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Cultura

Mostra exibe filmes do cineasta britânico Derek Jarman

Recife

Retrospectiva “Derek Jarman: cinema é liberdade” reúne obra completa do diretor, conhecido pelo seu interesse por temas marginais
por Portal Brasil publicado: 07/08/2014 10h41 última modificação: 07/08/2014 10h41

Último filme produzido pelo cineasta inglês Derek Jarman, "Blue" (1993) é uma experiência cinematográfica radical. Lançado quatro meses antes de sua morte em decorrência do HIV, em 1994, o filme encerra com intensidade uma carreira de ativismo, polêmica e vanguarda, iniciada nos anos 1970.  Quase uma autobiografia, a película apresenta um único plano azul, de onde, por meio de música e poesia, Jarman apresenta suas reflexões pessoais sobre morte, memória, angustia e tempo.

Em cartaz na Caixa Cultural Recife (PE), a retrospectiva Derek Jarman: cinema é liberdade reúne, pela primeira vez no País, a obra completa do diretor, incluindo os longas Sebastiane (1976), Caravaggio (1986), The last of England (1987) e Blue (1993), além do inédito Will you dance with me (1984), lançado este ano. A mostra vai exibir, ainda, os curtas de Jarman, ajudando o espectador a montar um mosaico plural da obra do britânico, que tinha uma paixão especial pelo formato Super-8. “Ele imprime na obra de Jarman um caráter mais autoral, e é um modo de sugerir ao público o caráter privado de suas filmagens”, explica Raphael Fonseca, curador da mostra.

O trabalho do diretor é considerado revolucionário pelo seu interesse por temas marginais, como os movimentos queer (orientação sexual é uma construção social) e punk. “Mais do que um cineasta, Jarman era um pensador através da imagem”, defende Fonseca. “Mais do que um autor cuja trajetória dialogou com os direitos dos homossexuais, trata-se de um artista cuja maior preocupação era a liberdade dos indivíduos e sua potência criativa – seja na sua Inglaterra natal, seja em outros pontos do globo.”

A própria vida nas telas

Portador de HIV numa época em que as autoridades preferiam esconder a epidemia, Jarman foi uma das primeiras personalidades a assumir publicamente a doença.  O cineasta via as telas como um passaporte para a liberdade, daí o cruzamento tão claro entre as imagens que produzia e a sua própria biografia. “A potência dele, me parece, é justamente explicitar em algumas de suas obras aspectos da sua persona – seja sua homossexualidade, seja sua atuação anterior dentro das artes visuais”, diz o curador.

Fonseca acredita que a transição de Jarman das artes plásticas para o cinema foi natural, e talvez não tenha se configurado numa guinada na sua trajetória, mas num modo de ampliar as questões que já o interessavam na pintura e na cenografia. Em seus filmes, as artes visuais aparecem, por exemplo, na sobreposição de imagens, na exploração do corpo nu masculino e no cruzamento entre imagem e texto, muito explorado pelo diretor. “Com o cinema, atinge-se mais pessoas e também se pode criar novas camadas de complexidade através da imagem em movimento”, explica.

Fascínio pelo passado

Jarman tinha um fascínio especial pelo passado. Segundo o curador, ele percebia na releitura uma possibilidade de reconfigurar a história dentro do presente, numa leitura que Fonseca chama de “trans-histórica”. “Uma postura de respeito com o que veio anteriormente a ele, mas sem perder de vista o seu lugar como autor”, traduz. O modo como Jarman articula imagem e história, aliás, foi o que mais chamou a atenção de Raphael quando se deparou com sua obra pela primeira vez. “Fui vê-lo crente que estaria de frente com uma boa cinebiografia sobre Caravaggio, mas me surpreendi positivamente quando percebi que se tratava mais de um artista que recodificava a potência de Caravaggio”, lembra. 

Poucos filmes de Derek Jarman foram distribuídos comercialmente no Brasil, por isso sua produção não é tão conhecida. “Não se trata de uma raridade entre os cinéfilos, mas nunca atingiu o seu lugar como clássico reconhecido por todos”, lamenta o curador. A mostra veio para reduzir esse vazio. “Acho que o público brasileiro – e me incluo nele – carecia de uma oportunidade de ver várias de suas obras em série e organizadas num tempo e no espaço”, finaliza.

Fonte:
Caixa Econômica Federal 

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