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Ciência e Tecnologia

Pesquisadores brasileiros desenvolvem bioinseticida para o controle da dengue

por Portal Brasil publicado: 28/08/2012 18h36 última modificação: 28/07/2014 16h24
Inpa Conhecida popularmente como pimenta longa ou pimenta de macaco, a planta está sendo estudada para aplicação no controle das larvas do mosquito transmissor da dengue

Conhecida popularmente como pimenta longa ou pimenta de macaco, a planta está sendo estudada para aplicação no controle das larvas do mosquito transmissor da dengue

Bioinseticida foi desenvolvido a partir de derivados de um extrato da planta Piper aduncum, conhecida como pimenta de macaco ou pimenta longa

 

Com os surtos de dengue frequentes em várias regiões brasileiras, estudar os mosquitos transmissores dos sorotipos da dengue, e os métodos alternativos para o seu controle, é uma questão de saúde pública. Por esse motivo, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), tem estudado desde a genética até métodos de controle do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue.

Estudos utilizando derivados da planta Piper aduncum, conhecida popularmente como pimenta longa ou pimenta de macaco, o mestre em Genética, Conservação e Biologia Evolutiva do Inpa, Pedro Rauel Cândido Domingos, estudou esses derivados para aplicação no controle das larvas do mosquito A. aegypti.

O componente natural de defesa do Piper aduncum, o dilapiol, é extraído do óleo essencial dessa planta, como também de outras espécies vegetais. O óleo é muito rico em dilapiol e este pode ser usado como bioinseticida contra o mosquito transmissor da dengue. Dentre outras (plantas) já testadas em outros mosquitos essa foi uma das que teve maior efeito sobre mortalidade.

A pesquisa detectou efeitos da aplicação dos derivados do dilapiol nas larvas dos mosquitos em níveis genéticos, ou seja, no DNA dos mosquitos observados, mediante más formações nos cromossomos.

 

Método

As formas imaturas (larvas e pupas) do mosquito A. aegypti foram coletadas no bairro Puraquequara, zona leste de Manaus (AM), e transportadas para o Insetário do Laboratório de Vetores da Malária e Dengue/Coordenação de Sociedade, Ambiente e Saúde (CSAS) do Inpa, onde foram estabelecidas as colônias após o cruzamento de fêmeas e machos adultos. Esse procedimento foi realizado durante quatro gerações sucessivas.

As larvas de A. aegypti foram expostas por quatro horas para avaliar a genotoxicidade desses compostos nessas larvas e, posteriormente, em fêmeas adultas e, para avaliar a atividade ovicida, larvicida e estabelecer as concentrações letais, em ovos e larvas foram expostos por mais 24h. As concentrações e o tempo de exposição dos mosquitos, após as primeiras aplicações, tiveram que ser alteradas, para fins de análise da genotoxicidade desses compostos nas células dos indivíduos sobreviventes e essa alteração evidenciou uma redução na fertilidade desses mosquitos.

Esses resultados são vantajosos em relação a outros métodos convencionais de combate ao mosquito da dengue, com inseticidas sintéticos em altas concentrações e em longos períodos de exposição. Assim, os resultados deste estudo sugerem a aplicação desses derivados no controle alternativo desse mosquito, pois este se mostrou susceptível a esses compostos. Essa nova alternativa poderá minimizar a utilização de inseticidas sintéticos nas ações de controle e, consequentemente, o seu acúmulo no meio ambiente.

Aedes aegypti

A dengue é um dos principais problemas de saúde pública no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 50 a 100 milhões de pessoas se infectem anualmente, em mais de 100 países, de todos os continentes, exceto a Europa. Cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em conseqüência da dengue.

Conheça aqui os mitos e erros mais comuns sobre a dengue.

 

Doenças Tropicais


 

Leia mais:

Nova técnica poderá diminuir a quantidade de mosquitos da Dengue

Brasil produzirá mosquito transgênico capaz de combater a dengue

 

Fonte:
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
Ministério da Saúde

 

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