Ciência e Tecnologia
CNPq anuncia vencedores do 17º Prêmio Jovem Cientista
Pesquisa
O presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Glaucius Oliva, anunciou, nesta terça-feira (19), os vencedores do 17º Prêmio Jovem Cientista, em Brasília (DF), na sede da instituição em entrevista coletiva à imprensa. Tendo como tema “Água – desafios da sociedade”, a edição deste ano premiou estudantes e jovens pesquisadores, escolas e universidades dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraná e Pará, que contribuíram para os avanços tecnológicos, sociais, econômicos e sustentáveis dos recursos hídricos nacionais.
Para o presidente do CNPq, a escolha do tema está alinhada com a Política Nacional de Recursos Hídricos do governo federal e com o Ano Internacional de Cooperação pela Água, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). “O planeta depende desse bem fundamental. É importante que os jovens tenham consciência sobre isso”, ressaltou.
Conheça os vencedores do 17º Prêmio Jovem Cientista
Segundo Glaucius, sem tecnologia e conhecimento não será possível proporcionar condições adequadas de sobrevivência à população brasileira. “Nossas conquistas estão todas relacionadas a nossa produção científica e formação de capital humano. O prêmio possui nove premiados, mas o impacto decorrido da participação dos mais de três mil jovens é a ação motivadora e educadora mais importante desta iniciativa”, acredita.
Edivan Nascimento Pereira, vencedor da categoria Ensino Médio, lembrou que a pesquisa partiu de problemáticas já existente na sua região. “Juntamos a questão da falta de água potável com a forma inadequada de descarte do caroço do Açaí. O questionamento partiu do que poderíamos melhorar na qualidade de vida das populações ribeirinhas do Rio Moju”, contou. Para Gustavo Meirelles Lima, vencedor da categoria Mestre e Doutor, o objetivo era otimizar a utilização da água. “Observamos um sistema que funcionava a partir da gravidade. Resolvemos aperfeiçoar gerando energia”, explicou. “A metodologia foi desenvolvida para ser aplicada em qualquer localidade, sem prejudicar o abastecimento nas cidades”, disse.
Já o vencedor da categoria Ensino Superior, José Leôncio de Almeida Silva, desenvolveu uma metodologia que pretende colaborar com a capacidade produtiva de alimentos, na localidade onde ocorre um dos principais problemas relacionados ao tema no país, a falta de água na região do semi-árido brasileiro. “Nós conseguimos uma economia entorno de 85% na agricultura local. Desta forma, nossa intenção é tornar viável esta pesquisa para a região que sofre com a falta de recursos hídricos”, encerrou.
Para o homenageado na categoria Mérito Científico, Eugênio Forest, que dedicou mais de 40 anos da carreira desenvolvendo tecnologias relacionadas à utilização dos recursos hídricos, “o conhecimento surge muitas vezes de forma inesperada. No café da manhã, no momento de dormir, numa conversa com amigos. O importante é verificar depois sua viabilidade”, disse. Em sua opinião, não existe nada mais importante que a água. “Surpresa, felicidade, gratidão e honra, são palavras que posso usar para definir este reconhecimento do maior órgão de financiamento de pesquisa do Brasil”, destacou.
O vice-reitor da Universidade de São Paulo (USP), Antonio Roque Dechen, lembrou que a instituição é contemplada pelo segundo ano consecutivo com a premiação. “Nós primamos pelo envolvimento universitário nas modalidades de formação científica. Inclusive, estruturamos setores que possuem metas voltadas a esta finalidade”, afirmou.
O diretor da Escola Técnica Estadual Monte Mor, instituição agraciada na categoria Mérito Institucional do Ensino Médio, manifestou surpresa com tamanho envolvimento dos alunos na premiação. “Nós não esperávamos. 60% dos alunos matriculados apresentaram propostas”, informou. “Esse é um trabalho contínuo que teve início em 2010 e virou febre entre os jovens da nossa escola”, concluiu.
“Mostrar aos jovens que eles podem fazer e ser reconhecidos, certamente o motivará pelo resto de sua vida”, definiu o presidente do CNPq sobre a importância do Prêmio Jovem Cientista. “Contribuir com este processo de desenvolvimento é o que motiva a entrega desta premiação anualmente”, disse Glaucius.
Recorde
Neste ano, o Prêmio Jovem Cientista bateu um novo recorde de inscrições em todas as categorias. Recebeu 3.226 inscrições de todo o país, sendo 384 na categoria Mestre e Doutor, 301 na categoria Estudante do Ensino Superior e 2.541 na categoria Estudante do Ensino Médio. A premiação consiste em R$ 700 mil, distribuídos em bolsas de estudo, quantias em dinheiro, laptops, participação na Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), visitas as unidades fabris e de pesquisa da GE e publicação das pesquisas em livro próprio.
Os candidatos ao 17º Prêmio Jovem Cientista da categoria Estudante do Ensino Médio tiveram o desafio de abordar em suas linhas de pesquisa questões ligadas à gestão de bacias hidrográficas, tratamento e reuso da água, a relação entre a água e saúde pública, a utilização da água para geração de energia e tecnologias de dessalinização.
Já nas categorias Mestre e Doutor e Estudante do Ensino Superior foram definidas as seguintes linhas de pesquisas:gestão inovadora aplicada a gestão ambiental, tecnologias para despoluição, ecotecnologias no tratamento, esgotos domésticos, águas pluviais e despoluição, uso racional e eficiente, uso de tecnologias de sensoriamento remoto na avaliação dos recursos hídricos, uso da água e da energia e aplicação de tecnologias inovadoras, uso de membranas no tratamento, gerenciamento no meio urbano, eventos hidrológicos extremos e sistemas de alerta, e impactos das mudanças climáticas nos recursos hídricos.
O Prêmio Jovem Cientista, instituído pelo CNPq em 1981, conta com a parceria da Fundação Roberto Marinho, da Gerdau e da GE, e tem como objetivos revelar talentos, impulsionar a pesquisa no país e investir em estudantes e jovens pesquisadores que procuram inovar na solução dos desafios da sociedade. A cerimônia de entrega da premiação será realizada pela presidenta da República, Dilma Rousseff, em dezembro deste ano, em solenidade no Palácio do Planalto.
Fonte:
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons
CC BY ND 3.0 Brasil

















