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Agência de Energia Atômica vai ajudar a combater o Aedes

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Um irradiador gama de cobalto-60 vai permitir a produção de até 12 milhões de machos estéreis do mosquito por semana, a partir de setembro
publicado: 25/02/2016 13h22 última modificação: 27/02/2016 09h56
Divulgação/EBC Liberação dos mosquitos esterilizados está prevista para começar até o final do ano, em municípios com até 30 mil habitantes

Liberação dos mosquitos esterilizados está prevista para começar até o final do ano, em municípios com até 30 mil habitantes

Em meio ao cenário de epidemia do zika vírus na América Latina e no Caribe, a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) anunciou nesta semana que vai transferir ao Brasil a tecnologia necessária para esterilizar machos do mosquito Aedes aegypti em uma tentativa de controle populacional do vetor na região.

O equipamento será enviado para a biofábrica Moscamed Brasil, localizada na cidade de Juazeiro, região norte da Bahia. A instituição foi escolhida pela própria agência de energia nuclear das Nações Unidas e será a primeira biofábrica do mundo a utilizar a tecnologia de raios x para esterilização de insetos e controle biológico de pragas.

Para o doutor em radioentomologia pelo Centro de Energia Nuclear Aplicada à Agricultura da Universidade de São Paulo (USP) e diretor-presidente da Moscamed, Jair Virgínio, a chegada de um irradiador gama de cobalto-60 vai permitir à biofábrica a produção de até 12 milhões de machos estéreis do Aedes aegypti por semana.

Uma vez superados os procedimentos de desembaraço para a entrada do aparelho no País, sobretudo no que diz respeito às normas técnicas para equipamentos nucleares, a expectativa é que a produção em larga escala de machos estéreis seja iniciada até setembro. Já a liberação dos mosquitos está prevista para começar até o final do ano – inicialmente, em municípios com até 30 mil habitantes.

Segundo Virgínio, a técnica a ser usada se assemelha a uma espécie de controle de natalidade do mosquito. "É sempre bom lembrar que o macho não pica as pessoas. Ele se alimenta de substâncias açucaradas, como néctar e seiva. É a fêmea quem precisa de sangue para maturar os ovos e colocá-los. E a fêmea do Aedes copula uma única vez na vida", explicou.

O processo de soltura desses mosquitos ainda está sendo discutido. De acordo com o pesquisador, há a possibilidade de ser feita a liberação em ambiente de forma terrestre e também de forma aérea. A primeira consiste na simples abertura de recipientes que contenham os insetos. A segunda estratégia consiste na utilização de helicópteros e drones para auxiliar na soltura.

A liberação desses mosquitos será semanal, sendo que, a cada sete dias, serão liberadas exatamente a mesma quantidade. "Vamos usar como exemplo a proporção de dez machos estéreis para cada macho selvagem. Estamos promovendo uma concorrência desleal, fazendo com que a probabilidade de cruzamento com um macho estéril seja dez vezes maior que com um macho selvagem. Na semana seguinte, a mesma quantidade de insetos é liberada. A concorrência, agora, será de 20 para um. Dessa forma, a possibilidade de acasalamento entre um macho selvagem e uma fêmea selvagem vai diminuindo em escala exponencial", afirmou.

O Ministério da Saúde deve definir prioridades de municípios que receberão os mosquitos, levando em consideração características como população, relevo e disponibilidade de recursos. Bahia e Pernambuco já fizeram um levantamento de cidades com surto de dengue, zika e febre chikungunya. A ideia é trabalhar com municípios de até 30 mil habitantes para que se tenha maior controle e monitoramento. 

Fonte: Portal Brasil, com informações da Agência Brasil 

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