Ciência e Tecnologia
Brasil e Países Baixos reforçam colaboração em ciência ambiental e sustentabilidade
Cooperação internacional
A ministra de Infraestrutura e Meio Ambiente dos Países Baixos, Wilma Mansveld, e o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre, assinaram nesta terça-feira (1º) uma carta de intenções para estabelecer novas parcerias entre as pastas em temas ambientais.
“O Brasil é um País enorme, com muitas diferenças regionais e climáticas, onde existe grande preocupação com problemas de desastres ambientais”, disse o titular do MCTI, Clelio Campolina. “Portanto, esse ministério está totalmente empenhando em montar todas as bases de pesquisa e ação prática para não só melhorar as prevenções, como para tentar contornar ou minorar impactos. A Europa tem toda uma tradição, uma experiência acumulada, mas esse intercâmbio será de relevância para as duas dimensões, os dois lados, já que somos regiões diferentes do ponto de vista ambiental e climático.”
Segundo Wilma, os Países Baixos têm interesse em colaborar cada vez mais com os integrantes dos Brics – bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. “Acreditamos que vocês tenham potencial para avançar em várias áreas”, afirmou. “Nós temos prazer em compartilhar nosso conhecimento e perceber a competência das suas organizações.”
Intercâmbio
Pela carta de intenções, os ministérios se comprometem a conduzir pesquisas inovadoras em ciência ambiental e sustentabilidade, ao se apoiarem mutuamente no aperfeiçoamento de técnicas e troca de informações e experiências em meteorologia, climatologia, hidrologia, oceanografia e desastres naturais, além do sensoriamento remoto da atmosfera, dos oceanos e da superfície terrestre, entre outros fenômenos geofísicos.
O documento prevê a participação de entidades brasileiras e neerlandesas, independentemente de vínculo com as pastas. Inicialmente, a parceria deve envolver o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden/MCTI); o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI), por meio dos centros de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) e de Ciência do Sistema Terrestre (CCST); os institutos nacionais de Águas (INA/MCTI) e de Pesquisas Oceanográficas e Hidroviárias (Inpoh) e o Real Instituto Meteorológico dos Países-Baixos (KNMI, na sigla em holandês).
A ministra Wilma Mansveld ressaltou que mudanças climáticas e prevenção a desastres naturais fazem parte do cotidiano do povo neerlandês. “Esses são assuntos que nós discutimos constantemente e, mesmo quando estamos de férias, nos perguntamos como está o tempo”, contou. “Esse costume se deve também ao valor, em termos econômicos, para áreas como a navegação.”
Histórico
Carlos Nobre recordou avanços recentes da cooperação bilateral, firmada em 1969. “Nos últimos dez anos, iniciamos parcerias em bioenergia, bioeconomia, mudanças climáticas, nanotecnologia e gerenciamento de água e solo”, resumiu. O último encontro institucional ocorreu em outubro, quando a ministra de Comércio Exterior e Cooperação para o Desenvolvimento dos Países Baixos, Lilianne Ploumen, discutiu o intercâmbio de conhecimento entre os dois lados com o então secretário executivo do MCTI, Luiz Antonio Elias.
Na ocasião, a diretora do Cemaden, Regina Alvalá, assinou um memorando de entendimento com o diretor para Adaptação Climática e Gerenciamento de Riscos do instituto Deltares, Cees van de Guchte, no qual as instituições se comprometeram a desenvolver projetos de cooperação científica e tecnológica para antecipar a ocorrência de desastres naturais em áreas de risco.
Em seu pronunciamento, no início da reunião desta terça, o ministro Campolina lembrou que os Países Baixos já receberam 1.094 bolsistas do programa Ciências sem Fronteiras – 812 de graduação, 49 de doutorado no exterior, 147 de doutorado sanduíche e 86 de pós-doutorado. Atualmente, segundo o portal ‘Bolsistas pelo Mundo’, 543 estudantes brasileiros estão na Holanda.
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