Ciência e Tecnologia
Brics devem se unir em atitudes proativas, diz presidente do BNDES
Cooperação internacional
Os países que compõem os Brisc (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) tiveram um “peso relativo” no processo de recuperação nos períodos abruptos da crise financeira internacional, e agora precisam “ter atitudes proativas e estratégicas” para a solução de problemas antigos e comuns.
A avaliação é do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, que participou, nesta terça-feira (25) de um painel no “Seminário Brics: sistemas de inovação e desenvolvimento”. Promovido pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), organização supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o evento termina hoje, no Instituto de Biologia da Universidade de Brasília (UnB).
Segundo Coutinho, a instabilidade internacional não interrompeu o investimento em inovação e o processo de transformações tecnológicas no cenário mundial, em especial na área de tecnologia da informação (TI), que manteve “uma propulsão muito forte na geração e massificação de novos produtos e de sistemas”. Ele ressaltou, ainda, a retomada dos processos de automação e gestão computadorizada e a tendência de disseminação de equipamentos voltados a grandes sistemas relacionados a tráfego urbano, distribuição de energia elétrica e água.
“Estamos no alvorecer de uma era de automação de grandes sistemas urbanos, um conceito novo de internet das coisas, industrial ou de cidades inteligentes”, frisou. “Essas duas transformações estão em curso e significam impactos importantes sob os nossos sistemas de produção e sob a nossa capacidade de competir”, destacou.
Outro desafio, pontuou o professor, diz respeito ao processo de mudanças climáticas e de aquecimento global e à necessidade de se induzir, com políticas mais incisivas e satisfatórias, transformações tecnológicas que poupem energia e reduzam a emissão de gases de efeito estufa.
“Esse paradigma pode ser alcançado se nós soubermos combinar e usufruir a onda de inovação tecnológica que está em curso, extraindo o máximo de vantagens para o processo de transformação e de desenvolvimento com viés de esforços na sustentabilidade.”
Desafios comuns
Além dos novos desafios mundiais, Coutinho elencou os obstáculos comuns aos Brics, apesar das configurações econômicas diferentes quanto ao tamanho de suas populações, à base de recursos naturais e às vantagens competitivas.
“Temos desafios antigos como o processo de desenvolvimento, a infraestrutura, a inclusão produtiva, a geração de emprego para as grandes massas, além de sustentar a competitividade das estruturas industriais e produtivas. Ao mesmo tempo, temos que dar conta dos novos desafios.”
A nova realidade mundial implica a necessidade de estratégias e visão, de maneira forma que as economias em desenvolvimento não se furtem em ter um papel de liderança na agenda de inovação e de sustentabilidade ambiental, especialmente na área de energia renovável e eficiência energética. “Essa agenda nos favorece. Esses desafios comuns nos abrem muitas oportunidades. Deveríamos ambicionar a ter uma política proativa e dar o exemplo.”
Cúpula
Especialistas dos cinco países do bloco estão participando do seminário, que tem por objetivo gerar subsídios para a Reunião de Cúpula dos Brics, a ser realizada em julho, em Fortaleza, com os chefes de Estado de cada país. Na ocasião, a presidência do bloco passará, pela segunda vez, para o Brasil. Atualmente, a África do Sul lidera o grupo.
Nesse sentido, Coutinho ressaltou os progressos alcançados entre os respectivos bancos de desenvolvimento. “Essa cooperação tem nos permitido mapear e intercambiar experiências e poderemos tirar grandes proveitos disso”, informou. “Ter um mecanismo de suporte à inovação é condição sine qua non para enfrentar essa agenda”, acrescentou, ao citar o Plano Inova Empresa como “experiência exemplar” na área.
A iniciativa prevê investimentos de R$ 32,9 bilhões para impulsionar, por meio da inovação tecnológica, a produtividade e a competitividade em diversos setores da economia, tendo com agentes executores o BNDES e a Finep, agência de fomento ligada ao MCTI.
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