Cultura
Aniversário de São Paulo é retratado com ilustrações e irreverência
História
Quem podia imaginar que a mais paulista das avenidas teria sido idealizada por um uruguaio? E que a arquitetura de Ramos de Azevedo, responsável por prédios como o Theatro Municipal de São Paulo, o Mercadão, a Casa das Rosas e a Pinacoteca do Estado, era conhecida como "arquitetura chantilly"? Ou, ainda, que o revolucionário Frei Caneca teria sido condenado à forca, mas como ninguém teve coragem de executá-lo, precisou ser fuzilado?
A história destes e de outros ilustres está presente na Caixa Cultural São Paulo, com a exposição "Paulistanos Ilustrados". Quem visita a mostra tem a sensação de fazer um passeio pela capital paulista, retratada nos traços coloridos e no texto irreverente e bem humorado do arquiteto, cartunista e caricaturista Paulo Caruso. Os interessados tem de terça-feira a domingo, das 9h às 19h, para visitar a exposição, que fica no local até o dia 1º de março deste ano.
Cerca de 200 caricaturas contam a história de São Paulo e dos personagens que dão nome às ruas, avenidas e monumentos que identificam a cidade. Teodoro Sampaio, Doutor Arnaldo, Prestes Maia, José Paulino, Estação da Luz, Monumento às Bandeiras, Estádio do Pacaembu... Lugares conhecidos, pontos turísticos, nomes que fizeram São Paulo e cujas histórias nem sempre são conhecidas.
Há casos curiosos, como o fato de a mãe de Paulo Caruso ter trabalhado na Caixa, exatamente no prédio que hoje abriga a exposição. E de Gino Meneghetti, criminoso italiano radicado no Brasil, que ganhou a fama de "o bom ladrão" e "gato de telhado", já que roubava somente dos mais endinheirados e movia-se com facilidade pelos telhados.
Descobre-se também que um dos relatores da primeira constituição de São Paulo era carioca, e que Peixoto Gomide, paulistano de reconhecida carreira pública, viveu uma tragédia familiar, ao matar a filha de 22 anos e se suicidar em seguida.
Homenagem
Paulo Caruso diz que, com a exposição, expressa todo o seu amor pela cidade de São Paulo. Em torno de uma centena de personagens, segundo ele, é possível localizar a cidade por outros parâmetros e compreender a importância de cada cidadão interagindo com a cidade que o acolheu.
Para Caruso, a caricatura - arte do exagero - ajuda a fixar a noção do que a passagem do tempo é capaz de realizar. "Bigodões, costeletas suíças, falsos carecas nos dão a exata noção do que fomos, onde estamos e para onde iremos quando fizermos parte do passado desta megalópole", reflete.
Paulo Caruso
Paulistano, formado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade São Paulo, Caruso trabalhou em grandes jornais e revistas do País: Diário Popular, Folha de São Paulo, O Pasquim, Revista Veja, Isto é e, desde 1986, cria desenhos ao vivo no programa Roda Vida, na TV Cultura.
É músico, compositor e autor de 14 livros. Possui trabalhos expostos no Museu da Sátira e Caricatura da Basiléia, na Suíça, além de exposições na França, Portugal, Argentina e Estados Unidos. Recebeu vários prêmios entre os quais o de melhor desenhista do ano de 1991, pela Associação Paulista de Críticos de Arte e Salão Carioca de Humor.
Em 2003, às vésperas do aniversário de 450 anos da cidade de São Paulo, Caruso foi convidado a editar um livro em comemoração a data. O lançamento da publicação ocorreu em 2004: "A partir daí, me revelei não só como caricaturista desta cidade, mas também, como seu comentarista e escritor."
Serviço:
Mostra: Paulistanos Ilustrados, por Paulo Caruso
Visitação: de 24 de janeiro a 1º de março de 2015
Horário: de terça-feira a domingo, das 09h às 19h
Local: Caixa Cultural São Paulo
Endereço: Praça da Sé, 111 – Centro – São Paulo (SP)
Classificação etária: livre
Entrada: franca
Informações: (11) 3321-4400
Acesso para pessoas com deficiência
Patrocínio: Caixa Econômica Federal
Fonte:
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