuAmigoSecreto expõe os "amigos secretos", os homens e suas atitudes. A jornalista Leonor Costa provoca que, na verdade, o foco de muitos amigos secretos foram homens contraditórios. “Vi muitos relatos sobre colegas que são super antenados com as causas, mas que na prática têm um comportamento diferente. Todos nesse sentido, que prega uma postura, mas é contraditório com a prática”, diz.

E, principalmente, a campanha serviu para voltar os olhos para os diversos tipos de violência, que ultrapassam a violência física e sexual. A estudante Taisa Marçal lembra dos relacionamentos abusivos, geralmente longos, que destroem a autoestima da mulher. “Isso é uma forma de abuso que a gente acha normal, ou tendia a achar normal. É banalizado. E tem gente que fala que é frescura, que a mulher tem que se valorizar, e não é assim. É toda uma desconstrução de você, da sua força, e que a gente tende a ignorar. Temos que fazer alguma coisa a respeito e começa pela gente”, completa.

Fonte: Ana Pompeu, Carla Guareschi, Mariana Abreu, Leonor Costa, Nádia Junqueira, Mariana Mello, Taisa Marçal, Priscila Pascoal

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