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Ciência e Tecnologia

Unasul define ações para programa de energia em combustão

Seminário

Representantes da União de Nações Sul-Americana consideram prioridade a capacitação de recursos humanos na área
por Portal Brasil publicado: 01/10/2014 10h33 última modificação: 01/10/2014 10h34
Divulgação/MCTI Coordenador do programa, Luís Fernando Figueira Silva, destacou possibilidade de compartilhamento de infraestrutura

Coordenador do programa, Luís Fernando Figueira Silva, destacou possibilidade de compartilhamento de infraestrutura

Autoridades e representantes dos países que integram a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) definiram, em Brasília (DF), os próximos passos para a implementação do programa de Capacitação de Recursos Humanos na área de Energia – Combustão. O grupo participou, durante dois dias, de um seminário organizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).

Pela proposta de Plano de Ação 2015-2016, foram desenhadas três grandes metas, sendo a primeira com foco na formação de recursos humanos. A ideia é usar a capacidade existente no âmbito da Unasul para viabilizar o sistema de pós-graduação em países que não o possuem e criar escolas específicas com a realização de cursos que atendam demandas das nações envolvidas.

A segunda ação está voltada para o desenvolvimento de ciência, tecnologia e inovação. A intenção é identificar as colaborações existentes e as novas possibilidades para a realização de projetos conjuntos e inovadores que sejam formatados e executados pelas instituições do programa.  A meta é determinar ações de divulgação das tecnologias a serem desenvolvidas para a sociedade e o setor produtivo.

"Essa é a ação mais imediata a ser concluída até o final desse ano. Em seguida, vamos determinar e definir também o estatuto do programa, os seus atores e como vai operar", ressaltou o coordenador do programa sobre energia em combustão da Unasul, Luís Fernando Figueira Silva.  "Esperamos que essas ações levem ao compartilhamento de infraestrutura e de equipes. Alguns países têm infraestrutura que outros não têm e podemos desenvolver tecnologia, ciência e inovação usando essa infraestrutura", acrescentou.

O grupo também debateu sobre a possibilidade da realização de missões e oferta de bolsas de curta duração para possibilitar o intercâmbio entre os pesquisadores e o desenvolvimento de forma colaborativa em trabalhos laboratoriais e de desenvolvimento científico e tecnológico, bem como a possibilidade de lançamento de um primeiro edital, o compartilhamento em espanhol de publicações desenvolvidas pela Rede Nacional de Combustão do Brasil e um estudo na área a ser conduzido pelo MCTI e pelo Banco de Desenvolvimento América Latina (CAF).

Desafios

O coordenador, que é também professor do Departamento de Engenharia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), destacou, ainda, a evolução do evento com os parceiros sul-americanos, inclusive com a identificação de preocupações comuns e temas convergentes, relacionados com a indústria de transformação, o setor de petróleo e siderurgia e a necessidade de uso eficiente da biomassa – grande geradora de energia nesses países, em particular em sistemas e populações isoladas.

Para o pesquisador, enfrentar o desafio de promover o potencial de economia e sistemas energeticamente mais eficientes permitirá evitar vultosos investimentos desnecessários em infraestrutura. "A combustão representa 85% da energia gerada em nossos países, então cada fração que conseguirmos de eficiência é menos combustível usado e mais dinheiro economizado, além de levar à população uma energia mais barata e que promova o desenvolvimento social e econômico", avaliou o pesquisador.

Representantes do MCTI ressaltaram o sucesso do evento pela participação de quase todos os países da região, dos delegados da Unasul, e de representantes de organismos internacionais, de agências de fomento e de empresas como a Petrobras e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).  "O nosso desafio é não deixar nenhum país da Unasul fora dessa rede", destacou o chefe da Assessoria de Assuntos Internacionais, Marcos Formiga.

Formiga reforçou a necessidade de um esforço no sentido de se fazer uma transição da pesquisa acadêmica para a tecnológica. "No Brasil um paper acadêmico vale muito mais do que uma patente, e isso é um equívoco que precisa ser corrigido. Certamente os colegas sul-americanos devem sofrer do mesmo problema em seus países de origem", observou. "Esse desenho de ciência e tecnologia precisa ser modificado e dar cada vez mais espaço não só para a pesquisa tecnológica como também à participação das atividades de P&D [pesquisa e desenvolvimento] nas empresas", disse.

Expectativa

Para o professor Radjiskumar Mohan, do Departamento de Biotecnologia da Universidade Anton de Kom do Suriname, o programa representa uma grande chance de integração com os colegas sul-americanos. "Abre-se agora um novo caminho para fortalecer nossos laços na parte de desenvolvimento e tecnologia", afirmou o pesquisador, que teve a sua formação acadêmica na área de engenharia química e tecnologia de alimentos na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e voltou ao seu país para levar o conhecimento adquirido em território brasileiro.

"Tenho muita confiança no trabalho desenvolvido no Brasil, especialmente, em tecnologias aplicadas relacionadas a problemas do campo que conseguem responder às necessidades da sociedade e da própria indústria, com o agricultor, por exemplo", pontuou. "Aprendi muito com os trabalhos de pesquisa e produção tecnológica tanto que tive duas patentes registradas aqui em conjunto com os professores da universidade paranaense."

Para o diretor do Instituto de Engenharia Mecânica e Produção Industrial da Faculdade de Engenharia da Universidade da República do Uruguai (Udelar), Pedro Curto, é grande a expectativa em relação ao programa. "Falta formação de gente capacitada na área de combustão no Uruguai. Essa iniciativa é um ponto inicial muito importante para gerar conhecimento local e melhorar a indústria de toda América Latina e no nosso país, particularmente", disse.

"A CAF pode servir de facilitador desse programa que nasceu no Brasil, porque podemos ter  oficinas em cada país. Somos um organismo regional e podemos nos mover com uma velocidade diferenciada", afirmou o executivo principal da CAF, Alvaro Atilano, que participou do seminário com a missão de conhecer o programa.

Fonte:
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação 

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