Ciência e Tecnologia
Rio de Janeiro sediará Congresso Mundial de Fertilizantes
Inovação agrícola
O Rio de Janeiro vai sediar, entre 20 e 24 de outubro de 2014, o 16º Congresso Mundial de Fertilizantes, um dos principais fóruns mundiais sobre o assunto. O evento que acontece pela primeira vez no Brasil, terá como tema principal a utilização de fertilizantes nos trópicos.
Organizado pela pela Embrapa e Rede FertBrasil, em parceria com o Centro Científico Internacional de Fertilizantes (CIEC) e Universidade de São Paulo (Esalq/USP), o encontro servirá de palco para diversas empresas do setor demonstrarem seus avanços tecnológicos e compartilharem experiências com pesquisadores.
Outros tópicos que serão debatidos incluem uso direto de agrominerais, fertilizantes de base orgânica e a adição de micronutrientes e macronutrientes secundários em fertilizantes NPK.
Mais de uma dezena de autoridades brasileiras e mundiais em fertilizantes estarão presentes, com destaque para Ismail Cakmak, da Universidade de Sabanci, Turquia (especialista em nutrição de plantas), o americano Mark Alley (fertilizantes em um manejo integrado planta-nutriente) e Andrew Sharpley (fertilizantes e meio ambiente), da Universidade de Arkansas, Estados Unidos.
Meio Ambiente
Vale lembrar que a visão do assunto no Brasil e na Europa é muito diferente. "Os europeus têm uma visão diferente da nossa", conta Vinicius Benites, pesquisador da Embrapa Solos e coordenador da Rede FertBrasil.
"Alguns fertilizantes, como os fosfatos, extremamente importantes para nossa agricultura, são tratados muitas vezes como contaminantes pela Comunidade Europeia. Nossos solos necessitam de fertilizantes em doses adequadas porque a fertilidade natural da maioria dos nossos solos é baixa ou muito baixa", completa Benites.
Por outro lado, é vital a orientação profissional na hora da aplicação para fazê-la baseada nas boas práticas de utilização de fertilizantes (BPUFs). Culturas como batata, tomate e hortaliças em geral, onde são utilizadas grandes quantidades de fertilizantes, podem contaminar as fontes próximas de água com nitrogênio e outros nutrientes caso haja aplicação excessiva do insumo. Essa contaminação aconteceu, por exemplo, em alguns aquíferos em Israel.
Um exemplo foi o ciclo do café, que durou até 1930, portanto antes da invenção dos fertilizantes. Durante 15, 20 anos a terra respondeu bem, graças ao estoque de resíduos da floresta que antes havia nessas áreas e fornecia nutrientes para o café. Ao longo do tempo esses resíduos se exauriram e a produção caiu vertiginosamente.
"Por outro lado, o aumento da produtividade dos cereais e fibras está estreitamente relacionado com o uso de fertilizantes da forma mais eficiente", diz o pesquisador da Embrapa Solos José Carlos Polidoro.
Esse fato ameniza a pressão ambiental, que exige uma produção agrícola sem desmatamento de novas áreas, aliada à exigência de mais alimentos para uma população em crescimento. O uso de nutrientes modernos foi fundamental para que a produção agrícola no Brasil crescesse sem a necessidade de derrubar mais florestas.
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