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Ciência e Tecnologia

Cientistas apontam caminhos para reduzir a desigualdade mundial

Fórum Mundial

Para alcançar o desenvolvimento sustentável global, especialistas destacam a importância da conexão entre ciência e políticas públicas
por Portal Brasil publicado: 26/11/2013 09h39 última modificação: 30/07/2014 00h59

A extrema desigualdade no planeta, especialmente entre países dos hemisférios Norte e Sul, pontuou discussões do Fórum Mundial de Ciência (FMC) nesta segunda-feira (25), no Rio de Janeiro, em painel sobre política científica e governança em que cientistas brasileiros e estrangeiros buscaram imaginar um futuro mais justo para toda a humanidade.

Membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o físico Luiz Davidovich ressaltou as disparidades existentes entre regiões mais desenvolvidas, como os Estados Unidos e o Canadá, e nações de continentes mais pobres, como a África.

“Se olharmos o consumo de água por país no mundo, vamos ver exatamente que aqueles que têm mais luz à noite são os que consomem também mais água e mais alimentos, injetando mais poluição na nossa atmosfera, através do dióxido de carbono”, ressaltou.

O que os especialistas buscam, segundo ele, é a construção de um novo modelo para reduzir as desigualdades. Davidovich cita como exemplo o movimento liderado pela comunidade científica mundial, por meio de academias nacionais, sociedades científicas e instituições internacionais, como Conselho Internacional para a Ciência (ICSU, na sigla em inglês), para acumular conhecimento relevante, que ajude a amenizar problemas sociais.

Ele menciona estudos realizados pela Organização das Nações Unidas (ONU), com participação de cientistas de vários países, sobre questões relacionadas às mudanças climáticas e aos desastres naturais. 

“Se nós olharmos ambos os aspectos, vamos rapidamente chegar à conclusão de que esses processos atingem de maneira muito mais drástica os países mais pobres, uma vez que os desenvolvidos têm meios mais sofisticados para superar os efeitos desses impactos”, observou.

Política x Ciência

O painel também destacou a falta de conexão entre discussões científicas e ações governamentais. “Esse é um tema importante e difícil, porque frequentemente as questões levantadas pelos cientistas acabam não tendo repercussão em políticas públicas eficazes”, avaliou.

Os participantes do painel também abordaram a desigualdade entre os países na área educacional. “A situação do ensino, especialmente do básico, mas também do superior, em países em desenvolvimento é muito mais precária do que em países desenvolvidos”, afirmou Davidovich.

Segundo ele, o que se discute no mundo é a reformulação da educação, em que as tecnologias da informação (TIs) e a internet, por exemplo, estejam disponíveis também para comunidades mais pobres. “Mesmo em países com certo sucesso em seu desenvolvimento, como o Brasil, essas tecnologias devem penetrar também nas regiões mais longínquas”.

O membro da ABC espera que a educação básica e infantil tenha mais atenção em comunidades carentes. “O investimento começa na pré-escola, não apenas nos futuros cientistas, mas nos futuros cidadãos, conscientes e educados. São eles que podem construir uma democracia com pessoas que tenham condições de acompanhar as discussões científicas importantes para a sociedade”, afirmou.

Para o cientista, uma política pública eficaz deve conceber o ensino básico e o atendimento pré-escolar para comunidades carentes como uma “grande prioridade nacional”, especialmente nos países em desenvolvimento.

“É muito importante expor as crianças, já no ensino fundamental, à boa ciência, àquela aula que vem junto com o fascínio e a magia, e que faz com que a pessoa olhe para o mundo e fique perplexa diante das maravilhas do universo”, sugeriu. “Para isso também é preciso treinar professores, valorizar essa profissão nos países emergentes”.

Na avaliação do pesquisador, debates como os realizados no FMC 2013 ajudam a definir as linhas mestras de ação no campo de ciência, tecnologia e política. “O que temos que fazer, saindo daqui, é levar essas ideias e continuar na luta em nossos países, para que essas coisas sejam feitas, mas por meio de uma aliança global, por meio dessas grandes instituições e estruturas que foram construídas nos últimos anos e congregam a comunidade científica de todo mundo”.

Fonte:
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

 

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