Ciência e Tecnologia
Peixe pouco consumido pode ser alternativa para merenda escolar
A anchoíta possui baixo teor de sódio e gordura e conta com altos níveis de ômega 3 e 6
Está em exposição na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, uma experiência de pesquisa científica e inovação produtiva da Universidade Federal de Rio Grande (Furg), do Rio Grande do Sul, que viabiliza a pesca não predatória de anchoíta e sua produção industrial em enlatados para consumo humano. O peixe tem propriedades nutritivas semelhantes às da sardinha, sendo recomendado por causa do baixo teor de sódio e de gordura, além de altos níveis de ômega 3 e ômega 6.
O projeto da universidade foi iniciado em 2005 - com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) - e envolve desde a pesquisa oceanográfica sobre a migração dos cardumes até a produção do pescado para o fornecimento de merenda escolar a 34 mil crianças de 98 escolas públicas de Porto Alegre e de Rio Grande, no interior do estado.
Segundo o coordenador da iniciativa, Lauro Madureira, o projeto é uma grande oportunidade para os gestores da pesca mostrarem que é possível aproveitar esse recurso de forma sustentável. “Esse é praticamente um dos únicos estoques do mundo que ninguém pesca".
No Brasil, o pescado é usado tradicionalmente para produzir farinha, exportada para países como o Peru e o Chile, que a utiliza como isca. Segundo Madureira, a produção da farinha desperdiça recursos. "Quatro quilos de anchoíta são gastos para fazer um quilo de farinha que, em média, permite a pesca de meio quilo de outro peixe, o que dá para alimentar duas pessoas", estima o coordenador.
A produção para alimento humano rende oito vezes mais, pois 4 kg de anchoíta são gastos para fazer quatro de latas de pescado com molho. Se servido com massa, "atende até a dez alunos por lata", calcula Madureira. De acordo com ele, 70% dos alunos que provaram o peixe responderam que gostaram muito ou gostaram, em pesquisa de opinião realizada em 2011. "Para peixe, esse resultado é muito bom", avalia.
A época de pesca da anchoíta no Brasil é entre junho e setembro e a capacidade de produção pode chegar a 100 mil toneladas por ano. Além do Brasil, a Argentina, o Uruguai, a África do Sul e a Austrália podem produzir o pescado.
A iniciativa teve apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), para formação de pessoal e intercâmbio de pesquisadores, e do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), para arrendamento de barco de pesca e contratação de fábrica para enlatar o pescado.
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Fonte:
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
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