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Cultura

Centro Histórico de Salvador (BA) é exemplar da influência portuguesa

Urbanismo

Primeira capital do Brasil é formada por edifícios dos séculos XVI ao XIX, com destaque para a arquitetura religiosa, civil e militar
por Portal Brasil publicado: 18/11/2014 10h57 última modificação: 18/11/2014 10h57
Foto: Anderson Schneider Salvador apresenta construções que permitem a leitura do modelo das cidades fundadas pelos portugueses

Salvador apresenta construções que permitem a leitura do modelo das cidades fundadas pelos portugueses

O conjunto arquitetônico, paisagístico e urbanístico do Centro Histórico de Salvador foi tombado como patrimônio brasileiro em 1984 e, no ano seguinte, inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco.

A história da capital baiana remonta os primeiros anos após a chegada dos portugueses ao Brasil, quando Tomé de Sousa, em 1549, recebeu ordens do Rei de Portugal para fundar uma cidade fortaleza na Baía de Todos os Santos. Nascia assim São Salvador, a sede do Governo-Geral, por muitos anos a maior cidade das Américas.

Para ajudar na fundação e povoação de Salvador, vieram, com o Governador Geral, cerca de mil homens entre artesãos, voluntários, marinheiros, soldados e sacerdotes. No ano seguinte, desembarcaram na costa baiana os primeiros escravos, logo empregados na cultura da cana-de-açúcar e na produção de algodão, tabaco e gado no Recôncavo.

Entre os séculos XVI e XVIII, além de desempenhar um papel estratégico na defesa e expansão do domínio lusitano, a cidade foi o centro do desenvolvimento econômico, cultural e político da Colônia e passagem obrigatória das embarcações vindas da África e da Ásia.

Mesmo com a transferência da capital para o Rio de Janeiro em 1763, Salvador manteve sua importância, reforçada pela abertura dos portos em 1808. Sua relação comercial e cultural com a costa ocidental da África foi alimentada pelo vil tráfico de escravos, em troca principalmente de cacau, fumo e cachaça.

A cidade, que herdou costumes e tradições deste intercâmbio, tornou-se o mais interessante exemplo da sincrética cultura afro-brasileira, cuja riqueza e diversidade são expressas pelas festas populares, pela musicalidade e pela culinária.

O conjunto urbanístico e arquitetônico contido na poligonal do chamado Centro Histórico da cidade de Salvador é um dos mais importantes exemplares do urbanismo ultramarino português, implantando-se em acrópole e distinguindo-se em dois planos as funções administrativas e residenciais, no alto, e o porto e o comércio, à beira-mar.

Aliada a uma topografia singular, a paisagem do Centro Histórico é formada basicamente por edifícios dos séculos XVI ao XIX, na qual se destacam conjuntos monumentais da arquitetura religiosa, civil e militar.  A cidade de Salvador, fundada em 1549, foi até 1763 a primeira capital do Brasil.

Edificada sobre uma colina, dominando uma imensa baía em ponto estratégico da costa brasileira, teve como objetivo o de centralizar as ações da Metrópole na América Portuguesa e facilitar as transações comerciais com a África e o Oriente.

O Centro Histórico da cidade de Salvador apresenta grupos de construções e espaços que permitem a leitura do modelo das cidades fundadas pelos portugueses no além–mar.

Os limites da primeira cidade, morfologicamente planejada e ortogonal, a sua expansão, de características menos rigorosas, formada por ruas constituídas por um casario uniforme, entremeado por conjuntos de arquitetura monumental e, principalmente, a distinção entre a cidade alta e a cidade baixa, garantem a identificação de uma paisagem herdada do período colonial.

O sítio patrimônio mundial é caracterizado pela fiel representação do plano típico de cidade do século XVI, cuja densidade de monumentos e a homogeneidade de suas construções, implantadas em sítio acidentado, de relevantes qualidades paisagísticas, permitem visadas ascendentes e descendentes de incomparável beleza.

Sua particularidade em grande parte é devida à distinção na sua estrutura urbana entre as cidades alta e baixa que, mantida ao longo dos séculos, individualiza o lugar.

Os espaços públicos de Salvador – Praça Municipal, Terreiro de Jesus, Caminho de São Francisco, Largo do Pelourinho, Largo de Santo Antônio e Largo do Boqueirão – decorrentes dos traçados de suas ruas, ladeiras e becos, formam um dos mais ricos conjuntos urbanos de origem portuguesa. Os sobrados de dois ou mais andares e as soluções de implantação em terrenos acidentados são exemplos típicos da cultura lusitana. 

Com a riqueza gerada pela lavoura açucareira, em meados do século XVII, iniciou-se a chamada fase monumental da arquitetura baiana, apoiada na transição do estilo renascentista para o barroco.

Datam dessa época a construção dos principais edifícios, entre os quais: a Igreja dos Jesuítas, hoje Catedral de Salvador; a Igreja e Convento de São Francisco; a Igreja do Carmo; a Igreja e Convento de Santa Teresa, atualmente o mais importante museu de arte sacra do país; a Igreja e Mosteiro de São Bento; a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco; e o Palácio do Governador.

Entre 1938 e 1945, vários monumentos do Centro Histórico foram tombados como patrimônio nacional, para garantir a preservação do Largo do Pelourinho e do seu entorno imediato. Esse instrumento não impediu, no entanto, a progressiva degradação da área, sobretudo a partir de 1960, quando o centro perdeu importância para as novas áreas de expansão urbana.

Fonte:

Iphan

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