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Bonecas Karajá são declaradas patrimônio cultural brasileiro

por Portal Brasil publicado: 26/01/2012 17h43 última modificação: 28/07/2014 16h30

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou na última quarta-feira (25), o Ofício e os Modos de Fazer as bonecas Karajá como Patrimônio Cultural do Brasil. A proposta foi apresentada ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Cultural (Iphan) pelas lideranças indígenas das aldeias Buridina e Bdè-Burè, localizadas em Aruanã, em Goiás, e das aldeias Santa Isabel do Morro, Watau e Werebia, localizadas na Ilha do Bananal, no Tocantins, com anuência de membros das aldeias Buridina, Bdè-Burè e Santa Isabel do Morro.

“O registro representa uma dimensão de reconhecimento como patrimônio da cultura de comunidades indígenas, como o povo Karajá, ainda pouco conhecida, mas que são fundamentais dentro do processo de formação do povo brasileiro”, disse o presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida.

A coordenadora da Secretaria de Cultura Indígena, da Secretaria de Cultura do Estado de Tocantins, Narubia Karajá, acompanhou a reunião em Brasília e, muito emocionada, declarou aos conselheiros: “este é um momento histórico para nós porque os senhores estão dizendo que nós (o povo Karajá) somos importantes para o Brasil”.

O projeto Bonecas Karajá: Arte, Memória e Identidade Indígena no Araguaia, iniciado em 2009, identificou as matérias-primas, técnicas e etapas de confecção, além dos mitos e histórias narradas pelos Karajá que expressam a rica relação entre seu povo e o rio, a fauna e a flora, as relações sociais e familiares e a organização social. Toda essa complexidade cultural pode ser identificada nas cenas esculpidas em barro e ornadas com precisos traços em preto e vermelho das bonecas.

De acordo com o Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, as bonecas Karajá são uma referência cultural significativa para o povo Karajá e representam, muitas vezes, a única ou a mais importante fonte de renda das famílias. A confecção das figuras de cerâmicas, chamadas na língua nativa de ritxòkò (na fala feminina) e ritxòò (na fala masculina), envolve técnicas tradicionais transmitidas de geração a geração. A atividade exclusiva das mulheres é desenvolvida com o uso de três matérias-primas básicas: a argila ou o barro – suù; a cinza, que funciona como antiplástico; e a água, que umedece a mistura do barro com a cinza.

Em regra geral, o modo de fazer ritxòkò segue cinco etapas: extração e preparação do barro, modelagem das figuras, queima e pintura, tudo isso envolvendo um repertório de saberes que se inicia na seleção e coleta do barro até a pintura e decoração das cerâmicas, que estão associadas à pintura corporal dos Karajá e a peças de vestuário e adorno tradicionais. Ao indicar gênero, idade e estatuto social, a pintura e os adereços complementam a representação figurativa das bonecas, que identificam o Karajá homem ou mulher, jovem ou velho, solteiro ou casado, com todos os atributos que a cultura cria para distinguir convencionalmente essas categorias.

Com motivos mitológicos, de rituais, da vida cotidiana e da fauna, as bonecas karajá são importantes instrumentos de socialização das crianças que se vêem nesses objetos e aprendem a ser Karajá. Enquanto brincam com as bonecas ou observam a sua feitura, as meninas recebem importantes ensinamentos e aprendem também as técnicas e saberes associados à sua confecção e usos. Por representarem cenas do cotidiano e dos ciclos rituais, elas portam e articulam sistemas de significação da cultura Karajá e, dessa forma, são também lócus de produção e comunicação dos seus valores.

Atualmente, as bonecas Karajá integram o acervo de vários museus no País, são procuradas como objetos de decoração e comercializadas junto a turistas e lojas de artesanato locais, regionais e nacionais.

 

Fonte:
Iphan

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