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Ciência e Tecnologia

Programa de tecnologias 3D já apoiou três mil cirurgias complexas

Inovação tecnológica

Recursos ajudam a minimizar custo e tempo em procedimentos de alto risco, como é o caso da reconstrução crânio-maxilo-facial
por Portal Brasil publicado: 01/11/2013 15h51 última modificação: 30/07/2014 00h58
Divulgação/InVersalius Imagem do software público InVesalius, que tem sido utilizado para a geração de biomodelos virtuais

Imagem do software público InVesalius, que tem sido utilizado para a geração de biomodelos virtuais

O Programa de Tecnologias 3D na Medicina (ProMed) completou neste mês três mil casos de apoio a cirurgias complexas de reconstrução crânio-maxilo-facial. Somente em 2012 e 2013, foram atendidos 180 hospitais diferentes em todos os estados brasileiros, com uma distribuição que reflete a densidade populacional do País.

Alguns hospitais de países latino-americanos – Uruguai, Paraguai, Chile, Equador e México – também vêm recebendo apoio do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI/MCTI). Em média, nos últimos três anos têm sido atendidos de 400 a 500 casos por ano para 120 hospitais.

O programa ProMed foi concebido em 1997 com a chegada da primeira impressora 3D, uma das primeiras do Brasil, e iniciado no ano 2000. Com essa impressora, foram gerados os primeiros biomodelos que são réplicas exatas de partes do corpo humano. Eles permitem a mensuração de estruturas, a simulação de procedimentos cirúrgicos e técnicas de ressecção, além da produção de moldes para construção de próteses personalizadas de alto desempenho anatômico. Os casos médicos demandam cirurgias complexas (de alto risco) incluindo acidentes que levam a graves perdas ósseas, principalmente na cabeça, graves anomalias congênitas e câncer.

“As tecnologias 3D constituem um recurso inovador e permitem que as cirurgias sejam mais rápidas e menos custosas, propiciando melhor qualidade de vida ao pacientes e diminuição de custos para os sistemas público de saúde e previdência”, afirma o pesquisador-chefe do Laboratório de Tecnologias Tridimensionais do CTI Renato Archer, Jorge Vicente Lopes da Silva.

Segundo o ortopedista José Carlos Barbi, parceiro de pesquisa do CTI a longo prazo na área ortopédica, “o biomodelo possibilita um completo planejamento dos mais diversos procedimentos cirúrgicos, o que tende a reduzir o tempo transoperatório, bem como os riscos de infecções, gerando melhores resultados e redução dos custos para o SUS [Sistema Único de Saúde] e evitando aposentadorias precoces.” “A qualidade dos resultados implica também um alto grau de reintegração social dos pacientes”, afirma o cirurgião.

Software 

Uma ação decisiva para o ProMed foi o desenvolvimento pelo CTI do software público InVesalius, que tem sido utilizado para a geração dos biomodelos virtuais que servem como arquivo de impressão 3D dos biomodelos físicos. Até então o alto custo de programas de vizualização e tratamento de imagens médicas inviabilizava a construção dos biomodelos e difusão da tecnologia. 

Além do InVesalius, o CTI conta com recursos para a simulação do desempenho mecânico de dispositivos médicos usando softwares de engenharia que tem sido aplicados à medicina (BioCAD) e software de simulação por elementos finitos, apoiando várias universidades brasileiras nas suas dissertações e teses e gerando uma forte interação científica.

A tecnologia de construção dos biomodelos está hoje sendo transferida para outros centros no Brasil, em projeto piloto, por meio de convênio com o Ministério da Saúde (MS). Alguns países têm demonstrado interesse com o apoio do CTI a estas iniciativas.

O Laboratório de Tecnologias Tridimensionais do CTI Renato Archer possui projetos em andamento com diversas agências de fomento brasileiras e internacionais. “Foi aprovado um projeto Ciências sem Fronteiras do CNPq para três anos”, relata Jorge Vicente Lopes da Silva. “Tivemos também aprovados três projetos com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo [Fapesp] na área: um para pós-doutorado, um segundo para pesquisador estrangeiro visitante, trazendo o professor Vladimir Mironov – um dos maiores especialistas do mundo – ao CTI, durante todo o ano de 2012, e um terceiro, iniciado em 2012, com vinda do professor Marcos Sabino, da Universidade Simón Bolívar da Venezuela.”

Outro projeto de fronteira do qual o grupo participa é o Fapesp-Cepid denominado Centro de Pesquisa sobre Neurociência e Neurotecnologia – Brainn, coordenado pelo professor Fernando Cendes, da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O Laboratório de Tecnologias Tridimensionais é parte da rede Irebid, financiada pela União Europeia, e integra o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Biofabricação (INCT Biofabris). Desde 2010, a equipe do laboratório tem apoio do Ministério da Saúde.

Novos desenvolvimentos 

O ProMed tem levado ao CTI demandas nas áreas de reabilitação e acessibilidade. Vários projetos acadêmicos vem sendo viabilizados nessas áreas com a cooperação do centro no desenvolvimento e difusão das tecnologias 3D virtuais e impressão 3D.

“Uma revolução está a caminho com o advento da impressão 3D em praticamente todos os setores de atividades, e a saúde, como demonstrado pelo ProMed, é um desses setores. É fundamental para o desenvolvimento do Brasil que participe dessa revolução”, defende o pesquisador-chefe.

Fonte:
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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