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Ciência e Tecnologia

Estudo cromossômico de peixe pode auxiliar técnicas de piscicultura

Genética

Pesquisadora do Inpa mapeou sequências de DNA dos tambacus, espécie resultante do cruzamento do tambaqui com o pacu-caranha
por Portal Brasil publicado: 19/04/2014 15h25 última modificação: 30/07/2014 01h38

Os peixes da espécie tambacu resultado do cruzamento entre o tambaqui (Colossoma macropomum), que tem um rápido crescimento, e entre o pacu-caranha (Piaractus mesopotamicus) foi alvo de estudos para a tese de doutorado da pesquisadora Leila Braga Ribeiro, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI).

A pesquisa buscou traçar a genética desse animal híbrido muito encontrado nas bacias dos rios Paraguai e Prata, presentes também no pantanal. O estudo envolveu a caracterização citogenética e o mapeamento de sequências de DNA repetitivos no genoma deles. Também foram analisados espécimes do tambaqui.

Durante os estudos foram analisados 17 exemplares. Tanto nas espécies parentais quanto nos híbridas esses indivíduos apresentam uma grande similaridade cariotípica.

De acordo com a pesquisadora, o objetivo do mapeamento das sequências de DNAs repetitivos é importante, pois ajuda a verificar possíveis rearranjos cromossômicos para a diferenciação entre as espécies tambaqui e tambacu.

“Isso é importante porque uma vez que nós temos diferentes números de marcações, a gente consegue, mapeando o híbrido, ver uma forma de identificação, uma vez que o híbrido apresenta cinco cromossomos marcados, sendo um número intermediário”, explicou.

A pesquisa

Foram analisados 17 exemplares, os tambaquis (C. Macropomum) eram originários da piscicultura da fazenda Santo Antônio, em Rio Preto da Eva, os pacus-caranha (P. Mesopotamicus) e os híbridos eram provenientes do Centro de Educação Tecnológica em Aquacultura que fica em Monte Aprazível (SP).

Durante a análise celular foi observado o tambaqui possui 54 cromossomos dos tipos meta e submetacêntricos, assim como o pacu-caranha e o tambacu. Conforme Leila, em um segundo momento, quando utilizou-se a técnica de FISH (Hibridização in situ por fluorescência), foi possível perceber que existem diferenças nas células das espécies parentais com relação aos híbridos.

O mapeamento

Um dos objetivos da pesquisa era fazer um mapeamento da distribuição das sequências de DNA ribossomal 5s e 18s, que são considerados marcadores, e dos elementos retrotransponíveis Rex3 Rx6 em elementos híbridos de tambacu, assim como nas espécies parentais: tambaqui e pacu-caranha.

O mapeamento do DNA ribossomal 18S, mostrou-se eficaz na identificação e na separação dos tambacus, pois a morfologia do tambacu é muito semelhante à morfologia do Tambaqui e a do pacu-caranha (espécies parentais). Segundo a pesquisadora, “esse diagnóstico por conta do mapeamento do 18S seria uma forma de identificar os indivíduos ainda jovens por cultura de sangue para saber, na piscicultura, quem é quem, com que espécie a gente está trabalhando. Se é espécie parental ou então se é um híbrido”.

Elementos transponíveis

O foco maior para as sequências de elementos transponíveis se dá pelo fato delas terem a capacidade de se mover ao longo do genoma, além de se mobilizar, algumas são auto duplicantes.

No caso dos retrotransposons, os movimentos assim como as duplicações dessas sequências de DNA não acontecem por acaso, elas podem ser, inclusive, por respostas a estresse ambiental como temperaturas mais baixas, por exemplo.

Na prática, esses elementos podem alterar positivamente fazendo com que o tambacu tenha uma melhor resistência à baixa temperatura ou ter um crescimento mais rápido.

Fonte:
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia

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