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Ciência e Tecnologia

Cartilha traz percepção de agricultores sobre as mudanças climáticas

Semiárido

Estudo da Rede Clima traz medidas locais de adaptação aos possíveis impactos das alterações do clima no serão nordestino
publicado: 24/06/2014 16h16 última modificação: 30/07/2014 01h40

A sub-rede Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Regional da Rede Clima (Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais) apresentou, por meio de quadrinhos, a percepção de agricultores familiares do sertão nordestino sobre as alterações no clima, e como isso tem afetado as suas atividades produtivas.

O resultado da pesquisa acaba de ser lançado e está disponível na internet. Uma versão impressa está sendo elaborada para distribuição a educadores, estudantes, técnicos agrícolas e agricultores da região.

Em 2011 e 2012, pesquisadores da sub-rede, em parceria com universidades locais, aplicaram aproximadamente 1.140 questionários, distribuídos entre quatro regiões do Semiárido brasileiro: Juazeiro (BA), Gilbués (PI), Seridó Potiguar (RN) e Chapada do Araripe (CE).

O levantamento teve como objetivos identificar a percepção das populações locais e dos formuladores de políticas públicas quanto aos impactos das mudanças climáticas e suas implicações sobre as atividades produtivas;  além de identificar vulnerabilidades socioeconômicas e ambientais nas localidades selecionadas e suas implicações sobre as atividades produtivas.

Também foi analisada a capacidade de adaptação dos sistemas produtivos e grupos sociais mais frágeis socialmente, frente aos impactos ambientais e sociais originados das possíveis alterações climáticas nos territórios selecionados; e como programas governamentais existentes ajudam na diminuição ou no aumento da vulnerabilidade às possíveis alterações climáticas nas regiões estudadas, a fim de identificar medidas locais de adaptação aos possíveis impactos das mudanças climáticas nas regiões.

O trabalho foi realizado por meio do projeto Mudanças Climáticas, Produção e Sustentabilidade: vulnerabilidade e adaptação em territórios do Semiárido, financiado pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Diálogo de saberes

Após a pesquisa de campo, propôs-se a produção da cartilha como forma de restituir os dados aos agricultores e de contribuir com a disseminação do conhecimento junto a outros públicos. Com o objetivo de estabelecer um diálogo de saberes, os estudos da sub-rede estão sendo pautados pela troca de conhecimento sobre as mudanças do clima.

“Nesse sentido, a cartilha não pretende ser apenas um material educacional a respeito da visão científica em relação à mudança climática, mas pretende também reconhecer a importância da percepção das comunidades locais para análise socioambiental do clima e para estabelecer as possíveis estratégias de adaptação”, explica a pesquisadora Melissa Curi, uma das organizadoras da publicação.

“Valorizando ambos os conhecimentos (científico e tradicional), buscamos compreender as mudanças climáticas por um viés que abrange aspectos sociais, econômicos, ambientais e culturais, que reconhecemos como um caminho para a sustentabilidade”. Financiada pela CAPES, a cartilha também teve como organizadoras as pesquisadoras Stéphanie Nasuti, Gabriela Litre e Juliana Dalboni Rocha. As ilustrações são de Jean Galvão.

Sobre a Rede Clima

A Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais), sediada no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), tem como missão gerar e disseminar conhecimentos para que o Brasil possa responder aos desafios representados pelas causas e efeitos das mudanças climáticas globais.

Enseja o estabelecimento e a consolidação da comunidade científica e tecnológica preparada para atender plenamente às necessidades nacionais de conhecimento, incluindo a produção de informações para formulação e acompanhamento das políticas públicas sobre mudanças climáticas e para apoio à diplomacia brasileira nas negociações sobre o regime internacional de mudanças climáticas. 

Sobre a sub-rede Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Regional

A sub-rede Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Regional (MCDR) é coordenada pelos pesquisadores Marcel Bursztyn e Saulo Rodrigues Filho, do Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da Universidade Brasília (UnB). Os trabalhos da sub-rede têm como motivação científica acompanhar e contribuir com o debate sobre adaptação, vulnerabilidade e resiliência da agricultura familiar. Os impactos das mudanças climáticas na sustentabilidade de territórios produtivos e condições de vida na Amazônia, Cerrado e Semiárido têm sido o tema das pesquisas.

A sub-rede consolida parcerias com universidades nos biomas de abrangência em projetos de pesquisa e em capacitações, além da parceria com os projetos internacionais Lupis (Land Use Policies and Sustainable Development in Developing Countries) e Druramaz I (Desenvolvimento Sustentável na Amazônia). A metodologia de trabalho inclui consulta a bancos de dados para simulações e abordagens interdisciplinares, de acordo com as linhas de atuação do Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da Universidade de Brasília (UnB).

Fonte:
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

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