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Ciência e Tecnologia

Pesquisa cria biofábricas de proteínas e reproduz teia de aranha

Bactérias transgênicas

Desenvolvimento da pesquisa possibilitará a reprodução do material pelas indústrias de forma sustentável e econômica
por Portal Brasil publicado: 11/04/2014 13h24 última modificação: 30/07/2014 01h38
Divulgação/Portal do Professor-MEC Proteínas recombinantes são feitas artificialmente a partir de genes clonados

Proteínas recombinantes são feitas artificialmente a partir de genes clonados

Houve um tempo em que a humanidade precisava extrair matéria-prima direto da natureza para sobreviver. Ao longo dos anos, e com o desenvolvimento das tecnologias, o homem passou a produzir tudo o que precisa para sua existência. Porém, ainda existem materiais que somente os seres recolhidos nos biomas são capazes de fabricar. Mas isso já está mudando.

A teia da aranha, por exemplo, é flexível e resistente, duas características cobiçadas pelas indústrias. Assim como os plásticos, as fibras das aranhas servem para inúmeros artigos, desde materiais médicos, como fio para microssutura, até para a defesa nacional, na produção de coletes à prova de balas. Mas seriam necessários milhares destes animais para produção das fibras em escala industrial.

Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), financiados pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), desenvolveram uma forma de produzir fibras com as mesmas características das teias de aranha, mas sem precisar retirar o animal da fauna. Isso possibilita a reprodução do material pelas indústrias de forma sustentável e econômica.

"Nós desenvolvemos uma tecnologia onde fizemos o genoma de várias aranhas, coletadas nos biomas brasileiros, e dominamos a parte de produzir essas moléculas no laboratório com bactérias transgênicas", explicou o doutor em engenharia genética e coordenador da pesquisa na Embrapa, professor Elíbio Rech.

Plataforma Tecnológica para fármacos

Outra descoberta da equipe de pesquisadores foi a produção de moléculas de proteínas recombinantes por meio de biofábricas. A intenção dos cientistas é formar uma plataforma tecnológica que poderá ser utilizada para fabricação de produtos farmacêuticos com baixo custo e de forma sustentável para o planeta.

De acordo com o professor Elíbio Rech, a ideia é usar plantas já domesticadas, a exemplo da soja, como biorreatores, e avaliar todos os sistemas capazes de produzir moléculas para os setores farmacêutico e industrial para que, futuramente, façam parte da plataforma. "E isso tem ligação com o desenvolvimento de produtos que venham ao encontro de uma sustentabilidade, de uma bioeconomia", explica.

As proteínas recombinantes são feitas artificialmente a partir de genes clonados. Neste caso, os pesquisadores conseguiram reproduzir em larga escala, dentro do grão de soja ou na folha de tabaco, proteínas que podem ser utilizadas para criar antígenos contra o câncer, antiviral do HIV, hormônio do crescimento e o fator de coagulação IX, para tratar pessoas com hemofilia.

A escolha da soja, de acordo com Rech, foi devido à capacidade de estocagem e à durabilidade das sementes, que podem manter as moléculas ativas por até cinco anos. Já o tabaco é uma planta na qual é possível produzir as proteínas de forma mais rápida do que em outros sistemas. "Nossos resultados indicam que a semente de soja consegue acumular a molécula Cyanovirin - que atua na replicação do HIV- em alto nível. Por outro lado, conseguimos acumular o antígeno contra câncer em alta quantidade nas folhas de tabaco", conta.

Para coordenador do projeto, o baixo custo da produção e em maior quantidade contribui para o mercado, já que implica na redução do custo final do produto. "O que faz é expandir o agronegócio - voltado para a produção de alimentos - para a produção de matéria prima de altíssimo valor agregado para o setor farmacêutico. É uma expansão da aplicação da agricultura para outros segmentos", conclui.

Financiamento

A pesquisa recebeu aporte financeiro da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), no valor de R$ 1.534.090,48, de acordo com edital 03/2009 do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex/FAPDF/CNPq).

Fonte:
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

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