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Ciência e Tecnologia

Economia em dose de medicação ajuda a prevenir infarto e AVC

Pesquisa e Desenvolvimento

Estatinas utilizadas em dose intermediárias previnem eventos cardiovasculares a um baixo custo, revela estudo do IATS
por Portal Brasil publicado: 09/04/2014 15h07 última modificação: 30/07/2014 01h38

Doses intermediárias de Estatinas fazem bem para o coração e custam menos para o bolso do contribuinte brasileiro. A conclusão é de um estudo realizado ao longo dos três últimos anos pelo Instituto de Avaliação de Tecnologia em Saúde (IATS), INCT sediado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS).

A pesquisa "Efetividade e Custo-Efetividade de Diferentes Esquemas Terapêuticos de Estatinas para Prevenção de Eventos Cardiovasculares" concedeu título de Doutor ao epidemiologista Rodrigo Antonini Ribeiro. Os resultados foram apresentados ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), autor do pedido de avaliação sobre custo-efetividade, e ao Ministério da Saúde, que oferta este medicamento aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Para o professor Flávio Fuchs, coordenador geral do IATS, o estudo demonstra imediata aplicabilidade. "O uso de estatina em dose intermediária, como a sinvastatina, prevenirá uma proporção de infartos e AVCs a um custo baixo. Como essas patologias têm alto custo para o manejo e podem trazer sequelas importantes, particularmente o AVC, se torna plenamente justificada a incorporação de estatinas aos medicamentos disponibilizados pelo SUS", afirma Fuchs.

Sob a ótica econômica, Antonini Ribeiro explica que uma variável importante é o fato de que o Brasil compra Sinvastatina 40 mg (representante da dose intermediária) do mercado asiático, com um preço muito baixo. Já a Atorvastatina 20 mg (representante da dose alta) é adquirida a preços mais elevados, alinhados com as práticas de mercado. Conforme o cientista, tais fatores foram decisivos para que, nas análises, a dose intermediária fosse considerada efetiva e econômica ao emprego no SUS para prevenção de doenças cardiovasculares, ao contrário dose alta.

Antonini Ribeiro conta que a partida para o trabalho foi motivada por proposta do CNPq, que solicitou avaliação das estatinas sem maiores especificações, deixando a cargo do pesquisador determinar como a análise poderia ser conduzida. Após analisar o tema, o cientista garante que se deparou com uma lacuna de conhecimento. "Tanto as análises de efetividade (metanálises), quanto as de custo-efetividade, usualmente comparavam dose alta de estatina versus dose baixa, ou qualquer estatina versus tratamento convencional. E, na nossa visão, agrupar todas as estatinas em apenas dois grupos (dose alta e baixa) era uma simplificação", comenta.

Para o pesquisador, a inovação neste trabalho foi comparar, tanto na metanálise como no estudo de custo-efetividade, quatro opções de tratamento. "Dose alta, intermediária e baixa de estatina, e tratamento convencional; isto é, placebo ou grupo controle", detalha Ribeiro.

O autor da pesquisa destaca que a confirmação da decisão acertada da gestão pública, sob aspectos de custo-efetividade, expressa a importância da Avaliação de Tecnologia em Saúde e deve alertar os gestores sobre a antecipação deste passo no processo de incorporação de medicações e tratamentos ao SUS. "Este tipo de resultado é muito importante para formulação de políticas públicas de saúde. Os gestores ganham informação útil para tomar a decisão. Profissionais e pacientes são beneficiados por decisões baseadas em dados robustos e confiáveis", define.

Inovação

Muito antes do estudo "Efetividade e Custo-Efetividade de Diferentes Esquemas Terapêuticos de Estatinas para Prevenção de Eventos Cardiovasculares", de autoria do pesquisador Rodrigo Ribeiro, o efeito benéfico das estatinas sobre o controle do colesterol e das doenças cardiovasculares já era conhecido. O aspecto inovador praticado neste trabalho científico, assinala a coordenadora adjunta do IATS, Carisi Anne Polanczyk, está na forma de comparação das vantagens clínicas e econômicas, determinadas pela escolha da dosagem.

Outro diferencial desafiador aplicado no estudo foi a compilação de muitas referências bibliográficas, analisadas para a elaboração do problema e para a busca de novas respostas. "Existem milhares de textos sobre o assunto. Por cerca de 20 anos temos estudado a ação de estatinas sobre a redução do infarto, da isquemia cerebral e de outros problemas cardiovasculares. Encontrar novidades é algo notável", assinala a pesquisadora sênior.

Para Carisi, que também atuou como orientadora do trabalho que concedeu título de Doutor ao jovem cardiologista, os resultados do estudo são conclusivos e positivos sob diversos olhares. "Pela apuração de novos aspectos sobre a relação da dose com o benefício da substância, médico e paciente ganham segurança para adotar o tratamento. Pela avaliação de custo-efetividade, os gestores públicos recebem orientação científica concisa para comprovar a viabilidade econômica, tão importante para a estratégia de gestão e a tomada de decisões na Saúde Pública", conclui.

INCT IATS

O Instituto de Avaliação de Tecnologia em Saúde (IATS) vem desenvolvendo sua atuação na produção de orientações e avaliações críticas de tecnologias em saúde no Brasil. Os resultados se situam na área da pesquisa científica e tecnológica, na formação de recursos humanos e na disseminação do conhecimento, de modo a atender interesses do SUS, medicina suplementar e sociedade como um todo.

Com um grupo de mais de oitenta pesquisadores, o IATS tem representatividade nas Universidades Federal e Estadual de São Paulo, Universidade Federal e Estadual de Pernambuco, Universidade Federal de Goiás, Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Universidade de Brasília, Hospital do Coração, Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Fonte:
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

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