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Cultura

Belém inaugura primeira obra do PAC Cidades Históricas

Centenário

Revitalização do centenário Mercado de Peixe, que faz parte do conjunto arquitetônico da cidade, será entregue no próximo dia 23
por Portal Brasil publicado: 20/03/2015 16h11 última modificação: 20/03/2015 16h21

Prestes a completar 400 anos, a cidade de Belém (PA) receberá, no próximo dia 23, a inauguração da primeira obra do PAC Cidades Históricas no Estado: a revitalização do centenário Mercado de Peixe. O local faz parte do conjunto arquitetônico e paisagístico do Ver-O-Peso, tombado pelo Iphan em 1977.

O programa é uma das frentes de atuação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Na ocasião, serão entregues também as obras da Igreja do Carmo; da Capela da Ordem Terceira; e da pequena Capela da Adoração.

As quatro construções, que contam a história de ocupação da região, agora, poderão continuar a povoar a memória de seus habitantes, em um momento, no qual o desafio da preservação patrimonial não é só o de manter estruturas e sim reforçar vínculos afetivos e as relações simbólicas, integrando-os, cada vez mais, a vida social da cidade.

A cerimônia na Igreja do Carmo será às 9h, com a presença da presidenta do Iphan, Jurema Machado, da superintendente do Iphan-PA, Maria Dorotéa de Lima, de representantes da Arquidiocese de Belém e da Vale, empresa patrocinadora do projeto.

No Mercado, as solenidades se iniciam às 17h. Além da presidenta do Iphan, participam também o diretor do PAC Cidades Históricas/Iphan, Robson de Almeida, o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, feirantes e lojistas.

O Mercado de Peixe

O poeta paraense Max Martins diz em um de seus poemas que “a balança pesa o peixe, a balança pesa o homem", expressando, assim, imagem lírica de que ali não é apenas um local onde se vende mercadorias, mas, sobretudo, um lugar de vida, de trocas simbólicas, da gente que passa por ali, desde o início do século XX.

Inaugurado em 1º de dezembro de 1901, o Mercado, com estrutura de ferro vinda de Londres e Nova Iorque, foi montado pelos engenheiros Bento Miranda e Raimundo Viana. Consolidou-se como o principal cartão postal da cidade e um exemplar artístico da Belle-Époque, período histórico que representou o reflexo da riqueza trazida pelo Ciclo da Borracha, de acordo a historiadora Maria Nazaré Sarges.

Em janeiro de 2010, o Iphan deu início à obra de Restauração e Conservação de Mercado de Ferro e do Mercado de Peixe do Ver-o-Peso, advinda de uma demanda dos próprios feirantes diante de graves problemas de conservação do edifício.

O projeto consistiu na restauração e conservação do edifício com a execução de novas instalações elétricas, hidrosanitárias, proteção contra as descargas atmosféricas e sistema de câmeras; construção de câmara frigorífica; banheiros; adequação às normas da vigilância sanitária; e novo sistema de cobertura. O processo de restauração foi realizado em duas etapas, de maneira que os peixeiros e lojistas não tivessem que ficar sem trabalhar no período.

O valor total dos investimentos, por meio do PAC Cidades Históricas, foi de, aproximadamente, R$ 8 milhões. A primeira etapa da obra foi concluída em 2014, com entrega de 15 lojas, um PM Box e os 30 boxes dos peixeiros, 50% da cobertura, quadro de energia e duas torres. A ação beneficiou diretamente cerca de 231 famílias dos trabalhadores e permissionários que trabalham no Mercado, além das cerca de 4 mil pessoas que frequentam o local diariamente.

Igreja do Carmo 

As construções de Arte Sacra no Pará se deram com a chegada de missões religiosas que vinham para atuar na evangelização dos indígenas e dos primeiros habitantes e capitanear a ocupação da região amazônica, durante o século XVII.

A Ordem Carmelita do Maranhão se instala em Belém ano de 1626. Na década de 1620 teve início a primeira construção do templo, atual Igreja do Carmo. A segunda edificação teria sido inaugurada em meados de 1721. A fachada de pedra, importada de Lisboa adossada à igreja por volta de 1756, causou problemas estruturais ao edifício, quando então se contratou o arquiteto Antônio Landi para solucionar o problema. 

A intervenção de Landi foi definitiva, formada pela Capela-mor, remanescente da segunda igreja, com o retábulo entalhado em madeira e o altar com frontal de prata lavrada que receberam a nave e os retábulos laterais projetados pelo italiano, a fachada de cantaria também foi preservada.

A Capela da Ordem Terceira, cujo traço também é atribuído a Landi, foi construída anexa à construção do Carmo. Nessa, destacam-se o retábulo-mor entalhado em madeira e o conjunto de imagens sacras barrocas, esculpidas em madeira e relacionadas aos Passos da Paixão de Cristo. À frente, tem-se ainda a pequena capela da Adoração, dedicada á Nossa Senhora de Lourdes. A fachada de pedra permanece até os dias atuais e é única em Belém.

A partir da assinatura de um termo de cooperação com a Arquidiocese de Belém, o Iphan-PA desenvolveu o projeto básico do restauro e, ainda, orientou tecnicamente o desenvolvimento do projeto executivo e a equipe responsável pelar execução da obra.

A intervenção realizada na Igreja do Carmo, desde 2013, teve caráter conservativo/restaurativo, os quais possibilitaram a preservação dos elementos construtivos e artísticos integrados: pisos, forros, pinturas; púlpitos, retábulos laterais e retábulo-mor.

A restauração inclui a recuperação integral da cobertura, do sistema de calhas e condutores, dos rufos. A fachada de pedra recebeu tratamento com emplastros para remoção das sujidades, com reintegração de áreas com perda.

O Iphan, no cumprimento de suas atribuições legais, associou-se às Obras Sociais da Arquidiocese de Belém e Salesianos do Carmo para viabilizar o projeto e habilitá-lo junto ao Ministério da Cultura com a finalidade de captar recursos por meio das leis de incentivo fiscal, na modalidade Mecenato.

A Vale, empresa privada com grande atuação no estado do Pará, tornou-se a patrocinadora única de um projeto que, além da obra, incluía ações de comunicação e divulgação, mas foi além, contratou, diretamente, um projeto de educação patrimonial para atuar paralelamente à intervenção.

O valor total aprovado para captação foi de R$ 5.082.968, 31, que foram destinados á obra e ações de comunicação e divulgação, envolvendo convite, filme, montagem de exposição e multimídia.

Fonte:

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

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