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Ciência e Tecnologia

Fiocruz desenvolve novo exame para diagnóstico precoce de hanseníase

publicado: 01/03/2010 21h18 última modificação: 28/07/2014 09h12

 Pesquisadores do Instituto  Oswaldo    Cruz (IOC/Fiocruz)   buscaram na  genética novas alternativas para combater a dificuldade de diagnóstico da Hanseníase. Eles desenvolveram uma técnica molecular, baseada na análise de DNA, que é capaz de diagnosticar a presença da bactéria causadora (Mycobacterium leprae) e de estimar quais as chances do paciente desenvolver a doença.

Apesar de ser uma doença antiga, uma das principais dificuldades no combate à hanseníase é o diagnóstico precoce. Sem ele, os pacientes só percebem quando a doença já se instalou. A nova técnica possibilita a detecção da infecção pelo microorganismo em pacientes que ainda não desenvolveram sintomas. Isso permitirá diminuir a possibilidade de transmissão durante o período de incubação da bactéria, que pode chegar a cinco anos. O tratamento nesta fase também diminui o risco de seqüelas. O novo procedimento vai ajudar a definir melhores esquemas terapêuticos, de acordo com o perfil genético de cada paciente.

O novo exame é feito com base na técnica de PCR em Tempo Real (sigla em inglês para reação em cadeia de polimerase). Os pesquisadores analisam amostras de tecido da pele do paciente e verificam a carga bacteriana, por meio da identificação do DNA e de RNA da bactéria. Assim, é possível detectar a doença precocemente mesmo nos casos assintomáticos.

Além de identificar a presença da bactéria, a metodologia diagnostica a viabilidade do bacilo no organismo, isto é, sua capacidade de desenvolver ou não a doença e de ser transmitido ou não para outras pessoas. A técnica é eficaz também nos casos de pacientes que receberam tratamento. “O PCR em Tempo Real é uma técnica muito sensível e possibilita uma quantificação das cópias de bacilos presentes nas amostras de cada indivíduo, o que lhe confere uma vantagem em relação a outras metodologias”, explica a bióloga Alejandra Martinez, que desenvolveu a metodologia sob a orientação do pesquisador Milton Ozório Moraes, do Laboratório de Hanseníase do IOC.

Segundo ela, a informação precoce potencializa os esquemas terapêuticos adotados ao identificar se a bactéria está se reproduzindo no hospedeiro e qual o nível da infecção. “Por ser uma doença crônica, a bactéria interage com o hospedeiro de forma branda e a cada 14 dias completa um ciclo de divisão. Quando identificamos a sua presença, podemos avaliar o efeito da poliquimioterapia e obter tratamentos exitosos”, pontua a bióloga.

Doença negligenciada

A hanseníase está na lista das chamadas doenças negligenciadas. De acordo com Organização Mundial de Saúde, esses males normalmente são associados a precárias condições de vida, pobreza e iniqüidades em saúde. Nos países desenvolvidos, essas doenças não representam mais risco para a saúde pública, por isso essas nações não investem em pesquisas voltadas ao tratamento dessas patologias.

Também são consideradas doenças negligenciadas dengue, doenças de Chagas, leishmaniose, malária, esquistossomose e tuberculose. Parte da pesquisa foi desenvolvida nos Estados Unidos, em parceria com a Universidade Estadual da Louisiana, onde Alejandra realizou testes laboratoriais.

Em  Questão edição nº 987 – 23/03/2010

 




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