Cultura
Pesquisa identifica mais 4 mil terreiros em apenas quatro cidades do País
As regiões metropolitanas de Recife, Belém, Belo Horizonte e Porto Alegre concentram, atualmente, 4.045 casas de terreiro, onde comunidades tradicionais preservam as religiões de matriz africana, afro-brasileira e afro-indígena. O levantamento é o destaque de uma publicação lançada nessa terça-feira (8) pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e a Fundação Cultural Palmares.
Do total de casas identificadas, o maior percentual está em Porto Alegre (1.342 casas), seguida de Recife (1.261) e de Belém (1.089). O menor número está em Belo Horizonte , onde foram identificadas 353 casas.
Segundo o livro “Alimento: direito sagrado”, a maioria dessas comunidades produz e distribui alimentos para adeptos e não adeptos. Dos extremamente pobres, 53,3% situam-se em áreas urbanas. Quanto ao gênero, a pesquisa mostrou que há distribuição homogênea entre homens e mulheres, exceto em áreas urbanas, onde há maior presença de mulheres. Elas também são maioria nas lideranças, com perfil de baixa escolaridade e renda mensal não superior a dois salários mínimos.
No quesito cor/raça, os dados revelaram que a maioria dessas pessoas são pardas ou pretas (70,8%).
No levantamento a respeito de produção agrícola, a pesquisa mostra que são poucos os terreiros que têm autoprodução de alimentos (14%) ou criação de animais (14%). As cestas de alimentos do governo federal cumprem importante papel na disponibilidade de comida (26,5%). Constatou-se que 85% dos terreiros possuem cozinha, e mesmo os que não têm produzem em casa seus alimentos (92,8%).
Para Mãe Nalva, coordenadora da pesquisa em Belém e conselheira do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), o diagnóstico preenche uma lacuna, uma vez que antes esses grupos eram considerados “invisíveis”, segundo ela. “Agora é esperar que as políticas públicas cheguem a nós”, completou a coordenadora, ao participar da 4ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, em Salvador, onde foi lançada a obra.
A pesquisa pode ser acessada no portal do MDS.
Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons
CC BY ND 3.0 Brasil
















