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Ciência e Tecnologia

Segundo brasileiro a viajar ao espaço destaca motivações

Entrevista

De acordo com Pedro Nehme, curiosidade, dedicação e foco são características fundamentais para seguir a carreira espacial
por Portal Brasil publicado: 31/03/2015 17h38 última modificação: 31/03/2015 18h06

"Curiosidade, dedicação e foco". De acordo com o segundo brasileiro a viajar ao espaço, Pedro Nehme, estes são os três pilares fundamentais que devem acompanhar os interessados em seguir carreira espacial.

Estudante de engenharia elétrica pela Universidade de Brasília (UnB), Pedro acredita que o sucesso profissional deriva de um conjunto de fatores associados à competência técnica. “De fato, um curso superior na área de engenharias ou ciências naturais é muito recomendado”, afirma.

Se o ensino superior possibilita o aprofundamento na área escolhida, a educação básica apresenta ao estudante os conteúdos básicos que podem explorados. “Uma das razões por ter escolhido engenharia e depois ingressado na área espacial se deve as minhas aulas de física no ensino fundamental e médio”, revela.

Hoje, com 23 anos, Pedro leva consigo cada característica fundamental estimulada desde sua infância. “Quando era pequeno eu adora ir aos aeroportos ver os aviões. O teto do meu quarto também era cheio de estrelas, ficava imaginado como seria estar algum dia no espaço."

Experiência inédita

O que antes era apenas idealização virou realidade há dois anos. Após vencer um concurso promovido pela companhia aérea holandesa, KLM, Pedro venceu um desafio e desbancou 129 mil participantes. Como prêmio, conquistou a vaga para a viagem espacial. 

A viagem rumo ao espaço a bordo de uma espaçonave “Lynx Mark II”, da empresa ‘XCOR Space Experditions’ deve acontecer no final de 2015.

O voo suborbital deve durar entre 45 e 60 minutos. Durante este intervalo, Pedro conduzirá um experimento a ser desenvolvido por uma escola de educação básica. A seleção do equipamento será feita pelo 5º Anúncio de Oportunidade, do Programa de Microgravidade da Agência Espacial Brasileira, unidade veiculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).  

Treinamentos

Enquanto isso, Pedro realiza uma bateria de treinamentos financiada pelo Programa Microgravidade da AEB. O primeiro treinamento, realizado em março,  consistia em adentrar em uma centrífuga chamada ‘Phoenix’, do NASTAR Center’. 

“Em uma das centrífugas, foram reproduzidas a fase de lançamento e reentrada do veículo espacial, incluindo o visual e o som ambiente, como se eu realmente estivesse a bordo de uma espaçonave”, comenta Pedro que durante a experimentação, recebeu orientações técnicas para identificar os efeitos fisiológicos das acelerações e manter a consciência corporal durante o voo.

Os próximos treinamentos serão realizados ao longo do ano. Entre eles, será realizado um voo zeroG, na Rússia, para simular o ambiente de microgravidade e outro incluindo um voo de caça.

Pontapé inicial

Em 2012, durante o curso de engenharia elétrica pela Universidade de Brasília (UnB), Pedro se deparou com a oportunidade de realizar um intercâmbio nos Estados Unidos, através do Programa Ciência sem Fronteiras. “Lá fui estudar em Washington, DC, na Catholic University of America, universidade que, inclusive, participa do programa de estágios da Agência Espacial Americana (Nasa)”, explica.

Na ocasião, a professora do departamento de Física da universidade, Duilia de Mello, viu a possibilidade de ingressar estudantes brasileiros no “Goddard Space Flight Center”. “Foram selecionados alguns brasileiros para estágios neste centro e eu fui um dos escolhidos. Iniciei no mês de março até dezembro do mesmo ano”.

Durante este tempo, Pedro participou de um projeto sobre o balão de alta altitude chamado BETTII. “Este balão carregava um telescópio até altitudes elevadas, com o intuito de diminuir a influência da atmosfera na captação das imagens.”, explica.

Dentro do projeto foram realizadas três experiências. “O primeiro foi desenvolver uma câmara criogênica, para que os dispositivos do balão fossem testados. Junto com outros alunos americanos fizemos um sensor de estrelas, que é uma câmera que ajuda no apontamento do telescópio no céu. Durante o segundo semestre também trabalhei no desenvolvimento de circuitos eletrônicos e na análise estrutural do balão.”

Seleção

O experimento que irá embarcar com o Pedro pode ser confeccionado por escolas públicas de educação básica em parceria com instituições de ensino superior (IES).

A iniciativa está sendo feita por meio do 5º Anúncio de Oportunidade (5º AO), do Programa Microgravidade da AEB. As propostas devem ser cadastradas exclusivamente pela internet até 27 de abril. A divulgação do resultado está prevista para o dia 2 de maio.

A chamada pública busca o desenvolvimento de um dispositivo eletrônico compacto, portátil, wearable (que pode ser facilmente integrado ao corpo, com dimensões e massa que não comprometam a execução de movimentos) e não invasivo.

O experimento deve ser capaz de avaliar os diversos aspectos fisiológicos relacionados à exposição do corpo humano ao ambiente de microgravidade e hipergravidade, decorrentes de um voo suborbital tripulado.

Fontes:
Portal Brasil com informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Agência Espacial BrasileiraMinistério da Educação e Programa Microgravidade

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