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Cidadania e Justiça

Território quilombola é reconhecido em Palmares do Sul, no RS

Regularização

Área de 708,5 hectares beneficia 93 famílias no Rio do Grande do Sul; com a medida, o processo de regularização fundiária do território avança para a titulação
por Portal Brasil publicado: 29/02/2016 11h47 última modificação: 03/03/2016 12h05
Divulgação/Marja Coelho Identidade das famílias que hoje moram no Limoeiro é toda construída a partir da memória de seus antepassados escravos e ex-escravos

Identidade das famílias que hoje moram no Limoeiro é toda construída a partir da memória de seus antepassados escravos e ex-escravos

O Rio Grande do Sul teve sua 12ª comunidade quilombola com território reconhecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A área de 708,5 hectares, em Palmares do Sul, foi declarada como terras da comunidade quilombola de Limoeiro por meio de portaria publicada, na última sexta-feira (26), no Diário Oficial da União. Com a medida, o processo de regularização fundiária do território avança para a titulação.

A portaria beneficia 93 famílias e resulta de um extenso trabalho que inclui vários estudos e levantamentos técnicos, reunidos no Relatório de Identificação e Delimitação (RTID) do território, publicado em 2011. Entre as peças está o laudo sócio-histórico-antropológico, elaborado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que remontou as origens da comunidade.

A pesquisa demonstra que as famílias descendem de cinco escravos levados do município de Santo Antônio da Patrulha à região. Heranças e doações conformaram a posse do território ainda no século XIX. A identidade das famílias que hoje moram no Limoeiro é toda construída a partir da memória de seus antepassados escravos e ex-escravos.

Conquista

"É muito importante. Para nós, é uma vitória. Mais ainda para o pessoal mais velho, que lutou tanto para isto", comemorou a presidente da Associação Comunitária Quilombo do Limoeiro, Lisiane de Oliveira, ressaltando que as famílias possuem muitos idosos.

"A comunidade historicamente manteve sob sua posse grande parte do território, com um grande número de famílias", registra o técnico do Incra/RS, José Rui Tagliapietra, que acompanhou o processo. O próximo passo na regularização será dado pela publicação de um decreto presidencial autorizando a desapropriação de áreas dentro do perímetro do território. O Instituto identificou dois proprietários a serem indenizados.

Todo o processo culmina com a titulação da área em nome da associação. No Rio Grande do Sul, quatro comunidades quilombolas já estão tituladas: Casca, em Mostardas (título parcial); Chácara das Rosas, em Canoas; Família Silva, em Porto Alegre (título parcial); e Rincão dos Martinianos, em Restinga Seca (título parcial).

Fonte:  Incra

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