Cultura
Museu de Arte Moderna do Rio organiza projeto com obras de artistas lusófanos
O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro apresenta, a partir desta sexta-feira (18), o projeto Terceira Metade, que reúne exposição de arte, seminário internacional, mostra de cinema, além do lançamento de um livro e de um site. O projeto, que conta com o apoio do Ministério da Cultura e do Programa Brasil de Arte Contemporânea, é resultado do encontro de vários artistas com as obras de países lusófonos, pondo no mesmo espaço Brasil, Portugal e África, representada por Angola.
Para Marta Mestre, curadora da mostra, o projeto é essencial para a economia da cultura e para o entendimento do passado desses três países. “Ele [o projeto] fundamentalmente aproximará estas três partes, e principalmente os seus intervenientes culturais potenciando novas parcerias de trabalho, trocas simbólicas, e o desfazer de imagens distorcidas que o passado da história comum alimentou”.
Luiz Camillo, também curador da mostra, explica que “em um mundo pós-colonial, em que as singularidades já estão afirmadas, pareceu importante rever o que este passado em comum – para além da língua – foi capaz de suscitar como uma atmosfera cultural compartilhada”.
Camillo destaca a parceria do Ministério da Cultura, que investiu R$ 500 mil em recursos para a execução do Terceira Metade. “Sem esta parceria não teríamos conseguido incorporar as atividades extraexposição, como o ciclo de cinema, o seminário internacional e a publicação do livro”.
Para ele, o projeto coloca em pauta os elementos que ligam esses três continentes e que contribuíram para a diversidade e miscigenação étnica do Brasil. “A ideia é trazer a discussão que vem sido esquecida, recalcada mesmo, tanto por Portugal na sua procura pela Europa, como pelo Brasil, no seu fascínio com os Estados Unidos. Veremos, no projeto, as razões e ‘desrazões’ do nosso hibridismo e da nossa mestiçagem”, disse Camillo.
Entre os artistas plásticos que participarão da mostra estão a paulistana Tatiana Blass, o português Manuel Caeiro e o angolano Yonamine. Blass apresentará pinturas e desenhos, da série “Museu do meu Cansaço”, realizados a partir da memória da artista e de registros fotográficos. Caeiro apresentará pinturas e esculturas em grande formato, seguindo um princípio construtivista. Já o artista angolano, Yonamine, apresentará três instalações que despertam reflexão sobre o narcotráfico, os trânsitos das redes sociais e as políticas da economia colombiana, a partir de experiência vivenciada nesse país. Juntos, os três artistas farão uma mostra conjunta criando um diálogo a três, por meio da singularidade das imagens.
O Terceira Metade terá um espaço dedicado a uma exposição de fotografias de Malick Sidibé, Seydou Keita, Jean Depara, Ambroise Ngaimoko e J.D Okhai Ojeikere. As obras fazem parte do acervo do colecionador Gilberto Chateaubriand.
Ainda dentro do projeto, será realizado, nos dias 29 e 30 de março, na Cinemateca do museu, um seminário sobre as relações e as formas de representação e circulação da cultura no eixo Brasil, África e Europa. O seminário contará com a participação de curadores de artes, pesquisadores, economistas, artistas, antropólogos e escritores. Também na Cinemateca haverá, na última semana de março, uma mostra de cinema, com curadoria de Michelle Sales. O objetivo da mostra é destacar a forma como o cinema ‘olha’ para os ‘olhares’ do Brasil e qual o estado do cinema atual neste eixo geográfico.
O projeto Terceira Metade, terá todas as suas ações registradas em um livro e um site que serão editados em português e inglês.
A mostra poderá ser conferida pelo público até 17 de abril. A programação completa e outras informações estarão disponíveis, a partir de 17 de fevereiro, no site do projeto ou no do museu.
Fonte:
Ministério da Cultura
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