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Ciência e Tecnologia

Técnicas de irrigação possibilitam produção de açaí na entressafra

Pesquisa agropecuária

Cruzamento das melhores plantas resultará em nova cultivar de açaí da Embrapa Amazônia Oriental, afirma pesquisador
publicado: 22/07/2014 18h55 última modificação: 22/07/2014 18h55

O Pará está entrando no período de safra do açaí (euterpe oleracea), que inicia em julho e se estende até dezembro. Mas é na entressafra – de janeiro a junho - que o retorno financeiro ao produtor rural é maior, especialmente para aqueles que já utilizam a irrigação nos plantios de terra firme.

A Embrapa Amazônia Oriental vem desenvolvendo pesquisas com o melhoramento genético e práticas de irrigação e adubação de açaizeiro de terra firme para produção na entressafra. Os primeiros resultados são apresentados a técnicos extensionistas em área de produtor no município de Igarapé-Açu, nordeste do Pará.

O pesquisador João Tomé de Farias Neto explica que aumentar e padronizar produção de açaí no Pará são desafios que a pesquisa agropecuária vem enfrentando há muitos anos.  A Embrapa já lançou o Manejo de Açaizais Nativos e a cultivar de açaí de terra firme BRS Pará, importantes passos da pesquisa para melhorar a cadeia produtiva dessa palmeira.  Mas é a produção na entressafra que hoje representa o maior desafio da pesquisa.

"Nos meses de julho a dezembro é que o Pará produz de 70% a 80% do seu açaí, e a pesquisa ainda não conseguiu diminuir essa diferença. Mesmo produzindo mais de 600 mil toneladas de frutos ao ano, essa produção ainda é pouca frente à demanda regional, nacional e internacional", afirma o pesquisador. Além disso, a produção hoje ainda apresenta alta variabilidade genética, ou seja, diferenças de coloração do fruto, diferenças entre rendimento de polpa, tamanho de plantas e cachos, produtividade, e outros fatores que são obstáculos a uma produção em larga escala e com padrão de qualidade.

A primeira premissa para mudar essa realidade, segundo o pesquisador, é a impossibilidade de produzir açaí em terra firme sem irrigação, visto que a palmeira é nativa das áreas de várzea, onde passa a maior parte do tempo em solos inundados pelo movimento das marés. Ele diz que praticamente todos os produtores de açaí de terra firme do Pará já utilizam a irrigação, ainda que de forma empírica e sem medidas exatas para a melhor produtividade do plantio e rentabilidade da atividade.

Melhoramento genético

Desde 2002, o pesquisador João Tomé de Farias Neto trabalha com o melhoramento genético da cultura do açaí para a produção na entressafra. O trabalho é de longo prazo, pois envolve desde mapeamento de plantas em diferentes regiões do estado até a análise do comportamento das plantas por cinco ou mais safras anuais.

Para lançar a cultivar que produzirá na entressafra, o pesquisador mapeou no estado do Pará os municípios que apresentavam boa produtividade de açaí o ano inteiro. Desse mapeamento, a pesquisa selecionou 500 plantas nos municípios de Afuá, Chaves e Anajás considerando duas características importantes: alta produtividade e o tamanho dos frutos, visto que 'batedores' de açaí indicaram durante a pesquisa que os frutos pequenos são melhores, pois têm mais rendimento de polpa.

As 500 plantas foram avaliadas individualmente durante cinco safras, ou seja, cerca de nove anos, visto que o açaí começa a produzir com 3,5 anos e as safras são anuais. Das avaliações, o pesquisador chegou a 45 matrizes de plantas, que apresentam alta produtividade o ano todo e maior rendimento de polpa (tamanho de fruto pequeno).

As matrizes estão sendo cultivadas no campo experimental da Embrapa em Tomé-Açu, onde a pesquisa está avaliando o comportamento delas em terra firme e a quantidade de agua necessária ao longo das safras. "Lá a irrigação, adubação e o desenvolvimento das plantas são avaliados em condições totalmente controladas", diz o pesquisador.  É a partir do cruzamento das melhores plantas que sairá a nova cultivar de açaí da Embrapa Amazônia Oriental. "Será uma cultivar para terra firme que produz na entressafra, com todas as orientações de manejo e irrigação", finaliza João Tomé Neto.

Fonte:
Embrapa
 

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