Defesa e Segurança
Nova estação na Antártica terá segurança contra incêndio redobrada, diz Amorim
A nova estação na antártica brasileira, que substituirá a base destruída por um incêndio no sábado (25), começará a ser reconstruída no próximo verão. A informação foi dada pelo comandante da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto, nesta segunda-feira (27). E, segundo o ministro da Defesa, Celso Amorim, a nova estação terá “segurança redobrada” para evitar incêndios.
“Não quero me antecipar às investigações, mas não há nenhuma indicação de que [o incêndio] fosse algo que pudesse ser prevenido. Ainda é muito cedo [para saber o que será mudado em questões de segurança], mas, de qualquer forma, será feito o mais seguro possível. É um ambiente difícil, é um ambiente inóspito, é um ambiente sujeito a acidentes, que nós tentaremos minimizar da maneira mais absoluta. Isso sempre foi uma preocupação, mas evidentemente a segurança será redobrada”, disse Amorim.
O ministro ressaltou que um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) já foi enviado ao Chile para buscar os corpos do suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e do sargento Roberto Lopes dos Santos, mortos no incêndio. Se as condições climáticas permitirem, o avião irá à Ilha Rei George e retornará ao Brasil nesta terça-feira (28).
Amorim esteve na madrugada desta segunda-feira na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, para receber os 41 pesquisadores e funcionários da estação antártica, resgatados depois do incêndio. Eles chegaram por volta da 1h15. O avião C-130 Hércules, da Força Aérea Brasileira (FAB), decolou de Punta Arenas, no Chile, na tarde de domingo (26) e, antes de chegar ao Rio, fez escala em Pelotas (RS) para o desembarque de quatro pesquisadores.
No momento do desembarque no Galeão, no rosto da maioria transparecia o cansaço. Um dos passageiros chegou a levantar as mãos ao céu, como se agradecesse por ter chegado bem ao Brasil.
Jasson Mariano, servidor civil da Marinha na manutenção da base, conta que ajudou a tentar apagar o incêndio na casa de máquinas. “Fomos acordados pelo nosso superior, nos chamando apavorado, dizendo que estava pegando fogo na base. Nós saímos com o uniforme de trabalho e fomos apoiar o grupo-base para tentar combater o fogo. Tentamos esticar a mangueira para pegar água do mar com as bombas, mas o incêndio se propagou muito rápido. A luta foi grande, mas não conseguimos”, relatou ele, que estava desde novembro na estação e retornaria ao Brasil no fim de março.
A bióloga Fernanda Siviero, que estava desde o início do fevereiro na estação antártica, conta que os integrantes da base passaram por grande susto. “A gente estava na base quando foi dado o alarme de incêndio, a gente fez o procedimento de evacuação e ficamos seguros em uma parte da base [isolada]. Ficamos muito consternados e assustados com essa situação toda do incêndio. A gente não acreditou, na verdade, que fosse tomar uma proporção tão grande. Imaginamos que fosse de fácil controle. Achamos que ia ser só um susto e que, daqui a pouco, estaríamos de volta. Infelizmente não foi.”
Já o pesquisador da Universidade de São Paulo Caio Cipro lamenta a perda das amostras de sua pesquisa. “As amostras são insubstituíveis. Eu estava participando de um projeto de hidrografia e a gente perdeu as amostras todas que foram coletadas desde dezembro [do ano passado]. Elas foram perdidas, porque têm que ficar congeladas. Como a estação está sem energia elétrica, uma vez descongeladas, as amostras não servem mais”, explicou.
Fonte:
Agência Brasil
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