Ciência e Tecnologia
Workshop avalia cenário das Redes Elétricas Inteligentes no Brasil
Pesquisa e Desenvolvimento
No Workshop Smart Grid Brasil 2014 iniciado nesta última segunda-feira (20), em Brasília, o consultor em energia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marcelo Pelegrini, apresentou o cenário e os desafios a serem superados para o desenvolvimento das Redes Elétricas Inteligentes (REI) no País.
O relatório reflete uma análise do mapeamento nacional da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e dos Diálogos Setoriais, uma ação realizada entre o governo brasileiro e a União Europeia, em que o MCTI coordena o tema de política energética na área.
Como destacou Pelegrini em sua apresentação, nas smart grids (redes de inteligente) são empregadas tecnologias digitais para monitorar e controlar o transporte de eletricidade em tempo real, havendo fluxo bidirecional de energia e de informações entre a concessionária e o consumidor final.
Para isso, utiliza-se sistemas de medição, de automação e de interação com clientes que oferecem novas funcionalidades automáticas e requerem infraestrutura adequada de Tecnologia da Informação (TIC).
"A implementação desse sistema possibilita a adoção de uma gama de serviços, viabilizando novos mercados e oportunidades de fortalecimento do relacionamento das distribuidoras de energia com seus clientes", destacou o especialista no relatório.
Investimentos
O mapeamento nacional da ABDI sobre o cenário de REI no Brasil revelou ainda a existência de 200 projetos na área, com investimentos aproximados de R$ 1,6 bilhão em pesquisa e desenvolvimento (P&D), envolvendo 450 instituições.
Deste total, 126 centros pesquisa, desenvolvimento e inovação no Brasil estão relacionados ao fornecimento de energia. Entre as motivações para o investimento em P&D nesta área está a expectativa de melhoria da qualidade do fornecimento, a redução de custos operacionais e de se ter uma maior gerenciamento e visibilidade do que acontece no fornecimento de energia.
Barreiras
As smart grids apresentam-se como uma das fortes tendências mundiais quanto à modernização do sistema elétrico. Entre as barreiras identificadas para o desenvolvimento do setor no Brasil estão: a limitação dos recursos de P&D, especialmente no aspecto da inovação; o esgotamento do modelo regulatório; a baixa maturidade do mercado; a ausência de uma política industrial vertical (com linhas específicas para REI); a dificuldade de sinergia com as telecomunicações; e a falta de formação de mão de obra qualificada.
"O técnico e o engenheiro passarão a projetar uma rede elétrica com a sinergia, com uma rede de telecomunicações, com uma rede de interação distribuída e os processos de automação e proteção", destacou Pelegrini.
De acordo com ele o modelo de negócios no setor regulatório não suporta adequadamente tanto o mercado quanto a indústria de redes inteligentes. "Como uma v base de inovação e um modelo de negócios mais consolidado, ou seja, um plano que dê diretrizes claras e utilize os instrumentos de apoio adequados, teremos seguramente a indústria participando desse processo", avalia.
Cenário
Entre as informações apresentadas pelo consultor do MCTI está a classificação dos projetos das 63 empresas concessionárias de distribuição. Os dados revelam que 45% do dela estão iniciando os processos de estudo a adoção de tecnologias de smart grids. Quinze por cento das companhias são consideradas investigadoras e trabalham com uma gama variada de áreas.
Ainda 27% das empresas estão em fase de demonstração dos projetos. "São projetos demonstrativos que querem trabalhar com a grande maioria dos conceitos, automação, medição, interação com o consumidor, armazenamento de energia, e mobilidade elétrica".
As concessionárias pioneiras nos projetos de smart grids equivalem a 12% do total. "São aquelas que já estão com os projetos demonstrativos bastante avançados, que já foram concluídos e que estão preparando a disseminação disso em todas as empresas", explica.
Encontro
O Workshop acontece até quarta-feira (22), no Itamaraty, em Brasília. Participam do evento representantes brasileiros de geradoras, transmissoras e distribuidoras de energia elétrica, de fornecedores e fabricantes de soluções para tecnologias da informação em Redes Elétricas Inteligentes, de governo, de institutos e de centros de pesquisa, além de representantes internacionais de países do Reino Unidos, da Dinamarca, de Portugal, dos Estados Unidos, da Espanha, do Japão, do Chile, da China, entre outros.
A expectativa dos organizadores é de que o evento seja uma oportunidade para a indústria nacional conhecer a realidade de REI de outros países, bem como estabelecer contatos com empresas internacionais para futuras parcerias produtivas.
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