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Cidadania e Justiça

Programas da reforma agrária levam assentada da alfabetização à pós-graduação

Acesso à educação

“Logo que passei à condição de assentada, entrei na luta por educação, por escolas e por professores nos assentamentos”, conta Deusamar Sales Matos
por Portal Brasil publicado: 06/05/2016 10h00 última modificação: 06/05/2016 15h22
Foto: Divulgação/Incra “Voltei à minha comunidade e me tornei professora da escola que ajudei a criar", conta Deusamar

“Voltei à minha comunidade e me tornei professora da escola que ajudei a criar", conta Deusamar

A presidenta Dilma Rousseff entregou, na última terça-feira (4), durante cerimônia de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2016/2017, certificado comemorativo do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) do Incra para Deusamar Sales Matos, beneficiária do projeto de assentamento Palmares, em Parauapebas (PA).

A agricultora assentada representou na solenidade mais de 180 mil alunos de áreas da reforma agrária, acampamentos e projetos do Programa Nacional de Crédito Fundiário que foram capacitados pelo Instituto por meio do Pronera.

Dilma Rousseff salientou no evento a contribuição do programa em seus 18 anos para o desenvolvimento desse público. “O Pronera já formou mais de 180 mil alunos, contribuindo para o fortalecimento da agricultura familiar.”

A beneficiária do assentamento Palmares foi escolhida para receber a homenagem em função de ter concluído toda a educação formal por meio do programa. Além de Educação de Jovens e Adultos (EJA), concluiu o Ensino Médio (magistério) e a graduação em Pedagogia da Terra, todos em parceria com a Universidade Federal do Pará. Ela também é especialista em Educação de Jovens e Adultos, com pós-graduação viabilizada pelo Pronera em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina.

Terra

Acampada desde 1992, quando a família saiu do Maranhão para o Pará, Deusamar Matos conta que, dois anos depois, o pai conquistou a terra. Em seguida, foi a vez de ela lutar pelo seu pedaço de chão, tendo sido beneficiada com um lote no assentamento Palmares, em Parauapebas (PA), em 1996.

“Depois que conquistei a terra, achei que a luta tinha acabado. Mas logo percebi que sem instrução é muito difícil a lida no campo. Além de ter um pedaço de chão, a gente precisa da educação para ter horizonte”, avalia. E foi então que, em 1996, junto a outros assentados, acampados e movimentos sociais do campo, participou das reivindicações por um programa de educação para os trabalhadores rurais.

As discussões visavam à construção de um programa que levasse em conta aspectos da vida no campo e que permitisse conciliar o tempo em sala de aula e na comunidade, para desenvolvimento das atividades no assentamento.

Início

Após dois anos de reivindicações, foi criado, em 16 de abril de 1998, o programa de educação voltado para a realidade camponesa que já formou mais de 180 mil pessoas em cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA), Ensinos Fundamental e Médio com foco na realidade rural, ensino tecnológico, superior e pós-graduação.

Presente desde as primeiras reuniões para a criação do programa, Deusamar explica que o Pronera é resultado da luta pela terra com educação. “Logo que passei à condição de assentada, entrei na luta por educação, por escolas e por professores nos assentamentos”, acrescenta.

Ela relata a importância da Universidade Federal do Pará, em Marabá, no ano de 1998, como instituição de referência para o Pronera no sul do Estado. “A universidade foi fundamental. Agarrou o projeto e conseguimos a primeira parceria. Ali tocamos um projeto de EJA que alfabetizava, mas que também escolarizava os educadores, que iriam ser os multiplicadores”, recorda.

Após o curso de alfabetização, ela participou da turma de Ensino Fundamental ofertada pelo Pronera. Ela lembra a dificuldade dos alunos de estudar e conciliar o trabalho na terra. “Além de educadora, sou mãe solteira. Sempre tive muito apoio da família na lida do meu lote.”

Com determinação de continuar os estudos, Deusamar candidatou-se para os cursos de magistério nível médio e superior de pedagogia. “Segui não apenas organizando os cursos, mas também estudando e me formando. Fiz o Ensino Médio e depois cursei, em Belém, a graduação em Pedagogia da Terra, entre 2001 e 2005. Éramos estudantes e também militantes da questão da educação no campo”, relembra.

Em seguida, ela fez pós-graduação, também pelo Pronera, com a meta de aperfeiçoar-se sobre a educação de jovens e adultos no meio rural. “Foi muito importante porque ajudou a entender a minha formação e a multiplicar tudo o que aprendi para a minha comunidade e outros trabalhadores rurais.”

Volta

Em 2007, após concluir os estudos, Deusamar dedicou-se integralmente ao seu assentamento. “Voltei à minha comunidade e me tornei professora da escola que ajudei a criar. Eu e outros educadores formados pelo Pronera nos tornamos professores. Hoje sou diretora da Escola Rural de Educação Infantil Sallete Moreno.”

De acordo com a educadora, a maioria dos profissionais na escola foi formada pelo programa. “Lá, há de 15 a 20 educadoras que estão nos assentamentos, ampliando a educação com os filhos dos assentados. Depois de terminar os estudos, estamos assumindo as escolas de nossas comunidades.”

Para ela, não há dúvida sobre o papel do programa no apoio a projetos de educação voltados ao desenvolvimento das áreas de reforma agrária. Mesmo ressaltado a importância do saber técnico, Deusamar Matos assegura que o saber cidadão na formação dos trabalhadores rurais é que faz a diferença. “É importante saber ler, mas o mais importante é saber o que estou lendo. O Pronera é um multiplicador, e foram mais de 180 mil beneficiados. Pode ter certeza que esses formandos multiplicaram o aprendizado para mais gente.”

Fonte: Portal Brasil, com informações do Incra

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