Ciência e Tecnologia
Primeiro selante biológico produzido no País começa a ser distribuído
A cola de fibrina será usada em cirurgias cardiovasculares, hepáticas, ortopédicas e neurocirurgias
A cola fibrina - um selante biológico elaborado com o plasma humano que reduz ou detém hemorragias em cirurgias cardiovasculares, hepáticas, ortopédicas e neurocirurgias – chegará, em um ano, em quatro hospitais públicos do estado de Pernambuco. A distribuição do primeiro hemoderivado produzido pela Empresa Brasileira de Hemoderivados (Hemobrás) será realizada pela própria estatal.
Os hospitais da Restauração (HR), do Câncer de Pernambuco (HCP) e Oswaldo Cruz (HUOC), e o Pronto Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco (Procape) irão receber 3,4 litros de cola de fibrina, quantidade suficiente para a realização de 680 cirurgias, com consumo médio de cinco mililitros (ml) por procedimento.
A fabricação no Laboratório de Cola de Fibrina da Hemobrás será financiada pelo Ministério da Saúde e, com isso, além de oferecer qualidade internacional, proporcionará economia aos cofres públicos e ampliação do acesso da população à saúde.
Para o presidente da Hemobrás, Romulo Maciel Filho, este é um marco para o Brasil. “Isso é, efetivamente, o primeiro produto da empresa e o prenúncio da construção da autossuficiência brasileira na capacidade da produção de hemoderivados”.
Atualmente, o País utiliza cerca de cinco litros de cola de fibrina por ano. Até então, a cola de fibrina era obtida exclusivamente por importação e utilizada pela rede privada hospitalar, pois havia dificuldades na aquisição devido ao seu alto custo no exterior - que chega a R$ 1 mil cada ml - e à baixa oferta diante da demanda mundial.
A fibrina não possui contraindicação ou risco de rejeição. “Ao contrário, provoca a regeneração de ossos e tecidos e a formação de novos vasos, não substituindo os tradicionais pontos, mas atuando como complemento, vedador e acelerador do processo de cicatrização”, afirma o consultor científico da Hemobrás, Wellington Cavalcanti.
Distribuição
A cola começou a ser enviada aos hospitais na segunda-feira (22), sem nenhum custo direto. Para o HR, está previsto um litro de cola de fibrina por ano para neurocirurgias; para o HUOC, serão 800 ml para cirurgias hepáticas e transplantes de fígado no mesmo período; o Procape, receberá 800 ml para cirurgias cardiovasculares ao longo dos próximos 12 meses; já o HCP, terá 800 ml para cirurgias de cabeça e pescoço.
A expectativa da empresa é, posteriormente, distribuir o selante biológico para outros hospitais públicos de Pernambuco e de outros estados, seguindo os mesmos pré-requisitos do Ministério da Saúde: possuírem demanda dos procedimentos para o qual o hemocomponente é recomendado, contarem com estrutura para seu correto armazenamento, e disporem de profissionais com experiência em seu manuseio.
“Nosso plano junto ao ministério é produzir o suficiente para atender usuários do Sistema único de Saúde (SUS) em todo o País que antes não tinham acesso à cola de fibrina. Para 2013, a previsão são 13 litros; mais 14 litros em 2014 e outros 16 litros em 2015”, informa o chefe do Serviço de Produção de Cola de Fibrina, Frederico Monteiro.
O transporte do produto será feita do laboratório diretamente para os serviços de hemoterapia das unidades de saúde, em caixas que manterão a temperatura abaixo de 20°C negativos (a mesma sob a qual deverá ficar armazenada até a utilização). A cola pode ser usada imediatamente após seu descongelamento, que ocorre em aproximadamente oito minutos. A apresentação do material é na forma líquida, em frascos-seringa que variam de um ml a seis ml.
Como funciona
A cola de fibrina é normalmente usada em locais que os clínicos ou cirurgiões não têm acesso ou não têm como promover a coagulação do sangue pelos métodos tradicionais, como sutura ou eletrocoagulação.
O selante biológico reproduz a fase final da coagulação sanguínea, onde o fibrinogênio é convertido em fibrina na presença de trombina, fator XIII, fibronectina e cálcio ionizado (proteínas do plasma). A trombina e o fibrinogênio promovem, então, a selagem da área cirúrgica.
Hemobrás
O primeiro bloco da fábrica Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) - que vai produzir medicamentos derivados do sangue, essenciais à vida de milhares de usuários do SUS portadores de hemofilia, cirrose, câncer, Aids, imunodeficiência primária, vítimas de queimaduras ou enfermos em tratamento de terapia intensiva - começou a funcionar no último dia 27 de setembro.
A fábrica fica no município de Goiana, em Pernambuco e este primeiro bloco será destinado à armazenagem da matéria-prima desses medicamentos, que é o plasma sanguíneo, adquirido por meio de doações de sangue de todos os brasileiros.
Até o fim deste ano, a fábrica deverá receber 150 mil bolsas de plasma. Em 2013, serão 900 mil bolsas. Até a data, a estocagem do plasma era feita em uma câmara fria alugada da iniciativa privada, em São Paulo.
Produção nacional
A fábrica de hemoderivados brasileira será a maior da América Latina, orçada em R$ 670 milhões e com capacidade de processar 500 mil litros de plasma por ano. Atualmente, apenas 15 países no mundo possuem fábricas de alta complexidade para esse tipo de produção.
A planta industrial do Brasil vai elaborar os seguintes medicamentos: albumina, utilizada em pacientes queimados ou com cirrose e em cirurgias de grande porte; imunoglobulina, que funciona como anticorpo para pessoas com organismo sem defesa imunológica; fatores de coagulação VIII e IX, complexo protrombínico e fator de Von Willebrand, destinado a pessoas com hemofilia, doença que incapacita o corpo a controlar sangramentos.
Concluído o primeiro bloco, segue a construção dos demais 13 prédios da fábrica. O bloco 2, considerado o coração da unidade fabril, onde será realizado o fracionamento do plasma, está com 65% das lajes do térreo concluídas.
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